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Último dia do FELIT é marcado por música e convidado internacional


A oitava edição do Festival de Literatura de São João del-Rei e Tiradentes chegou ao seu encerramento na noite de sábado (6) com uma conversa com o escritor angolano José Eduardo Agualusa. Antes, o Show de Gabriel Guedes levou música ao público da feira. “A gente riu, se emocionou e conseguiu trazer a literatura para dentro das nossa vidas”, comemorou o curador do evento José Eduardo Gonçalves.

Agualusa, que é conhecido internacionalmente como um representante da língua portuguesa, falou sobra o tema ‘A minha pátria é minha língua’. Autor de livros como ‘Nação Crioula’ e ‘Teoria Geral do Esquecimento’, o escritor reconheceu que, nas muitas viagens que realizou, estar em uma país de língua portuguesa sempre o fez se sentir em casa. Sobre a feira, ele afirmou: “Eu gosto muito desses encontros. Por um lado incentiva e multiplica leitores, por outro, para o escritor, é sempre uma alegria encontrar e conversar com eles.”

A conversa foi mediada pela jornalista Leila Ferreira que não escondeu a admiração que sente pelo autor angolano. “O Agualusa é um escritor fantástico. É impressionante porque é uma pessoa escrevendo com uma alma que é ao mesmo tempo de Angola, do Brasil e de Portugal. Eu acho que quem ainda não o leu, tem que ler”, ressaltou.

Lúcio Ferreira, um dos organizadores do evento, reafirma o contentamento com o desenvolvimento do encontro. “Chegamos ao fim do evento com a impressão de que a feira cresceu tanto em público como em atividades literária”, finalizou.

Música

O último dia do evento em São João del-Rei contou com a presença do cantor e compositor mineiro Gabriel Guedes. Em sua terceira visita à cidade, Gabriel advertiu sobre a alegria de participar dessa edição: “Eu acredito que é muito importante a realização desses eventos, porque atualmente parece que a cultura está muito sucateada”. Na apresentação, o músico executou composições próprias e também canções do seu pai, Beto Guedes, e do seu avô, Godofredo Guedes.

Texto: Camilla Silva
Foto: Artur Caldas

Cristovão Tezza fala sobre os caminhos do romance no país


A programação do Felit recebeu nesta sexta (5), dois eventos no Teatro Municipal de São João del Rei: o lançamento de livros de autores são joanenses, e a arena literária com o escritor Cristovão Tezza. O lançamento teve início às 19 horas, apresentando livros de cinco autores da cidade. Entre eles, José Maurício de Carvalho, professor de filosofia da UFSJ. “A subjetividade e corporeidade na filosofia e na psicologia”, levanta  questões da consciência humana. O professor ressaltou a importância de se promover esses espaços, nos quais o autor tem oportunidade de interagir com o público. Francisco Corrêa, um dos organizadores, reforça esta ideia. “O objetivo do Felit é abrir espaço para os escritores de São João del Rei”, afirma.

Logo em seguida, às 20:30 horas, o escritor Cristovão Tezza reuniu-se com o público para uma conversa com o tema: “Para onde vai o Romance?”. O autor, que possui vários romances agraciados com premiações importantes, discutiu os caminhos deste gênero literário na atualidade, em um agradável diálogo com a plateia e o curador do evento, José Eduardo Gonçalvez. A discussão passou por todas as fases do romance em nosso país, traçando um panorama sobre a evolução do mesmo. Tezza ressaltou a importância dessa literatura como parte da cultura brasileira. “Digamos que é um gênero literário muito próximo da vida cotidiana das pessoas de um lado, e de outro, é um tipo de linguagem que conversa muito com o seu país, com a sua cultura [...] imagine o Brasil sem você ter a referência de Machado de Assis, ou Lima Barreto, por exemplo, seria um país imensamente mais pobre.”

José Eduardo Gonçalvez acredita que o escritor fez uma declaração de amor à literatura em sua fala durante o evento, afirmando o romance como forma cultural ainda muito importante no século XXI, já tomado por tantas outras opções culturais. “Então eu acho que nós saímos todos com muita esperança de que o livro, a literatura, especialmente o romance, tenha esse papel importante a cumprir.” Denny Almeida, professor de literatura, já havia tido contato com a obra do autor  e acredita que ela é importantíssima para constituição da literatura no país. “Acredito que o Tezza é um importantíssimo escritor na contemporaneidade, porque ele representa um pensamento teórico e crítico sobre a literatura, muitíssimo importante para formação dos leitores do Brasil.” Além da fala do escritor, o público pode interagir com perguntas e ter seus livros autografados após o evento.

Literatura e Educação

No campus Dom Bosco, alunos dos cursos de pedagogia do Instituto Presidente Tancredo Almeida Neves (IPTAN) e Universidade Federal de São João del-Rei conversaram com os professores Sonia Haddad, José Antônio Resende, Luciana Monteiro e Roginei Paiva. Os educadores falaram sobre a relação da literatura e a educação. Segundo Haddad, a relação da literatura como disciplina vai muito além do que ser uma matéria curricular, a literatura em geral proporciona ao educador um universo de possibilidades pedagógicas para a prática educativa do aluno.

Texto: Sarah Rodrigues e Willian Carvalho
Foto: Jederson Lucas

FELIT promove lançamento do Livro “Na Beira de Linha” e encontro com autores de Literatura Fantástica


O homenageado do VIII FELIT, Carlos Heitor Cony, esteve presente nesta quinta feira (4), no Teatro Municipal para o lançamento do livro “Na Beira de Linha”, escrito pelos alunos da oficina de jovens escritores. Cony, e autores da obra participaram de uma conversa em que puderam trocar experiências.

O professor do curso de Letras da UFSJ e um dos responsáveis pela oficina, José Antônio Resende, explicou como foi o processo de construção do livro: “Partimos do romance ‘Quase Memória’, do Cony, e dali tiramos inspiração para nosso livro. O ‘Na Beira da Linha’, conta a história de um bilheteiro que trabalhou na rede ferroviária de São João del-Rei por 30 anos, desde a década de 50 até 1980. No seu último dia de trabalho, ele faz uma retrospectiva de tudo que viveu ali. Andando de vagão em vagão, ele relembra histórias, pessoas, que de alguma forma, foram importantes." 

Sobre o FELIT, José Antônio salienta: “O Festival homenageia um autor significativo para o país. Além disso, o FELIT tem como compromisso formar leitores e jovens escritores.”

Os jovens autores Isabela Domingues (15) e Pedro Augusto Silva (15), disseram estar muito felizes com  o resultado final do livro. “Durante os quatro meses de Oficina, não trabalhamos só com a escrita, mas principalmente com a imaginação. Estamos muito felizes com o livro que escrevemos. Temos apenas 15 anos e conseguimos escrever um livro. O que nos vem à mente neste momento é ‘somos capazes’”.

Isabela e Pedro ainda mostraram interesse em escrever outros livros: “Deu vontade de escrever um livro sozinho. Nós já sabemos como se faz, isso nos ajudará muito. Agora, quando pegarmos um livro para ler, entenderemos o que está por trás daquela história, todo trabalho  e dedicação daquele autor.”

Literatura Fantástica

 O romancista, editor e roteirista Rhafael Draccon e a jornalista e escritora Carolina Munhoz foram os convidados do terceiro dia do FELIT. O evento aconteceu no Teatro Municipal e assunto da noite foi Literatura Fantástica.  Nuno Manna, mediador da conversa, salienta: “O gênero está cada vez mais em voga, destaque, em um cenário efervescente, principalmente nos últimos 20 anos”.

 Sobre os leitores brasileiros, Rhafael Draccon,  avaliou o número de leitores no Brasil. “Para o tamanho do nosso país, a porcentagem de leitores é pequena. Só que nosso país é tão grande que o número acaba sendo equivalente a outros países.” Afirmou o escritor.
Carol Munhoz, que já tem 9 anos de carreira, trabalha no seu novo projeto em parceria com a atriz Sophia Abrãao, obra intitulada: “Reino das vozes que não se calam”, em um contexto que mistura realidade com a fantasia.

 Draccon, compara a fantasia á uma metáfora espiritual. Na opinião do jovem autor, “escrever é uma profissão que requer estudo, um trabalho contínuo”. Ambos escritores prezam pela interação e contato com o leitores.

Carolina afirmou que a literatura fantástica tem o poder de trazer jovens para o hábito de ler. “O primeiro livro que li foi Harry Potter e foi a fantasia que me fez entender melhor a realidade que eu vivia”

Luciana Lopes Nascimento, 10 anos, presente na palestra e que tinha em mãos o livro Fada, de Carolina Munhoz, afirmou: “Me identifico, me sinto como uma das personagens do livro”. Ela começou a ter contato com esse gênero literário desde os 6 anos de idade.

 A plateia participou através de perguntas, que foram atendidas pelos escritores. O encerramento se deu com a sessão de autógrafos.

Veja como foi:





Texto: VAN/ Barbara Barreto, Camilla Silva e Thaís Andressa
Foto: Suellen Jacques

Segundo dia de apresentações do FELIT tem presença de Carlos Heitor Cony




“O escrito tem que dar continuidade ao homem. Nós somos o que muitos homens escreveram”. Carlos Heitor Cony não tem dúvidas: a literatura constrói a humanidade. O escritor, jornalista e membro da Academia Brasileira de Letras conversou com o público na noite desta terça-feira. O grande homenageado da 8ª Feira Literária de São João del-Rei e Tiradentes realizou a palestra ‘A palavra como resistência’ no Teatro Municipal.

Com uma carreira de mais de 60 anos, o autor carioca se destaca pelo uso das palavras na defesa do livre exercício de pensamento, tanto que durante a Ditadura Militar de 64 chegou a ser preso seis vezes por autoridades militares. Perguntado se escrever era um ato de coragem, afirmou que muitas vezes escreveu porque precisava ser honesto consigo mesmo, mais que com qualquer pessoa. “Quando me perguntam, costumo dizer que me senti mais livre na prisão”.

Para o curador da feira e mediador da conversa, José Eduardo Gonçalves, a obra de Cony é de uma relevância internacional. “E Tem um ponto que precisa ser destacado. O Cony continua um profissional ativo. A gente está conversando com uma pessoa que fez e continua fazendo história”, afirmou.
Cony ressaltou a alegria de visitar pela primeira vez a cidade. “Fico feliz de vir aqui, terra de dois dos meus grandes amigos Otto Lara Resende e Tancredo Neves”, enfatizou.

Ozana Sacramento, professora do Instituto Federal de São João del-Rei diz ter gostado muito do evento. “Saio da palestra impressionada com a vitalidade de Cony. Acredito que o festival só tem a crescer e acrescentar para São João del-Rei. “

Academia

O autor visitou, na tarde de quarta-feira (3), a Biblioteca Municipal Baptista Caetano D’Almeida, onde participou de uma conversa com os membros da Academia de Letras de São João del-Rei. Cony afirmou que luta para que um dia a Academia Brasileira de Letras, as academias estaduais e municipais formem uma grande instituição.

Veja como foi:


Texto: Barbara Barreto e Camilla Silva
Foto: Willian Carvalho


Conversa com Zuenir abre primeiro dia do Felit


Nesta terça-feira (2), no Teatro do campus Dom Bosco, foi iniciada o primeiro dia de programação do Festival de Literatura de São João del-Rei e Tiradentes (FELIT). O escritor e jornalista Zuenir Ventura participou de uma arena literária com alunos da UFSJ, das áreas de letras e jornalismo que dialogaram com o grande convidado da noite. 

Alunos dos dois cursos compuseram a arena, junto ao escritor estiveram também a professora de Literatura da UFSJ, Maria Ângela e o curador do evento José Eduardo Gonçalves, além de um grande número de pessoas que lotaram a platéia. Os entrevistadores fizeram perguntas ao cronista, que foram respondidas com a grande experiência de anos de trabalho do entrevistado. 

Zuenir durante a arena discutiu pontos importantes da sua vida e de seu trabalho com a relação entre sua formação literária e jornalística. Para o escritor as feiras literárias são muito importantes e acredita que mesmo com a concorrência com as novas tecnológicas, as pessoas estão lendo mais livros. “ Essas feiras são importantes para aproximar o leitor do escritor, é uma oportunidade do escritor conhecer o seu leitor, ou o seu possível leitor.”, comenta Ventura.

Segundo Maria Ângela, a união entre Letras e Jornalismo permite que as pessoas pensem em campos que se completam. “A universidade tem esse papel de difundir a cultura, a arte”, e completa, ressaltando a importância que este encontro teve para os alunos. “Estar diante de um homem, um jornalista, cronista, escritor, que viveu momentos fortes da história do Brasil e que ajudou a construir essa história, eu acho que é importantíssimo”.

Joice Gonçalves, aluna de Ciência Biológicas da UFSJ elogia a palestra, avalia que foi muito recompensadora. A aluna saiu alegre, pois conseguiu autógrafo nos seus livros  do autor.

Em todo o momento da palestra houve muita descontração.  Foi aberto um momento para que o público pudesse fazer perguntas e assim aproveitar desse momento único.

Veja como foi:


Texto: Jederson Rosa, Sarah Rodrigues e Willian Carvalho
Imagem: José Eugênio e Artur Caldas



Zuenir Ventura no 8º Felit


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