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ONG ATUAÇÃO AJUDA A ELIMINAR RESÍDUOS DA NATUREZA

Dentre os objetos recolhidos na cidade estão materiais escolares e de saúde bucal. Veja!

ENSAIO FOTOGRÁFICO: CAVALGADA DA INCONFIDÊNCIA

Os cavaleiros percorreram a Estrada Real, no trecho entre Tiradentes e São João del-Rei. Confira!

ÍDOLOS DO FUTEBOL FRANCÊS COMANDAM PROJETO NO SOCIAL

A iniciativa visa atender crianças e adolescentes de 5 a 17 anos de idade. Veja!

CICLOVIA PARA O CTAN COLOCA ESTUDANTES EM RISCO

Entre os problemas estão o estado de sujeira e o acúmulo de barro após período chuvoso. Confira!

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Basquete é fator de integração social


Pontualmente nas manhãs de sábado, Everton Luiz Cardoso da Silva (24), conhecido popularmente como ‘Peixe’, disponibiliza seu tempo, voluntariamente, para a prática de basquete feminino, em Lagoa Dourada. Há dois anos, já existia um projeto similar, que se perdeu com o afastamento das jogadoras do grupo. Posteriormente, após ser procurado por três meninas incentivadas pelo interesse no esporte, formou-se um grupo de aproximadamente 47 integrantes, divididas entre crianças e adolescentes de 12 a 20 anos.

Apesar de ter superado a falta de experiência do início, Cardoso encontra  algumas dificuldades para manter o basquete: a falta de tempo para os treinos, a estrutura deficitária, já que o local e apoio dos órgãos públicos se manifesta apenas com a quadra da Escola Municipal Angelina Medrado. Além disso, é preciso manter as atletas sempre motivadas (apesar dos temores referentes à altura, dificuldades físicas e dentre outras), preservando a essência do esporte e o grupo unido.

Dentre as jogadoras, a mais nova integrante, Amanda da Silva Bernardes (15), incentivada pelo próprio treinador a fazer parte do grupo, sempre gostou do esporte e, apesar das dificuldades encontradas devido à sua altura,  sente-se motivada para testar seus limites e aumentar sua disposição física. Da mesma idade, Maria Eduarda Patrício, salienta a mesma disposição desde que se interessou pelo esporte há aproximadamente 1 ano e 4 meses, quando frequentava apenas para levar uma familiar aos treinos. Na turma das mais novas, Suzana Helena Resende Lima (12), já há dois anos e cinco meses no projeto, foi incentivada por uma professora que participava na turma das mais velhas; ela ressalta a importância do esporte para o seu condicionamento físico. De forma unânime, as meninas contam que atualmente a prática acontece como um hobbie, mas que pretendem continuar e, quem sabe, um dia se tornarem profissionais.


A escolha das esportistas acontece a partir da dedicação pessoal e como uma tentativa de integração no esporte, principalmente em uma cidade onde a prática esportiva feminina é rara e precária. A respeito dos resultados do seu projeto na formação das atletas, Everton Silva ressaltou que “elas convivem melhor, com mais união, encontrando o basquete como uma válvula de escape para suportar o ritmo acelerado das semanas nas escolas ou faculdades”.


Texto: Ana Carolina Resende Gomes / VAN
Fotos: Ana Carolina Resende Gomes

Evaldo Balbino, de Resende Costa, concorre a prêmio


No próximo dia 4, serão revelados os ganhadores do Prêmio Saraiva de Literatura e Música, criado especialmente para celebrar o centenário da editora. Foram mais de 4 mil inscrições sujeitas a critérios como originalidade e criatividade, além de características técnicas específicas de cada área. Entre os finalistas, está o autor Evaldo Balbino, natural de Resende Costa, concorrendo na categoria romance com o livro inédito Os fios de Ícaro. Ele, que é professor na UFMG, nos concedeu uma entrevista exclusiva.

VAN - Qual a sensação de ter o seu trabalho reconhecido?
Evaldo – Fico contente que, pouco a pouco, o meu trabalho esteja sendo percebido. A sensação que tenho, é claro, é de felicidade, pois é bom fazermos algo com amor, com paixão, e isso dar resultados. E eu escrevo com paixão. Se assim não fizesse, não produziria literatura. A palavra, quando atravessada pelas nossas paixões, ganha mais força, mais vida do que ela já tem. Mas penso que o reconhecimento deve ser construído devagar, sem pressa, assim como se faz uma construção com alicerces sólidos. Não tenho pretensão de fama, e digo isso com sinceridade, pois um autor muito lido hoje não tem garantias de que será lido daqui a alguns anos. Somos mortais, e tudo na vida passa. É lógico que quero ser lido, mas não para ser famoso, e sim para chegar até os leitores, para me comunicar com eles. Escrever para mim é uma forma de construir pontes para chegar aos meus irmãos. Tudo é um desejo de expressão, de autoconhecimento e de conhecimento. Escrever é um exercício nesse sentido. O importante é que o livro chegue até o leitor e ambos, livro e leitor, possam ter uma interação. É você lendo o livro e pensando consigo mesmo:
– "Meus Deus, tudo isso tem a ver comigo também!".
A obra tem que ter esse cunho universal, não é? A obra é maior do que o autor. O autor não interessa tanto, mas o livro sim, porque o livro diz mais do que o autor quis dizer. Estou feliz, porque estou no caminho certo para mim: o caminho tortuoso e saboroso das palavras.

VAN – Tem algum outro projeto literário previsto para o futuro?
Evaldo – Como estou sempre escrevendo, tenho sete livros ainda inéditos: quatro  de poesias, dois de poesia infantil e um de crônicas, fora Os fios de Ícaro, pois com ele são oito livros inéditos. Além desses oito livros, estou terminando um segundo de contos e escrevendo um segundo romance. Quanto a poemas e crônicas, de modo esparso, vou sempre garatujando, fazendo e refazendo, num trabalho incessante de escrita e reescrita. Acho que a vida de todo mundo é isso: um fazer e um refazer ad infinitum, não é mesmo? Ninguém está livre disso. No caso do escritor, penso, morreremos com projetos literários ainda pendentes. A vida parece muito curta para tanto desejo de produzir, de escrever. Nossa mente não para.

VAN - Quais outros prêmios você já ganhou?
Evaldo – Até hoje tenho 19 distinções literárias. No mês de outubro, recebi o Prêmio Humberto de Campos (1º lugar) no Concurso Internacional de Literatura 2014, da União Brasileira de Escritores do Rio de Janeiro (UBE-RJ), com o livro de contos Amores Oblíquos.

Para atiçar a curiosidade de seus leitores e mostrar um pouco do livro que concorre ao Prêmio Saraiva, o autor disponibilizou a seguinte sinopse do livro Os fios de Ícaro.

A obra coloca em cena um narrador na terceira idade que, rememorando seu passado, reescreve-o em forma de memórias. As memórias do narrador, labirínticas, são atravessadas pela fantasia e pela realidade brasileira e mundial, abarcando boa parte de sua vida, mas se centrando no ano de 1978, às vésperas do processo de abertura política da ditadura brasileira. Ficção dentro da ficção, pois o narrador-escritor cria e se confunde com uma das personagens, esta obra é permeada pelo mundo da infância, das paixões, da homoafetividade, da loucura, dos adultérios e dos amores desencontrados. E tudo isso numa linguagem erótica à flor da pele, permeada, em alguns momentos, por tons místicos. Trata-se de uma narrativa de autoanálise, de busca de si mesmo, a qual o narrador faz ao entretecer os fios da escrita. Fios que querem alçar voo. Mas sempre com a consciência dos limites do escrever, da impossibilidade do dizer, das restrições impostas a toda e qualquer representação. Mesmo cônscia dessas impossibilidades, a voz narrativa arrisca-se no labirinto das palavras e investe nas memórias para denunciar, construir, inventar e reinventar os passados, próprios e alheios, individuais e sociais, num país imerso em regime ditatorial.

Texto: Ana Luiza Fonseca e Rafaela Domingueti
Foto: Associação dos Amigos da Cultura de Resende Costa

Evaldo Balbino e Alair Coêlho lançam livros em Resende Costa




Evaldo autografando livro

A Associação dos Amigos da Cultura de Resende Costa (Amirco) aproveitou a comemoração dos 101 anos do município e a primeira Mostra de Artesanato e Cultura para lançar livros de dois resende-costenses. Nos dias 31 de maio e 1º de junho, respectivamente, Evaldo Balbino e Alair Coêlho apresentaram suas obras no Teatro Municipal de Resende Costa.

O quarto livro de Evaldo Balbino, “Amores oblíquos”, foi vencedor do Prêmio Nacional Braskem/Academia de Letras da Bahia – Conto 2012. O autor e professor da UFMG lançou-o pela primeira vez após a premiação em Resende Costa, sua terra natal, com o apoio da Amirco. 

Conforme a diretora de comunicação da Amirco, Elaine Martins, a obra concorreu com outros 76 originais, de treze estados brasileiros. Evaldo comentou sobre a premiação: “Não é porque outros não ganharam o prêmio que não são tão bons. Julgar arte é muito difícil. O povo baiano me recebeu muito bem, assim como a Academia de Letras da Bahia. O presidente da Academia comentou, inclusive, que sou o primeiro mineiro a ganhar esse prêmio, que existe desde 1983”.

O autor já lançou outras publicações, como poemas e crônicas, mas essa é a primeira composta por contos. A obra possui 12 contos e, no entanto, Evaldo Balbino afirma que “não há nenhum conto com o nome de ‘Amores oblíquos’, mas todos falam de amor e todos os amores retratados são oblíquos”. O livro foi lançado pela renomada editora 7Letras, no Rio de Janeiro.


Alair no centro

Entretanto, a participação da Amirco foi além na primeira Mostra de Artesanato. No dia 1º de junho, o historiador Rosalvo Pinto ministrou uma palestra a respeito dos inconfidentes José de Resende Costa, pai e filho, também no Teatro Municipal. Em seguida, o resende-costense Alair Coêlho lançou o romance “O embuçado”, que trata da Inconfidência Mineira. 

O autor empreendeu pesquisas a respeito do movimento e percorreu a Estrada Real em busca de informações. Depois de escrever bastante e reunir alguns documentos,  decidiu que escreveria um romance. Esta foi a quinta publicação da Coleção Lageana. 

Alair Coêlho participou do Grupo Teatral Agenor Gomes, na era de ouro do Teatro Municipal de Resende Costa, e trouxe um pouco disso para a obra. “O embuçado” combina maçonaria, história, amor e mistério. “O livro tem muito de teatralidade. Não fugi de minhas origens. Quem ler, perceberá que toda a história tem como centro a laje”, concluiu Alair. 


VAN/Emanuelle Ribeiro
Foto: Emanuelle Ribeiro e Fernando Chaves

Acontece em Resende Costa a tão sonhada Mostra de Artesanato




Mostra valorizou atividades voltadas para o artesão e empreendedor

Resende Costa recebe, de 29 de maio a 2 de junho, a primeira Mostra de Artesanato e Cultura, visando valorizar a principal atividade econômica do município. Shows, oficinas, palestras, atividades culturais e intelectuais fazem parte do evento. Confira a entrevista com o responsável pelo Setor de Artesanato, Turismo e Cultura da Prefeitura Municipal de Resende Costa, Luís Cláudio dos Reis:

VAN: A Mostra de Artesanato é um evento sonhado há muitos anos em Resende Costa. Qual o objetivo desse primeiro evento?
Luís Cláudio dos Reis: Tivemos uma particularidade esse ano, que é o aniversário da cidade, no dia 2 de junho, fechando o feriado de Corpus Christi. A intenção foi aproveitar o movimento natural da cidade e região. Como tínhamos a previsão das comemorações dos 101 anos de Resende Costa, reunimos as duas ideias. Pretendemos aproveitar essa data nos próximos anos e fazer com que a Mostra integre a agenda de eventos do município. Contratamos alguns shows interessantes, atraentes, mas o foco principal da Mostra não é esse. Queremos apresentar nossos movimentos culturais e técnicas de artesanato. Resende Costa é, hoje, além de produtora, fornecedora de artesanato a nível nacional e até internacional. Tivemos a preocupação de antecipar a programação de palestras e oficinas para dois dias antes da abertura oficial, para valorizar o resende-costense, nosso artesão, empresário. É um grande presente de aniversário a realização da primeira Mostra de Artesanato e Cultura de Resende Costa.

VAN: A Mostra é uma promessa de campanha do prefeito Aurélio. A intenção era mesmo promover o evento nesse primeiro ano de governo?
Luís Cláudio dos Reis: No primeiro ano de uma administração se trabalha com o orçamento da administração anterior. O que havia previsto eram os recursos para o aniversário da cidade. Um fator que contribuiu é que esse ano estamos recebendo o ICMS Turístico, o que ajudou a complementar. Além disso, nossos parceiros, como Sebrae, Estrada Real, Sicoob Brasel,  ACI del-Rei, foram fundamentais na realização da Mostra. Nosso recurso é restrito e não haveria tempo de realizar todo o processo. A questão do tempo também nos impediu de trabalhar com patrocínios. Mas, no fim, conseguimos usar o recurso à disposição e fazer esse evento tão esperado.

VAN: Como aproximar o turista da técnica de produção?
Luís Cláudio dos Reis: Montamos um tear na Tenda Show, na Avenida Alfredo Penido, onde foi realizado o evento, para que as pessoas que não conheciam pudessem ter esse contato. Colocamos uma roca também como ilustração, decoração do espaço produtivo. Além disso, escolhemos a rua principal do artesanato como palco do evento. É uma feira permanente de artesanato.


VAN/ Emanuelle Ribeiro
Foto: Fernando Chaves

Zona rural de Ritápolis faz sucesso com seu artesanato


Anna Júlia Silveira                                                          12 de abril de 2013


Resende Costa é uma cidade conhecida por sua grande produção de artesanato, que movimenta a economia do município. Porém, a arte de produzir com as mãos e máquinas semimanuais é praticada não apenas nessa cidade, como também na zona rural de Ritápolis. Dona Maria Elédina Rodrigues utiliza seu tear e suas tiras de pano colorido para produzir tapetes de diversos tamanhos e estilos, garantindo ainda uma renda extra no final do mês.
A aposentada, que atua na produção artesanal de tapetes há mais de 25 anos, conta que, além de ser alternativa para melhorar a renda familiar, a tarefa representa, para ela, uma forma de “ocupar a mente”, criar e brincar com as cores. “Quando termino uma peça, é como se visse uma obra de arte. O ato de escolher cores faz com que a criatividade seja aguçada e, ao fim de cada trabalho, já começo a pensar no próximo”, comenta. Segundo ela, são produzidos cerca de 300 tapetes por mês.
Maria Elédina explica que o trabalho não se resume apenas em tecer os tapetes, sendo necessário também comprar o pano, que será picado em forma de compridas tiras, as quais, depois de serem enroladas em novelos, irão ser traçados em diversos arco-íris, até que a obra fique pronta. Para isso, ela conta com Denize Maria Silveira, que tem a função de separar, enrolar e picar as tiras de pano. “Sou professora, mas no momento não estou atuando na área. Meu marido é agricultor e aqui na zona rural essa foi uma forma que encontrei de ganhar meu próprio dinheiro”, afirma Denise. E completa: “É algo bom de se fazer e posso trabalhar enquanto ouço a televisão junto com a minha família”.
Entretanto, Maria Elédina admite que não é possível garantir o sustento da família somente com a renda dos tapetes, que são vendidos por R$2,00 cada. “Vendo-os para o meu cunhado, que leva para revendê-los em cidades como São Tiago, Bom Sucesso, Divinópolis, entre outras.
Ela lembra ainda que seus trabalhos fizeram muito sucesso em São Paulo, quando seu irmão, que mora em Osasco, levou algumas peças para comercializar por lá. “As pessoas ficam encantadas com o trabalho artesanal, que não é tão comum por lá como é aqui. Estou preparando uma nova remessa, para que, em junho, quando meu irmão vier novamente a Minas, ele possa levar mais”, afirma.
Embora os gastos com matéria prima sejam altos e, com isso, surjam algumas dificuldades, a artesã diz que não pretende parar de produzir. “É algo que gosto de fazer, tenho prazer em criar e isso me deixa satisfeita”, ressalta. A aposentada finaliza, dizendo que “qualquer trabalho, quando feito com carinho, ao invés de ser uma obrigação, passa a ser um dom”. Suas produções confirmam a dedicação à arte, que preserva e enriquece a cultura regional.

Memórias do mestre da arte sacra de Resende Costa


Mariana Fernandes                             05 de abril de 2012 | De Resende Costa 

Foto: Mariana Fernandes
 Ao início do mês de abril, as pequenas cidades mineiras entram em um clima místico, sendo cercadas de silêncio, reflexão e atos de fé. A devoção católica durante a Semana Santa move e comove os moradores da região das Vertentes. Procissões, cânticos sacros, abstinências e admiradores das belas esculturas em madeira são vistos pelas ruas das cidades. Em Resende Costa, as esculturas do falecido Valcides Mairinque Arvelos ainda compõem o cenário deste importante período do calendário religioso. Um orgulho para os moradores da cidade, que o têm como um exemplo de artista autoditada, com peças inclusive no Vaticano.

Mestre de ofício, autodidata, Valcides Mairinque aprendeu a desenvolver desenhos e esculturas em madeira fazendo brinquedos. Isso é o que conta sua irmã, Ana Rita Mairinque. “Ele ficou conhecido nos anos 70 como santeiro, mas começou muito antes, fazendo passarinhos e carrinhos para crianças. Valcides esculpiu o primeiro santo após uma visita a São João del-Rei, onde, através de um santinho, ele conseguiu reproduzir a imagem de um Senhor dos Passos”. 

Após a primeira escultura, Valcides não parou mais de receber encomendas de religiosos e colecionadores de arte sacra. Em 1972, o artista ganhou as páginas da revista Veja com a escultura de São Francisco de Assis. A matéria intitulada “Visões Esculpidas” trazia a história de um homem humilde que aprendeu o ofício nobre sem qualquer influência acadêmica. Ana Rita conta que ele sempre ressaltava sua autenticidade, dizendo que o trabalho não sairia como o encomendado, mas conforme a sua inspiração. 

Valcides esculpiu diversos santos, mas um em especial está exposto no Museu Paroquial de Nossa Senhora da Penha de França, em Resende Costa. A escultura da padroeira da cidade tem, segundo o seminarista Adriano Melo de Oliveira, um valor artístico e cultural muito grande para a história local. “Temos esculturas de um filho desta terra, que é o mais valioso. A imagem da padroeira saía em procissões e na zona rural e, hoje, ela faz parte do arquivo do museu, para mostrar o talento deste artista e o quanto ele contribuiu para a devoção e a religiosidade da própria cidade onde viveu”, comenta Adriano. 

Valcides faleceu no dia 2 de agosto de 2008, aos 81 anos, sem possuir bens. Ana Rita conta que, durante 3 anos, ele ficou de cama, pois adoeceu após um derrame. Mas, segundo ela, não deixou de trabalhar e passar por dificuldades. “A última obra que o Valcides fez foi um São Bento, encomendado por um turista, mas não ficou perfeita, porque ele já estava doente. O dono da obra não quis levar, deixou pra ver se ele consertava, mas não teve mais tempo. Foi uma perda enorme”, conta Ana Rita. 

Esse escultor autodidata deve ser lembrado, em especial por ocasião da Semana Santa, pelos seus conterrâneos como um artista que representa a força da cultura local. A Semana Santa, em Minas Gerais, tem grande importância histórica e revela a identidade cultural do Estado. São muitos os mestres de ofício que se dedicam à arte sacra, esculpem madeiras não apenas para sobreviver de seus talentos natos, mas porque vivenciam e acreditam na fé religiosa que os move. Valcides Mairinque Arvelos foi um homem simples, que viveu em Resende Costa e que é aqui lembrado, por mérito, como um artista local que não deixou nada a desejar para os grandes escultores de correntes acadêmicas.

Número de adeptos à corrida cresce cada dia mais em Resende Costa

Samuel e Luiz Nei correm cerca de 15 Km por treino.

A corrida de rua é um esporte que vem conquistando seu espaço em Resende Costa. Com algumas competições organizadas e muitos atletas aderindo à prática, a corrida é um dos esportes que mais cresce no município. Os resende-costenses Luiz Nei Resende e Samuel Santos começaram a correr há cerca de três anos e já disputaram diversas competições, conquistando medalhas e divulgando o nome de Resende Costa por Minas Gerais e até fora do estado. 

Os atletas participam de competições quase todos os fins de semana. Já estiveram em Barbacena, Tiradentes, Dores de Campos, São João del-Rei, Divinópolis, Extrema, Juiz de Fora etc. Fora de Minas, Luiz Nei e Samuel correram em Piquete (SP) e na Serra da Itatiaia (RJ). Luiz Nei destaca a saúde como principal benefício do esporte: “Sempre me preocupei com a saúde e o esporte me ajuda a mantê-la bem. Por isso, também busco trazer as crianças para a corrida”.

Samuel, que iniciou no esporte antes do amigo Luiz Nei, diz que a corrida o ajudou a ficar longe dos vícios e ainda fala sobre outros ganhos: “A quantidade de amigos que conquistamos durante essas competições é incrível. É muito bom conhecer novas pessoas”. Sobre as competições e conquistas, o maratonista comenta: “Ao ver que poderíamos correr ao lado de profissionais nos interessamos pelas competições e sempre que disputávamos a gente voltava com um troféu. Hoje nós visamos também às medalhas, troféus e o nome no atletismo de Resende Costa”.


Os maratonistas treinam bastante, correndo aproximadamente 15 km por treino e já colecionam vitórias importantes, como a corrida de Piquete, vencida por Samuel e as provas de Juiz de Fora e Divinópolis, conquistadas por Luiz Nei. Além das tradicionais corridas de rua, os dois adotaram outra modalidade: a corrida de montanha, que é caracterizada por um percurso mais cansativo, que exige muito da condição física do atleta, visto às dificuldades do trajeto, que conta com morros, pedras e rios. “Às vezes o atleta que na rua se sobressai não consegue o mesmo desempenho nas montanhas”, afirma Luiz Nei.

Apesar do crescimento do esporte, os atletas acreditam que a corrida ainda não teve o reconhecimento necessário pelo poder público, mas esperam que isso mude com a nova administração. “Pedimos apenas um pouco de atenção para o atletismo. Acredito que já podemos também organizar uma corrida de montanha em Resende Costa, já que temos percurso para isso”, diz Samuel. Segundo os atletas, o único apoio que recebem acontece quando organizam alguma prova em Resende Costa, fora isso, fazem tudo por conta própria, o que não sai barato.


O prefeito Aurélio Suenes está disposto a contribuir para elevar a modalidade esportiva e os nomes dos atletas resende-costenses: “O primeiro passo é definir um planejamento sobre quantos eventos podem ser feitos no município em um ano. Depois, a prefeitura pode incluir a corrida em eventos de destaque, como aniversário da cidade e outros. Pode também apoiar os atletas em eventos de destaque regional, estadual e nacional, desde que seja feito uma associação envolvendo atletas interessados nesta modalidade. Com isso, podemos ter a oportunidade de repassar recursos através de convênios e levar o nome de Resende Costa para outras regiões. Sobre a estrutura, entendo que essa modalidade não exige muito, mas podemos ajudar  na sinalização e segurança das vias públicas, sonorização, divulgação e premiação dos atletas”, diz o administrador público.

Emanuelle Ribeiro

Pré-carnaval tem início em Resende Costa


Confira a programação oficial.
Teve início nesta quinta-feira (31) em Resende Costa, o tradicional pré-carnaval da cidade: são nove dias de muita folia antecipada. Em 2013, apesar das dificuldades financeiras enfrentadas pela administração municipal, conforme informou o secretário de Administração, Toninho Ribeiro, o carnaval foi mantido como nos anos anteriores. O programa dessa edição do evento foi lançado no início dessa semana. O gestor de Cultura, Turismo e Artesanato, Luís Cláudio dos Reis, afirma: “Há algumas mudanças, principalmente na estrutura do evento, porém não deve fugir do tradicional por causa do pouco tempo para planejamento e também do fator econômico. Ficaram garantidos os tradicionais blocos e o som na avenida durante os dias oficiais”. 

O Carnaval da Família, em sua segunda edição, abriu as festividades em evento realizado no Parque de Exposições na noite de ontem. A partir de hoje, têm início os blocos de rua com o “Bloco Serra do Urubu”. Durante toda a semana, a bateria do Rifugo, liderada por Márcio Chiano, e a Banda Furiosa acompanham os foliões pelas ruas da cidade. Nos dias de bloco, a concentração acontece na Praça do Rosário a partir de 19h, com horário de saída do desfile marcado para as 20h. “Já há muitos anos acontecem os blocos do pré-carnaval. Uma festa que acaba se destacando pelo ambiente familiar e a participação de muitas crianças durante os desfiles. Com temas variados e bem populares, a comunidade se diverte ao som da bateria do Rifugo e da tradicional Banda Furiosa, que sobem e descem as ladeiras de nossa cidade tocando marchinhas e outras canções do mundo carnavalesco”, destaca Luís Cláudio.

Um dos blocos mais tradicionais de Resende Costa, o “Bloco do Retalho”, sai na próxima segunda-feira. O bloco é uma homenagem ao artesanato, principal fonte de renda da cidade. Neste dia os foliões capricham nas fantasias, todas enfeitadas com o retalho usado na confecção de produtos do artesanato local. Para o secretário de Administração é uma forma também de divulgar o grande potencial turístico de Resende Costa.

No último dia de pré-carnaval, sexta-feira (08), a tradição é “sair do armário e entrar na avenida”, como indica o programa. É dia das “Domésticas”! Os homens se vestem como as mulheres e vice-versa. O estudante de Geografia da UFSJ (Universidade Federal de São João del-Rei), Pedro Oliveira, é um grande amante do carnaval, considerada por ele a melhor festa do ano: “Pulo o carnaval em Resende Costa desde criança. Estou muito satisfeito com o carnaval daqui. São doze dias de folia que eu, meus amigos e minha namorada gostamos muito”.

Com a chegada do bloco na Avenida Gonçalves Pinto, dá-se início aos dias de carnaval oficial e na sexta-feira mesmo a galera se diverte ao som de DJ até as 4h. Nos dias seguintes, de 9 a 12 de fevereiro, tem matinê para as crianças a partir de 15h e DJ animando a festa de 20h30 às 4h. Durante os dias oficiais, acontecem ainda o desfile da escola de samba “Acadêmicos da Vila Nova” (domingo) e o tradicional “Bloco do Cabeção” (segunda-feira).

Sobre a situação financeira, o secretário de Administração Toninho Ribeiro comenta o seguinte: “Festas populares e tradicionais como o carnaval não deixarão de acontecer, mas serão realizadas dentro do nosso orçamento, que está apertado. Uma coisa ou outra será preciso cortar, para adaptar a essa realidade”. Sobre o “Bloco do Cabeção”, que em 2013 será realizado de maneira mais simples, Toninho diz: “Nem tudo o poder público pode assumir, entendo eu. Alguns blocos e escolas carnavalescas deveriam buscar também outras parcerias, como o comércio local. Dentro das nossas possibilidades, estaremos sempre apoiando”.

Reportagem: Emanuelle Ribeiro
Foto: Divulgação



Viva Viola e ações socioculturais na zona rural de Resende Costa


A Comunidade dos Pintos, zona rural de Resende Costa, recebe no próximo sábado, 03 de novembro, a visita do projeto Viva Viola ações socioculturais, voltado para a preservação da cultura popular e regional mineira.  
Atividades culturais, educativas e de recreação, envolvendo a comunidade local e alunos das escolas públicas do município vão atravessar todo o sábado, tendo início às 8h com Missa na Capela do Povoado e se encerrando à noite com a apresentação musical de artistas locais e de violeiros do Viva Viola. Entre a Santa Missa de abertura e o encerramento das atividades com os violeiros, as atividades são diversificadas: oficinas de literatura e de construção de tambores, exposição fotográfica, exibições cinematográficas, apresentação de foliões locais, uma partida de futebol disputada entre times locais e uma caminhada ecológica.      
O instituto Cultural Viva Viola foi criado em 2008 pelos músicos, pesquisadores, compositores, cantadores e violeiros João Evangelista, Bilora, Chico Lobo, Gustavo Guimarães, Joaci Ornelas, Pereira da Viola e Wilson Dias. O instituto desenvolve ações socioculturais como oficinas de literatura e composição voltadas para alunos de escolas públicas, ações de fortalecimento das orquestras de violas existentes, exibição de filmes e documentários, contação de histórias, oficinas de brinquedos e brincadeiras, além de atividades artísticas importantes nas comunidades, como apresentações musicais dos violeiros, cantadores e grupos de cultura popular de cada região.
Resende Costa é o sexto município visitado pelo projeto.  As ações socioculturais são uma parceria entre o Instituto Viva Viola e o Instituto Sociocultural Valemais, entidade que, ao longo de dez anos, vem realizando projetos e ações de desenvolvimento social e cultural no vale do Jequitinhonha. A ações já visitaram comunidade rurais nos municípios de São Julião, Japaraíba, São Francisco, Santana dos Montes e Olhos D’ água, promovendo a valorização e preservação da boa música de viola e da cultura popular mineira.    

Reportagem: Fernando Chaves.
Foto:  Rodrigo Valente.

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Móbiles de Areia: valorização e divulgação da literatura em Minas Gerais

      Compartilhando as festividades dos 100 anos de emancipação política da cidade de Resende Costa, a Associação dos Amigos da Cultura de Resende Costa (AMIRCO) lançará o 3º livro da Coleção Lageana, intitulado Móbiles de areia, do já premiado poeta resende-costense Evaldo Balbino. O evento, que conta com o apoio da Prefeitura Municipal, vai acontecer no dia 22 de junho, às 20h, no Centro Pastoral Paroquial (CPP), em Resende Costa. A entrada é franca e o livro será vendido a R$10.
      A publicação tem o patrocínio do Fundo Estadual de Cultura (FEC). Para a idealizadora do projeto Coleção Lageana, duas vezes aprovado pelo FEC, Elaine Martins, a edição do livro de Evaldo será mais que um presente para Resende Costa e para os resende-costenses: “A publicação de Móbiles de areia pela Coleção Lageana representa o reconhecimento e reforço do laço entre Evaldo e a sua terra, pois essa origem atravessa a sua vida e a sua literatura. Essa publicação representa ainda um incentivo e valorização da literatura de jovens escritores produzida em Minas. É uma das formas de democratização do acesso à literatura de qualidade que, no caso, é a prosa refinadamente poética de Balbino”.

Ávida Palavra

      Em Móbiles de areia, Evaldo Balbino tece 33 crônicas nas quais, entre memórias e palavras, borda seu passado e o de outros, nos tempos da pequena cidade, tempos que ainda se fazem presentes. Segundo o autor, essa publicação será sua estréia no universo da prosa, da crônica.
      Dos 33 textos que compõem o livro, quatro são inéditos e os outros 29 já foram publicados. A seleção das crônicas, que passaram por mudanças, foi feita pelo próprio autor e revela uma forte simbologia que cristaliza a presença do sagrado e da memória na sua produção literária.
      A crônica de abertura, “Ávida Palavra”, funciona como uma espécie de prólogo literário do livro. Revisitando a tradição grega, o autor evoca a palavra, escrita e falada, cantando-a como um rapsodo que se vale da memória, mas não a memória ideal cuja morte foi decretada por Platão. Esta é contestada porque as palavras, depois de ouvidas e olvidas, moldadas pelas mãos feito barro e enraizadas no papel, são memórias em potencial e pulsam no autor, para quem “falar é lutar contra a morte”.
      Os textos de Balbino são tecidos em prosa-poética, permeados por imagens, lugares da memória e objetos biográficos e atravessados pela humildade.O autor recria experiências, lugares, causos e cousas em meio a reflexões. Com uma linguagem refinadamente poética, ele dialoga com os seus poetas, escritores e filósofos e com os leitores. Fala da efemeridade da vida.
      Outras crônicas do livro: “A boa morte”; “Piteiras e emplastros”; “Por quem os sinos dobram”; “As geografias desnorteadas”; “Móbiles de areia”, “Leituras de Teotônio”; “Palavras a uma jovem”; “O pintor”; “Álbum de fotografias”; “O menino e as chinelas do menino”; “A aranha e as paredes”; “O presente”; “As mãos de minha mãe”; “Raimundo Mundo”; “Em preto e branco”; “As grandes miudezas”; “Crônica de Natal”; “O bolo sem graça”; “No armarinho da memória”; “A missa e o homicídio”; “A amante”; “O cavalo de três pernas”; “O palhaço”; “Relembranças”; “Estátuas aéreas”; “Crônica de um educador”; “Catar feijão”; “A esposa esbelta”; “Declaração de amor”; “Promessa é dívida”.
      Sua última crônica, "Ao rés-do-chão", retoma de certo modo a primeira crônica e reforça uma das grandes marcas do autor: a humildade. A palavra bruta moldada no moinho da criação poética e tudo o que perpassa o livro é reafirmado.
      O intuito dos cronistas e da crônica, segundo o grande crítico Antonio Candido, “não é o dos escritores que pensam em ‘ficar’, isto é, permanecer na lembrança e na admiração da posteridade; e a sua perspectiva não é a dos que escrevem do alto da montanha, mas do simples rés-do-chão. Por isso mesmo, consegue quase sem querer transformar a literatura em algo íntimo com relação à vida de cada um; e, quando passa do jornal ao livro, nós verificamos meio espantados que a sua durabilidade pode ser maior do que ela própria pensava, talvez como prêmio por ser tão despretensiosa, insinuante e reveladora.” Assim são Evaldo Balbino e as suas crônicas, os seus móbiles de areia.

Entrevista com o autor

1. Quando você começou a escrever?

      Comecei a escrever em torno dos meus 15 anos. Escrever com pretensão de fazer literatura. E comecei a publicar em antologias, via concursos, aos 17 anos.

2. A sua formação escolar é voltada para o mundo das letras e da literatura. Haveria um entrelugar entre o crítico e o autor (poeta, escritor)? Qual a relação entre o ler e fazer literatura?

      Fazer literatura tem que ser resultado de ler literatura. Muitas vezes alunos meus, de Letras, diziam que adoravam escrever e não gostavam de ler. Isso, para mim, é impossível. Eu só escrevo a escrita dos outros. Em outras palavras, e tentando dizer disso que é tão difícil de ser dito, eu reescrevo o que outros já disseram. Reescrevo a meu modo. Nada nasce do nada. Não existe geração espontânea. Quanto aos meus dois papéis, o de crítico e o de escritor, penso que um trabalho suplementa o outro. Uso aqui o conceito de suplemento de Derrida. Não falo de complemento. Complementar é acrescentar algo a um todo, contribuindo para sua constituição. Já suplementar é trazer algo a mais que desestabiliza o suposto todo já existente. Assim, ao fazer literatura, vou para além das amarras que o crítico que existe em mim mesmo me coloca. Não quero dizer que escrevo sem aparatos críticos. Todo poeta, todo escritor, tem aparatos críticos. E tem isso porque é leitor. Leitor aberto, amplo, e não preso apenas a textos teóricos. O problema, a meu ver, é quando o artista se prende muito a uma formação acadêmica e acaba por fazer uma arte somente para iniciados. Ou seja, temos aí escritores escrevendo apenas para seus pares. O aparato crítico, que paulatinamente adquiro, me ajuda a escrever literatura, mas a literatura não deve, na minha humilde opinião, estar a serviço da crítica. É ela, a crítica, quem deve buscar a literatura e se produzir a partir dela.

3. Em um de seus escritos você afirma que “escrever é lutar contra a morte”. Que relação é essa?

      Isso já foi dito aos quatro ventos do mundo desde que a humanidade se deparou com o silêncio da morte, teve consciência disso. O que nos amedronta deve ser exorcizado, ou melhor, deve ser chamado, evocado para as nossas vidas, para fazer parte delas, para tornar-se também vida. Numa perspectiva puramente material, sem levar em conta as crenças no plano espiritual em que eu acredito piamente, eu lanço mão da linguagem – dessa beleza que o humano criou – para falar, falar e falar. Falar antes que o Grande Silêncio tome conta do meu corpo. Porque nada sei do outro mundo. Ou sei pouco. Então não tenho garantias do que me será possível após a morte.

4. A sua produção em versos (Moinho, Filhos da pedra) é maior que a produção em prosa, por enquanto. Como se dá esse salto entre a verso e a prosa?

      Creio que não faço muito esse salto. De fato, de tudo o que já escrevi até hoje (e tenho mais livros no prelo, que sairão logo se Deus quiser), tenho feito mais poemas do que prosa. Prefiro a distinção entre poema e prosa. Assim, o que posso dizer é que tenho escrito mais na forma de versos do que na forma de parágrafos. Já a poesia, a poiesis grega, o fazer poético, essa poesia está em quase tudo o que escrevo. Até mesmo nos meus textos de crítica literária eu me permito os voos da linguagem poética. Minhas crônicas, por exemplo, são atravessadas por imagens poéticas, por poesia. Só consigo escrever assim. A diferença é que, quando faço versos, busco uma linguagem mais contida, às vezes supostamente mais contida.

5. A crônica, como a entendemos hoje, requer um exercício que, no seu caso, é mensal. Como começou e é a sua relação com esse gênero literário?

      Sempre tive medo de praticar a crônica. Como ainda tenho medo de escrever, por exemplo, uma peça de teatro. Imagine você, colocar personagens em ação sem a fala tagarela de um narrador? Eu sou escravo dos narradores, os que falam, os que contam, os que erigem mundos. Não consigo trilhar a literatura sem eles. E eu tinha medo de tentar a escrita de uma crônica, e sair tudo, menos uma crônica. Vê-se que eu estava, nesse tempo, preso a uma rigidez desnecessária. Comecei a praticar a crônica – esse gênero tão fluido como todos os gêneros –, e comecei a fazê-lo mais sistematicamente (em média uma por mês), a partir de 2009, quando me tornei colunista do Jornal das Lajes. Escrever crônicas tem sido para mim um grande exercício, uma lenta aprendizagem no terreno da prosa, um acurado e paulatino caminhar nos meandros das construções de narradores, espaços e personagens. Tenho aprendido muito com tudo isso.

6. O que o leitor encontrará eu seu Móbiles de areia?

      Espero que encontre, antes de tudo, poesia e prazer. Poesia, porque sem ela não há criação literária. E sem arte não há prazer. Falo aqui de prazer, mas não no sentido de uma autoajuda, de um texto lindo, que me leva às alturas, que me tira os pés do chão, para além da realidade. Muito antes pelo contrário: falo do prazer de abrirmos os olhos, de encararmos a vida, as dores, as alegrias, os problemas e as flores. A literatura nos dá um chão para pisar, mas um chão desestabilizado, cheio de espinhos. Pois, para mim, toda literatura – toda boa literatura – é realista e, como tal, nos arranca para a realidade e nos faz, de certo modo, sofrer. Falo, então, aqui, de gozo, no sentido usado por Barthes. E não de um prazer como puro passatempo. Gozar a/na literatura é estar antenado com a vida e com tudo o que lhe diz respeito.

7. Hoje você vive em um grande centro. O que significa para você publicar um livro na sua cidade natal, por uma editora não comercial?

      Publicar meus livros em minha cidade natal foi, é e sempre será minha maior e primeira meta. Independentemente de onde for a editora, sempre farei questão de lançar meus livros em Resende Costa. Tenho carinho pela cidade. Um carinho retorcido, muitos poderão dizer. Mas esse meu jeito meio enviesado não é por mal. É meu jeito de ser e de estar antenado com o mundo, com suas virtudes e com seus problemas, e também com minhas virtudes e com meus problemas. Não somos perfeitos, não é verdade? A meu modo, eu amo Resende Costa. Falemos agora da AMIRCO. Não me preocupa publicar por uma editora não comercial. Todo escritor, que de fato escreve por necessidade psíquico-espiritual e que tem nas palavras o seu ar, é vítima do mercado. O mercado é forte, impávido, insensível. E nem sempre, sabemos, o que está “bombando” no mercado ou na mídia é o que há de melhor. Primo pela qualidade. Como já dizia Paulo Leminski, é melhor ser lido muitas vezes por poucos do que poucas vezes por muitos.

8. O que é ser poeta e escritor hoje (em Minas Gerais, no Brasil e no mundo)?

      Ser poeta e escritor no mundo é, cada vez mais, remar contra uma forte corrente. Os gostos cada vez mais se têm afastado da leitura. O hábito de ler bons textos, e fazê-lo de modo atento e ruminante, sempre foi mania de poucos. Isso não é de hoje. Camões, por exemplo, já carpia no seu monumental Os Lusíadas a desvalorização a que o poeta/escritor é relegado na sua própria cultura. Eu sei que cada vez mais pessoas têm lido. Entretanto, no grande universo de pessoas do nosso mundo, pouquíssimas são as que leem literatura. Isso é muito evidente hoje. Com a suposta democratização do ensino e das culturas, muito mais pessoas têm sido supostamente letradas. No entanto, resta saber o que leem, como leem e se de fato dão valor à literatura que, se não é a Grande Arte – pois isso seria uma ilusão – não deixa de ser arte, manifestação cultural. E todo povo, penso, tem que valorizar as diferentes manifestações culturais que se dão no seu meio, inclusive a literatura. Mas nada de lamento: sempre houve e sempre haverá, enquanto houver seres humanos na Terra, aqueles, mesmo que poucos, amantes da poesia, da literatura.

Coleção Lageana

      A Coleção Lageana é um programa editorial instituído pela AMIRCO em 2009. Tem como objetivo a publicação de obras referentes à história e à cultura de Resende Costa e de sua região. O nome “lageana” é uma referência histórico-geográfica ao antigo “Arraial da Lage”, nascido em meados do século 18. Ao se emancipar em 1912, a vila tornou-se a cidade de Resende Costa, em homenagem aos seus dois inconfidentes José de Resende Costa, pai e filho.
      A Lageana foi idealizada por Elaine A. Martins, que também é uma de suas coordenadoras, e criada por meio de um projeto apresentado e aprovado pela Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais por meio do Fundo Estadual de Cultura (FEC).
      A AMIRCO, com o patrocínio do Fundo Estadual de Cultura (FEC), por meio da aprovação de um segundo projeto, publica agora o terceiro livro da Coleção Lageana, Móbiles de areia, de Evaldo Balbino, como parte das celebrações do centenário da emancipação de Resende Costa.

      Contribuição: Elaine Martins.
      Foto 1: Divulgação.
      Imagem 2: Ilustrativa.
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Uma cidade de tecelões


Coisa que não falta a Resende Costa, a 36 quilômetros de São João del-Rei, é artesanato feito com linhas e retalhos. Por lá, costuma-se dizer que toda casa tem um tear e um tecelão que aprendeu com a mãe, com a tia ou com a avó a arte de fazer colchas, capas de almofada, jogos de sofá, mantas, tapetes e toalhas de mesa. Boa parte dessas pessoas trabalha na informalidade, por isso não existem números oficiais sobre a ocupação artesanal. Mas o presidente da Associação Comercial e Turística de Resende Costa (Asseturc), o lojista Cícero Resende Chaves, calcula que os trabalhos manuais da cidade, distribuídos nas 65 lojas filiadas, respondem por 40% da movimentação econômica local.
Com 71 anos e longe de querer se aposentar, Maria do Perpétuo Pinto, a Da. Lilita (foto) é uma das tecelãs mais antigas de Resende Costa. Foi olhando a avó e depois a tia, que aprendeu o ofício que criou seus oito filhos. Apesar de ter diminuído o ritmo após o casamento dos “meninos”, dos quatro teares em casa, apenas três estão em funcionamento, produz ainda por mês 30 colchas de casal, 30 joguinhos de tapete, 30 centros de sala mais os jogos de sofá que faz por encomenda. Com preços entre R$8 e R$80, turistas pagam R$1 a mais por peça, Da. Lilita vende principalmente para lojistas da cidade. “Eu nunca pensei em ter uma loja. Não me importa o lucro, eu gosto de trabalhar para me divertir. Não ia gostar de ficar sentada numa loja atendendo”. Mesmo assim, a tecelã tem uma reclamação: “Ganho pouco por peça e não tenho feriado. Mas dá para viver com o tear. Um pouquinho que mexe já serve”, diz.
Lucimara (esq.) e Gracinha (dir.) não abrem mão do teste de qualidade
Não por acaso durante a entrevista Gracinha foi interrompida por uma compradora de São Paulo. Lucimara Rezende Gouveia vem para Minas de 20 em 20 dias há três anos. Suas peças preferidas são os tapetes, que vende na capital paulistana com faturamento 130% maior do que compra em Resende Costa. Por isso, pretende deixar de lado a profissão de cabeleireira e dedicar-se apenas à comercialização do artesanato. “Todas as classes sociais compram. E eu não posso ficar parada em casa, já que o lucro vem do contato com o público”, acentua.

    Quem também construiu uma vida com os teares é Terezinha das Graças, a Gracinha. Com 53 anos, ela conta que aprendeu a tecer aos nove. “Na minha família a tradição vem desde minha tataravó”. Por motivos de saúde, Gracinha já não faz mais as famosas colchas de Resende Costa, mas administra a produção que emprega os três filhos e outros 10 funcionários. Na linha de produção da família existem 12 itens diferentes e que chegam a render para ex-tecelã três salários mínimos por mês. Mas como Da. Lilita, Gracinha reclama que é preciso trabalhar muito, já que as peças tem um baixo valor no mercado. “Existe muita concorrência. As pessoas trabalham por produção, o que diminui a qualidade”, afirma. Boa parte dos produtos de Gracinha é para exportação. É possível encontrar suas peças no Amapá, Amazonas, Macapá, Rio de Janeiro, São Paulo e toda Minas Gerais.

Romário utiliza o artesanato como um “bico” até se formar
    Outro resende-costense que vive do artesanato é o estudante de Administração da UFSJ, Romário Eduardo Resende. Sem um emprego fixo e com a necessidade de manter os estudos, descobriu nas linhas e teares uma importante fonte de renda. Ele chega a faturar por mês R$650, mas considera pouco. “A vantagem é que tenho um horário flexível que posso conciliar com a faculdade, além de não ter que prestar contas para um patrão”, enfatiza. Resende só vende para lojistas, mas garante que “a valorização fica muito aquém do que deveria”, por isso espera mudar de ramo quando se formar. Como quase todo mundo na sua cidade, o futuro administrador de 21 anos aprendeu a tecer com uma tia aos 14, e sua mãe também trabalha com os teares para ajudar na renda de casa.
Lucinaldo prefere a estabilidade do emprego fixo
            Mas na cidade, há quem prefira trabalhar como funcionário das lojas. Um exemplo disso é Geraldo Lucinaldo Pinto. Depois de aprender com a esposa a arte de tecer, procurou um emprego com carteira assinada. O tecelão recebe pelo que produz, e acha que é suficiente. “Dá para sobreviver tranquilo com o tear. A pessoa consegue tirar em média um salário e meio por mês”, contabiliza.
 Identidade
            Com o aumento da procura das peças artesanais, tecelões reclamam que tiveram que acelerar a produção e diminuir a qualidade. Eles apontam também a falta de investimento público na visibilidade do setor, o que poderia beneficiar mais o turismo em Resende Costa. Além disso, alguns afirmam que as lojas estão importando produtos de cidades vizinhas, o que produz uma concorrência desleal e uma perda de identidade.
            Mas não é assim que pensa o presidente da Asseturc, Cícero Resende Chaves. Para ele, é positiva uma rede de relacionamento com as cidades vizinhas. Além disso, Chaves defende que muita coisa que vem de fora é beneficiada na cidade. “O pano de chita, por exemplo, não é produção nossa, mas é transformado em Resende Costa e é vendido aqui. Há empresas que importam, mas só vendem com a etiqueta de origem, o que preserva a identidade dos produtos locais”. Ele afirma ainda que a venda do artesanato resende-costense para fora é maior do que a compra de produtos externos.
Chaves descarta a perda de identidade
            Quanto à visibilidade, Chaves argumenta que o caminho é conseguir um espaço permanente em jornais. “Tem que ser matéria jornalística, pois a publicidade tem um custo/benefício que não vale à pena. É dar tiro de canhão para acertar formiga, já que não atinge muitas pessoas”, afirma.
            No entanto, o presidente da Asseturc reconhece que a cidade deve investir mais na infraestrutura para o turista. “Hoje, é preciso melhorar o receptivo e qualificar o pessoal da linha de frente, os atendentes das pessoas que visitam Resende Costa”. Chaves lembra ainda que é preciso criar um conceito regional de turismo. “É importante formular um pacote turístico para a região. Não queremos o turista aqui por quatro dias. Hoje isso é inconcebível”. Ele completa que devem ser criados atrativos para que as pessoas que visitam a região incluam em sua viagem cidades como Resende Costa.
História e turismo
            A origem do artesanato em Resende Costa vem do Brasil Colônia. Por decreto real, as tecelagens foram proibidas no país, mas o presidente da Asseturc explica que faltava fiscalização no interior de Minas, o que permitiu que a atividade vingasse. “Essa tradição se preservou aqui, principalmente no povoado dos Pintos (a 12 quilômetros da cidade). Já no início dos anos 80, com a consolidação do turismo em São João del-Rei e Tiradentes e o êxodo rural dos tecelões, Resende Costa passou a despertar o interesse dos visitantes pelo artesanato que produzia”, lembra Chaves.

      Das cinco lojas no início da década de 1990, Resende Costa tem hoje 65 estabelecimentos que, na sua maioria, estão na Avenida Alfredo Penido (entrada para quem chega à cidade por São João del-Rei). Segundo Chaves, a concentração na ‘rua do artesanato’ não foi planejada. O público predominante nessas lojas são atacadistas e turistas.
            Nos pontos comerciais é possível encontrar mercadorias que variam de R$2 a R$1,5 mil. Mas os visitantes parecem não se importar com o preço. Rose Mary Januzi veio de BH e diz que “lá não encontra artesanato como esse, se achar é porque saiu daqui”. Na dúvida em qual peça comprar, ela afirma que “nem olhou o preço, mas a qualidade”.
         Já a são-joanense Laila Feres Mores, trouxe a nora carioca, Liane Estrela, para fazer umas compras para a casa. As duas comentam que “o preço já esteve mais em conta, mesmo assim fazemos umas comprinhas e sempre temos que levar presentes para os amigos que não podem vir até aqui”, dizem.

        Reportagem: Douglas Caputo
        Fotos: Douglas Caputo

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Dia C agita Resende Costa com ações voluntárias


O salto para o futuro começa com Responsabilidade Social. Este foi o tema que marcou o Dia de Cooperar promovido pelo Sicoob Credivertentes em Resende Costa, em setembro. Voluntários prestaram vários serviços à comunidade.


         Sim. Responsabilidade social e voluntarismo são o objetivo do Dia de Cooperar (Dia C) realizado pelo SICOOB Credivertentes em Resende Costa, a 36 quilômetros de São João del-Rei, em setembro. Apresentações artísticas, atendimentos de saúde, brincadeiras para criançada, cortes de cabelo, consultoria ambiental, financeira e jurídica e emissão de carteiras de identidade e trabalho foram as principais atividades.
           O representante comercial Caio César Barbosa estava acompanhado dos dois filhos que iam fazer a identidade. No estande de serviço social, os pequenos Felipe Augusto, de quatro anos, e Hugo Henrique, de seis, esperavam ansiosos pelo novo documento.
            “Acho que minha foto ficou bonita”, comenta Hugo. Para o pai dos garotos, um alívio. “Se não fosse essa oportunidade, ia ter que ir até São João del-Rei para tirar os documentos. E os meninos iam perder um dia de aula”.
            Quem também atualizou a documentação foi a estudante Daiane Silva, de 17. Queria uma carteira de trabalho para um emprego formal. Saiu com o documento na hora. “No final do ano me formo e pretendo procurar um serviço regularizado”, conta.  
            As irmãs Daura Maria Pinto e Ana Aparecida Pinto, aproveitaram para checar glicose e pressão. Com um puxão de orelha da enfermeira, Ana conta que “minha pressão deu alta. Mas é porque trabalhei muito”, justifica.
            Já Roselane Reis decidiu mudar o visual. No estande de cortes de cabelo, pediu à cabeleireira para “repicar”. Além do novo estilo, comemorou “a economia no bolso”.  Ela disse que aproveitou ainda o Dia C para realizar outras atividades, como retirar a carteira de identidade da filha.
        O SICOOB Credivertentes é uma cooperativa de crédito formada por produtores rurais de 15 cidades da região (Barbacena, Conceição da Barra de Minas, Coronel Xavier Chaves, Dores de Campos, Ibertioga, Itutinga, Madre de Deus de Minas, Mercês de Água Limpa, Morro do Ferro, Nazareno, Prados, Resende Costa, Ritápolis, São João del-Rei e São Tiago).
Voluntários
            O itinerário da cabeleireira Bianca de Sousa Resende foi diferente do normal. A estrutura do salão também. Com tesouras e pentes amarrados ao cinto, dedicou o dia ao voluntarismo. “A maior recompensa é ver as ‘carinhas’ felizes das pessoas após o corte”, comenta.
            Outro estande muito concorrido foi o de serviço social. Chefe do Ministério do Trabalho, Maria das Graças Fonseca Zerlotini acentua que na praça pública é mais fácil atingir a população. “Em São João del-Rei, faço uma média de 80 carteiras de trabalho por semana. Aqui, até o final da manhã já fiz 25”, contabiliza.
            A preocupação com a saúde também foi um ponto alto no evento. A enfermeira Ana Carolina Barbosa brinca que passou pelo estande da saúde “um povo meio nervoso”. Isso porque houve muitos relatos de pressão alta. “Teve gente com 18 por 10, quando o normal é 12 por 8”, adverte.
            Já a agente de saúde Geisla Michele Vieira traduz a importância do Dia C como forma de alerta para prevenir a população de doenças futuras. “Não devemos apenas tratar, mas é preciso realizar a prevenção. E é isso que estamos fazendo hoje”.
“Culminância”
            O presidente do SICOOB Credivertentes, João Pinto de Oliveira, afirmou que o evento reforça a prática de responsabilidade social pregada pelo cooperativismo. “Já realizamos um trabalho social, de interação com a região. Hoje é a culminância. O encontro face a face, em praça pública, reforça os laços entre a instituição, a população e outras empresas”, afirma.
           Gerente da agência resende-costense, Alessandro Caldeira dos Santos reitera. “É um evento voltado para a área social. Além disso, o Dia C mostra que nosso compromisso com a comunidade não é apenas financeiro, mas valoriza a responsabilidade social”. 
            Este é o segundo ano que o SICOOB Credivertentes realiza o Dia C. De acordo com dados da Organização das Cooperativas de Minas Gerais, idealizadora do evento, em 2010 foram 180 cooperativas envolvidas em 100 municípios mineiros, com 15 mil voluntários e 100 mil pessoas beneficiadas. O Dia C promovido pela Credivertentes no ano passado ocorreu em São Tiago, sede da instituição.

          Texto e Fotos: Douglas Caputo      


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Zuenir Ventura no 8º Felit


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