PLANO DIRETOR É DISCUTIDO EM CARRANCAS

A cidade recebe visita técnica da Fundação João Pinheiro durante esta semana. Saiba mais!

ONG ATUAÇÃO AJUDA A ELIMINAR RESÍDUOS DA NATUREZA

Dentre os objetos recolhidos na cidade estão materiais escolares e de saúde bucal. Veja!

ENSAIO FOTOGRÁFICO: CAVALGADA DA INCONFIDÊNCIA

Os cavaleiros percorreram a Estrada Real, no trecho entre Tiradentes e São João del-Rei. Confira!

ÍDOLOS DO FUTEBOL FRANCÊS COMANDAM PROJETO NO SOCIAL

A iniciativa visa atender crianças e adolescentes de 5 a 17 anos de idade. Veja!

CICLOVIA PARA O CTAN COLOCA ESTUDANTES EM RISCO

Entre os problemas estão o estado de sujeira e o acúmulo de barro após período chuvoso. Confira!

Mostrando postagens com marcador Crônica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Crônica. Mostrar todas as postagens

Crônica: Liberdade ou tortura?


Em 31 de  março de 2014 completam-se 50 anos do golpe militar que instaurou a ditadura no Brasil. As pessoas que se lembram desta data, comemoram a extinção do regime militar no país. Entretanto, em 15 de março de 2015, vários manifestantes saíram às ruas para reivindicar a deposição da presidenta Dilma e o retorno da ditadura militar. Contudo, paira a duvida: é realmente isso que eles querem?

Assim como os protestos de 2013 não tiveram um propósito definitivo, essa manifestação também não. Havia placas contra a corrupção, contra o Partido dos Trabalhadores (PT), contra a presidenta, ao lado de cartazes pedindo a volta da intervenção militar no pais. Parece, no entanto, que nenhum dos manifestantes consegue avaliar a real consequência dessa atitude. É a tal da ação e reação. Nunca se sabe o que vem do outro lado...

Considerando que vivemos em um regime democrático, tudo ocorreu bem. Não houve violência, repressão ou tortura. Exatamente o contrário do que aconteceria se voltássemos a um regime ditatorial. E ainda assim querem a ditadura?

A frase popular “só damos valor a algo quando o perdemos” faz sentido nesse contexto. A população tem liberdade para criticar e o direito de se manifestar, mas pede que essa conquista seja esquecida.  Há aqueles que se enganam pensando que haverá exceção para “certas” liberdades. Entretanto, os que o fazem esquecem o conceito de ditadura. Se somos livres o suficiente para pedirmos a deposição de um governante, devemos valorizar essa conquista do povo. Podemos ir a assembleias no Senado, votar em nossos governantes, reivindicar leis, direitos e até deveres, ter acesso ao conhecimento oferecido nas escolas e universidades, além de usufruir das redes sociais e  até de um diluvio informacional cotidiano. Porém, todas essas e outras garantias parecem ser esquecidas por quem evoca o retorno a um regime de exceção.

Pare e pense, manifestante pró-ditadura. Você quer ser torturado por um suposto crime de traição à Pátria, por querer tornar o mundo melhor? Liberdade ou tortura? A escolha é sua.

Texto: Rafaela Domingueti / VAN
Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil

Crônica: Futebol para quê?


O futebol tem uma dimensão que eu ainda não compreendi direito. Muito dinheiro, muita preocupação, muitas transações vergonhosas por baixo dos panos. Tudo isso já seria suficiente para eu criar uma implicância gigantesca com o esporte que, neste país, parece ser o centro do mundo. Algo que eu sinto em relação à política também, mas ela é necessária. O futebol, acredito que não.

Mas sempre tem um ponto de contradição. Ninguém vive só de coisas sérias. Todo mundo escolhe seu lugar de descanso, de alívio! Entretanto, o futebol coleciona umas histórias que justificam toda a parafernália criada em volta dele: servir de contexto para contos inacreditáveis, como esse que ouvi de um amigo.

“Meu pai torcia pelo América e, como o time já não sabia o que era primeira divisão há muito tempo, as conversas de futebol, para ele, eram como passar horas falando sobre a beleza de um lugar que ele mesmo nunca tinha visitado.

Apesar disso, como todo mundo, de futebol ele gostava, principalmente quando era dia de jogo do Flamengo.

Isso porque a sede da torcida organizada do Flamengo lá do bairro ganhava ingressos do clube e trocava por quilos de alimentos que seriam repassados para instituições de caridade. As filas eram gigantescas, mas papai sempre conseguia pegar um ingresso.

Quando acabava tudo e a torcida já ia desfazendo a fila, papai corria e encontrava o último e oferecia o ingresso que tinha conseguido por dois quilos de alimentos. Dois quilos e não aceitava mais que isso;  achava desonesto.

Depois me lembro de ele voltar para  casa todo feliz, dizendo:

-        'Hoje tive 100% de lucro'.                                                                     

Mas até hoje acredito que o homem do fim da fila saía muito mais contente”.

Texto: Camilla Silva
Foto: Liga Municipal de Desportos

Crônica: Os desafios de ser mulher


Todos os dias do ano deveriam ser dedicados às mulheres. Mas como vivemos em uma sociedade padronizada, decididiu-se que o 08 de março seria a data em que o mundo inteiro iria parar para refletir melhor sobre esse gênero tido como “sexo frágil”. Só que esse dia não foi escolhido por acaso...

Era 1857 quando operárias de uma fábrica de tecidos de Nova Iorque entraram em greve. Entre as reivindicações estavam melhores condições de trabalho e equiparação de salários com os homens, pois as mulheres chegavam a receber um terço do salário de um homem para realizar o mesmo tipo de serviço. A repressão veio de forma violenta. As manifestantes foram trancadas dentro da fábrica que foi incendiada. Pelo menos 130 tecelãs morreram carbonizadas num ato de total desrespeito e falta de humanidade.

Entretanto, só em 1910, na Dinamarca,  a bravura dessas mulheres foi reconhecida e a data passou a ser celebrada no mundo todo. Apesar disso, com o passar dos anos a verdadeira história por trás do 08 de março foi sendo esquecida e outros nomes e rostos foram ganhando formas. 

Era o século XX, uma época especial na vida das mulheres. No decorrer das décadas elas puderam se libertar de amarras históricas que as prendiam aos homens. O divórcio passou a se popularizar, o mercado de trabalho abriu cada vez mais as portas para o mundo feminino (apesar de os salários ainda serem baixos), a chegada dos anticoncepcionais trouxe o planejamento para a vida da mulher fértil, bem como o direito ao voto e o descobrimento do corpo que foi uma verdadeira revolução.

Apesar das conquistas serem evidentes, os muitos anos de submissão deixaram marcas profundas ainda hoje sentidas. Os índices de mulheres que sofrem agressões físicas e psicológicas dos parceiros são significativos. Muitas não tem nem coragem de denunciar seus maridos. Embora cada vez mais mulheres ocupem cargos elevados, como a presidência da republica, elas ainda continuam muitas vezes ganhando salários menores. O abuso sexual, o machismo, a falta de oportunidades, a quebra de paradigmas constituem desafios que ainda tem de ser enfrentados por todas as mulheres.

Exemplos não faltam em que se espelhar. A história nos presenteou com mulheres fortes e engajadas que  - sempre a frente do seu tempo - lutaram por seus ideais e foram, muitas vezes, julgadas por eles: Joana d’Arc, Chiquinha Gonzaga, Brigitte Bardot, Maria Bonita, Maysa Matarazzo e tantas outras que deixaram sua marca para mostrar que de frágil esse sexo não tem nada. As mulheres são fortes e quando demonstram toda sua força, vitalidade e garra provam para todos que um mundo ideal é igualitário. E que nas curvas do seu corpo mora uma força capaz de não só balançar o coração de um homem, como também de mudar o destino de uma sociedade.

Texto: Thobias Vieira
Foto: Morguefile

Crônica: O Planeta Água está em crise


“Água que nasce na fonte serena do mundo e que abre um profundo grotão. Água que faz inocente riacho e deságua na corrente do ribeirão” . Quem nunca ouviu essa música e na sua imaginação viu um planeta azul? Assim muitas crianças da minha época aprenderam também como nasciam os rios que nos cercavam: de uma pequena fenda na terra, brota a água que corre solta e livre, levando a vida para as pessoas.

Esse trecho é da canção “Planeta Água” de Guilherme Arantes. Canção que escutei muitas vezes nas rádios locais, onde também cantei, junto aos meus colegas de sala, em uma apresentação escolar para discutir sobre a falta de água no planeta. Centenas de pessoas assistiam a exibição e, nós crianças, não tínhamos a dimensão de que estávamos fazendo um apelo importante para que as pessoas economizassem água. Naquela época achávamos utópico  pensar em falta de água, pois estávamos cercados de rios e árvores.

O tempo foi passando e o mundo foi sendo destruído pela ação do homem. Nas aulas de Geografia, os professores nos indicavam  problemas tais como o aquecimento global, o desmatamento, a poluição,  o efeito estufa; com isso, tentaram passar para nós, alunos de uma escola pública de interior, a questão da consciência ambiental e do respeito aos recursos do planeta.

E o tempo ia passando e o mundo se acabando. Aprendíamos que se os governantes de todo mundo não realizassem mudanças no processo de produção industrial, diminuindo a emissão dos gazes poluentes, acabando com o desmatamento desordenado, recuperando as florestas - que o próprio homem tinha destruído para trazer o desenvolvimento – poderiam provocar a extinção dos recursos naturais em crise.

E hoje estamos falando de falta de água, racionamento, seca. Agora estamos mudando os nossos hábitos que deviam ter sido mudados, no mínimo, há quinze anos atrás, quando um grupo de crianças celebravam o Planeta Água. Por isso,  a  expressão  de Thomas Hobbes, na sua obra “O Leviatã” (1651) - “O homem é o lobo do homem” – é, mais uma vez, ressignificada!

Por ser diferente de toda a criação, dotado de consciência, o homem usou  a água para a sua extinção e hoje caminhamos, a passos largos, para um novo processo na história da existência humana no planeta. O que levou milhares de anos para se desenvolver, há pouco mais de mil anos caminha para  seu próprio fim. Assim a natureza hoje cobra, em pesadas prestações, o que ela deu ao homem que, em sua arrogância, agiu como senhor dos senhores diante do que lhe foi dado em gratuidade e fez o que bem entendeu.

A verdade está aí, sendo vivida ao vivo e a cores, por todas as pessoas que acharam que teriam água para  a vida toda. O ciclo de destruição continua na ativa e agora que nós começamos a perceber o que fizemos,  estamos tentando mudar nossos hábitos. Tomara que não seja tarde demais, pois a dívida com a natureza está alta e nem sabemos se teremos condições de pagar.

Vamos continuar mudando os nossos hábitos, talvez de uma forma radical, para que possamos viver na esperança daquilo que ouvimos nas primeiras aulas de química: “na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma!”

Texto: Willian Carvalho
Imagem: Hotblack/ Morquefile

#EVU - Sobre heróis, Oscar e jornalistas

por Mariane Fonseca*

Digito este texto enquanto o burburinho de mais uma cerimônia do Oscar começa a ficar mais alto – e o meu sono pré-segunda-feira avisa que só vou saber os resultados da premiação pela internet na manhã seguinte mesmo.

Em meio a isso, um lampejozinho: não há profissão mais caricata – no cinema – que a de jornalista. Sério. Primeiro porque existe um maniqueísmo gritante: nas telas ou somos profissionais invasivos, inescrupulosos, tudo-por-um-furo vestindo terninhos e saias-lápis; ou heróis que vão desde o fuxiqueiro metido a detetive da Polícia Civil – em território tupiniquim, digamos – ao misterioso (com carinha de geek) Clark Kent.

A Dona Aranha escreveu uma manchete... veio a editora e a derrubou 

Ok, sejamos justos. Na vida real, mesmo descabelados, com olheiras, unhas quebradas, camisetas surradas e internet lenta temos lá o nosso charme quase hollywoodiano. E talvez sejamos, sem o humor, as tiradas ácidas e a paixão por Mary Jane, um pouco Peter Parker. Sim... o profissional que aceita “freelas”, por vezes lida com editores aos berros e – jamais perderia a chance de dizer isso – vive pendurado nas teias das linhas editoriais.



E isso não poderia ficar de fora na Oficina de Produção Jornalística. Ao longo dos encontros que terminaram nos textos para o especial Vida Universitária, muitas foram as brechas e vários foram os desvios até mesmo da pauta prometida para estudo enquanto nos debruçávamos sobre materiais recortados de diferentes veículos sobre variados assuntos e sob uma chuva absoluta de reações – principalmente nas redes sociais.

O que queríamos? Copiar formas e estilos? Não. Perceber, nas entrelinhas, posicionamentos argumentativos, sociais e culturais que se transformavam, em última instância, em jornalísticos. Aliás... esse processo se faz lá atrás, antes mesmo da elaboração da pauta.

Os posicionamentos são inerentes, se confundem com o veículo, estão emaranhados na história dele, no porquê de sua existência e do público que quer angariar. Isso quer dizer, portanto, que nós jornalistas somos obrigados a (re)aprender a escrever cada vez que somos contratados para um serviço e aceitamos as implicações dele.

Algo ruim? Não. Definitivamente não. Isso só mostra o quanto essa atividade se reconstrói, se multiplica e ganha diferentes roupagens. Quem diria, 15 anos atrás, que os blogs ganhariam a proporção que têm hoje?

Jornalismo: ser E não ser

Antes plataformas online para postagens pessoais, os “diários online” se transformaram, em pouco tempo, em estruturas democráticas para produção de conteúdo que saiu das margens e em muitos casos já se posiciona como fonte oficial de informação. Eles são capazes, inclusive, de gerar capital.


Por que estou batendo nessa tecla? Pelo simples fato de que é preciso sim absorver os modelos produtivos e estilísticos tradicionais. Sim, caro jornalista (nada “futuro”. Você já é um): leads sempre serão leads e extremamente necessários para a mensagem que chegará ao seu leitos. Pirâmides são tão essenciais quanto os ossos que sustentam seu cotovelo próximo ao teclado do computador agora. E acima de tudo: responder às perguntas do leitor – num clássico exercício de incorporação espírita-social-jornalística – é primordial.

Mas esses moldes são móveis e se adaptam a outras questões: suportes veiculares, contextos, linhas editoriais (sim, de novo) e mesmo o estilo próprio do redator – que obviamente não fica de fora.

Como mesclar tudo isso respeitando sem desonrar Gutenberg? Bom, aceitando as condições do tempo, da experiência, do dia-a-dia em redações. Ao longo da produção de todo o trabalho do Vida Universitária, de notebooks quebrados, Black Fridays desrespeitando prazos de entrega, atividades de graduação, desencontros, fontes arredias e pautas transformadas, não foram poucos os debates colocando sob holofotes todas essas questões.

“Por que não devo escrever dessa forma?”.

“Por que essa informação é importante?”.

“E se minha fonte gritar comigo?”

“Por que preciso colocar essa informação como discurso direto?”

“Onde está meu advogado?”.

Exageros à parte, a grande lição é essa: há roteiros a serem seguidos. Mas também há limites a serem quebrados, padrões a serem combatidos e muitas palavras a serem cortadas. Não é o fim. Lá na frente, em algum momento, o seu erro hoje pode ser o acerto na visão do seu editor. E vice-versa. A crítica ácida permitida no Vida Universitária pode ser cortada em outro lugar.  


Nessa hora, meu amigo, respire fundo e siga a vida. Você precisa protagonizar esse enredo com maestria sem tapete vermelho, Oscar ou burburinho. Ainda assim será belo. Já é. 



* Mariane Fonseca é Comunicadora Social graduada pela PUC Minas em Arcos e mestre em Letras - Discurso e Representação Social pela UFSJ. Repórter da Gazeta de São João del Rei, redatora na agência Mapa de Minas e freelancer da Rock Content. Porque sim e porque jornalista abraça o mundo mesmo até parar num consultório homeopata sofrendo com estafa.

** #EVU - O Especial Vida Universitária é resultado de uma oficina de texto dada pela jornalista Mariane Fonseca para integrantes da Vertentes Agência de notícias e saiu às segundas-feiras de 05/01/2015 a 23/02/2015.

Ousadia para 2015


Um cercadinho, um bebê e uma chupeta. O suficiente para despertar uma longa reflexão de fim de ano.

Valentina estava obstinada. Sua maior diversão era jogar a chupeta no chão e ver seus avós e tia se abaixarem para pegar o objeto. Mania de criança! Ri das coisas sem lógica, mas ninguém tem coluna de ferro. A avó, munida de dor na lombar, com autoridade que o parentesco e a idade lhe concedem, colocou um basta naquilo: deixou a chupeta num puff próximo ao cercadinho, de forma que Valentina não conseguisse mais pegá-la.

Como bebês de um ano e pouco ainda não têm noção de distância, Valentina se esticou toda tentando pegar seu bico de volta. Esticava o bracinho até o limite da sua musculatura. Fazia força. Todos ali se olharam e pensaram a mesma coisa: “Criança é engraçada. É claro que ela não vai conseguir a chupeta. É impossível pegar o bico daquela distância”.

Quando ela percebeu que pela força ela não iria conseguir, ela passou para o plano B: a tortura psicológica acompanhada de chantagem emocional e um beicinho que amolece todo mundo.
Não durou dois minutos e ela já estava munida da chupeta.

Mas o que tem de especial em um bebê e sua chupeta? Nada. Mas o que está por trás dessa cena nos diz muito.

A medida em que vamos crescendo, vamos criando noção de espaço, distância e tempo. Nosso cérebro vai sendo condicionado a classificar as situações como boas ou ruins, fáceis ou difíceis, possíveis e impossíveis. Esse processo nos acomoda, nos molda de forma a sermos cada vez menos ousados.

Vivemos num “deixa para lá, não vai dar certo”. Temos medo de nos expor, de afirmar que não conseguimos. Medo de perder. De perder mais que os outros. Pelo medo de perder, perdemos a oportunidade de nos superar, de viver belas situações, de amadurecer.Que 2015 seja o ano da Valentina... Da ousadia, da força e da vontade de se renovar!

Texto: Bárbara Barreto
Foto: DorottyaS

Crônica: Uma dose de sexo, por favor


A sociedade atual se transformou de tal maneira, que as novas atitudes das pessoas ao se relacionar afetivamente, não são mais como aquelas cenas dos filmes americanos, como “Os embalos de sábado à noite”, visto nas telas dos cinemas, onde o homem conquista a mulher. Não que a conquista tenha sido deixada de lado, mas o romantismo sim. Aqueles encontros a luz do luar, os  jantares românticos, serenatas e cartas apaixonadas foram substituídos pelas baladas e micaretas, mensagens sms e  nas redes sociais, podendo isso nem acontecer: somente um beijo e tchau...

Os novos comportamentos na sociedade moderna levaram o romantismo `a raridade ou, quem sabe, `a extinção! O comportamento da juventude hoje é o grande fator que indica como os jovens colaboram  para o declínio da poesia. As festas, a pegação, as baladas comprovam que esse novo comportamento está sendo consumido pela nova geração com maior constância. Com isso, um novo perfil de conduta se instala na sociedade, que a cada dia se  torna mais liberal.

Nada contra a mudança de hábitos! Somos seres humanos e estamos em constante transformação, mas esse progresso nas relações afetivas quebram vínculos necessários para a  estabilidade da relação social entre os indivíduos.

A banalização do sexo é repassada para a juventude nos programas televisivos e nos filmes, que mostram esse tipo de comportamento. Ouvimos histórias de pessoas, homens e mulheres que vivem para a pegação. Na cultura masculina tradicional, os nossos pais e avôs nos transmitiram que quanto mais mulher na sua rede melhor! Isso é da essência máscula do homem, do seu instinto de sobrevivência...

Além disso,  essa prática está sendo amplamente disseminada nas atitudes do público feminino também, que na luta pela equiparação dos seus direitos, ou de busca de liberdade tem copiado o mesmo padrão do sexo oposto. Por isso, a relação sexual com vários parceiros numa mesma noite tem se tornado algo comum... Quem nunca ouviu casos de uma amiga que conta que fez sexo com dois ou mais companheiros em um mesmo dia?

Não estou aqui dizendo que a sociedade está se tornando sexo-maníaca e que a juventude clama por sexo em todas as suas ações. Percebo uma tendência que naturaliza o rompimento entre as práticas e os resultados delas, antecipando acontecimentos facultativos. Assim muitas jovens estão se tornando mães prematuramente e  a cada ano que passa a faixa etária atingida tende a ser mais baixa.

A relação sexual está tão inserida nos hábitos da sociedade, quanto a bebida. Contudo, essa nova postura parece exigir atenção maior, pois impactos e consequências acontecem e alguns danos podem ser irreversíveis. Parece que a relação da sociedade  com o capitalismo e a meritocracia tem tornado os sujeitos cada vez mais individualistas e competitivos. Ou seja,  mais uma vez, o homem está sendo o lobo do homem...


Texto: Willian Carvalho/ VAN
Foto: DeviantART

Donos do Pedaço


Como se sabe, na sociedade o lugar que não é público é privado. De pessoas, de empresas, da igreja, do governo, etc.


No país, existe a possibilidade de se criar empresas de níveis diversos para atender à demanda de determinada prestação de serviço comercial, industrial, educacional, religioso ou de representatividade de um grupo, associação, entre outros. Isso pode partir de pessoas físicas que se tornam jurídicas e acabam se tornando empresários, diretores, gerentes, presidentes.


Há também os concursos públicos. Quantas pessoas estão em busca de estabilidade?  Quantas já foram aprovadas e nomeadas para o serviço público?


No serviço público, os trabalhadores devem se enquadrar às normas e regimentos estabelecidos. O espaço é público, então necessita de ética, de responsabilidade social e de transparência nas funções do cargo em que foi investido, seja numa cidade do interior ou numa metrópole.  Ninguém é dono de nada, todos são servidores, porém alguns ocupam funções comissionadas. Pessoas são nomeadas ou designadas para ocupar cargos nessas instituições pelo mérito da aprovação no concurso ou por ter alguma qualificação especial, para substituir outro funcionário que não tinha.


Muitas vezes, novos servidores assumem a vaga motivados e felizes, mas, em determinados locais, acabam se sentindo sem apoio e desmotivados. Dirigentes querem impor um ritmo de trabalho mais acelerado ao funcionário que está chegando, como forma de punição. Quantas pessoas começando a carreira desanimam de continuar? Falta apoio, caridade em ensinar o serviço. Ouve-se conversa atravessada, julgamento, comparação, má vontade de ajudar, exigências acima do padrão. Mas, perante a lei, a nomeação ou contratação é justa, mesmo que a pessoa veio de outra cidade para ocupar tal função.


Os “donos do pedaço” estão por todo lado. Mas, se é direito seu de estar ali, lute por ele. Na esfera do que é público e da coletividade, façamos nossa parte em cumprir os direitos e obrigações. Ninguém toma posse ou assume algo sem que tenha as devidas atribuições para tal.


Em igrejas, quantas pessoas não atrapalham que outras ingressem no voluntariado? As igrejas, em sua maioria, vivem da boa vontade de leigos que doam parte de seu tempo à comunidade religiosa. Há pessoas que já estão ali há tantos anos que se sentem “donas”. Coloca-se uma “capa de religiosidade”, muda-se o jeito de ser, vive-se com uma máscara. Nota-se uma má vontade de funcionários em prestar informações ou deixar que outros entrem para ajudar. Parece que existe um certo receio de serem substituídas.

Estamos aí para ajudar, inovar e crescer. A vida é muito curta para se ficar perseguindo, colocando dificuldades no caminho daqueles que querem começar, servir, ter uma experiência e lutar pela sua sobrevivência.


VAN/Marcus Santiago
Foto: Reprodução 

Vida no interior ou vida na cidade?


A vida nas cidades do interior é marcada pela tradicionalidade do estilo de vida bucólica. A vivência de costumes marca uma moral social e moradores demonstram a sua satisfação ao viverem com simplicidade, como no passado, quando não se precisava de muito para ser feliz. Bastava haver o necessário para viver, um trabalho para se manter, amor para se ter e uma família para se conter.

Para uma comunidade, essa vivência é sagrada e não pode ser profanada. Tradições são uma continuidade de algo em que se acredita, se espera, se realiza. Não há “atraso” na vida simples de moradores do interior, e sim há algo que vale a pena viver... Família, porto seguro; Igreja, lugar de orações e de fé; Escola, lugar de aprender.


Na singela vida interiorana, as pessoas têm fé e rezam, respeitam o que é sagrado, tomam a bênção do padre, dos pais, dos tios, dos padrinhos. Professores são líderes e singulares por ensinarem para a vida. Todas as pessoas da comunidade, até o último momento de suas vidas, são especiais. Todas têm uma história pelo o que fizeram, ou pelo o que não fizeram devido a suas limitações, mas que se tornaram igualmente singulares.


Certa vez, na histórica São João del-Rei, observava uma urna que vinha carregada por homens num cortejo fúnebre, que dividia a metade da rua com carros cujos motoristas  nem pensavam em parar e respeitar aquela família enlutada, que chorava o seu ente querido. Nem nesse momento se respeitava a dor de uma pessoa que partira, fosse essa rica, pobre, de família, indigente. O comércio se mantinha com suas portas abertas e as vendas de vento em popa... Carros com um som estrondoso de propagandas que ninguém já nem presta atenção, de tanto repetir. Tudo muito oposto do interior, que se solidariza com a família, silenciando lojas, baixando portas, possibilitando que esse momento de recolhimento traga para a família uma paz, pelo menos nesse momento de dor.


A tecnologia e a libertinagem que a vida às vezes oferece, e o forte apelo que a mídia faz em todos os sentidos nos dias de hoje, desfocam o que havia de ingênuo e puro na vida utópica do interior. Essa mudança traz algum ganho para a sociedade atual? Pensamos que não! O corre-corre em demasiado ainda é grande! Todos estão atrasados e sempre afoitos, ansiosos por preencher as lacunas daquela sensação de “dever não cumprido” e pela preocupação sobre o que será feito no dia seguinte. Pobres de nós! Escravos do tempo e da obrigação! Onde fica o amor e a familiaridade, o estar junto com o outro? Seria “careta” viver o sabor do interior que - tão simples! - não requer muita coisa para se ser feliz?

VAN/Marcus Santiago
Foto: Fernanda Rezende



Zuenir Ventura no 8º Felit


Veja mais vídeos da região do Campo das Vertentes




 


DEPENDENTES DAS TECNOLOGIAS


Veja mais vídeos da região do Campo das Vertentes