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São João del Rei recebe o primeiro restaurante especializado em culinária vegetariana


Segundo pesquisas realizadas no Brasil pelo grupo Ipsos, 28% das pessoas tem procurado comer menos carne. Esse fator pode ser creditado aos resultados alarmantes sobre as doenças geradas pelo consumo excessivo de carne. “A escolha de uma vida saudável é o que está motivando o aumento contínuo de vegetarianos” é o que afirma a nutroterapeuta Lia Pavanelli, que recentemente inaugurou em São Jõao del Rei o primeiro reastaurante especializado em pratos vegetarianos e veganos da cidade: o Espaço Aion.

Nascida em São Paulo e residente em São João del Rei há sete anos, Lia que é formada em nutroterapia. Ela acredita que o aumento da procura de alimentos saudáveis é consequência de uma conscientização sobre os perigos que uma vida desregrada pode gerar. Segundo ela, pesquisas médicas comprovam que pessoas vegetarianas tem menos chances de sofrer problemas relacionados ao câncer de intestino e ao diabetes precoce.

Lia conta que o cardápio vegetariano é mais prático de ser preparado devido a variedade de ingredientes disponiveis para suprir de maneira satisfatória os nutrientes da carne, uma vez que a vitamina B12 -  que é essencialmente animal - pode ser obtido por meio de outros elementos.

A alimentação natural chegou no Brasil por meio da Macrobiótica, logo em seguida o movimento Hare Krishna teve facilidade de difundir o vegetarianismo.  Nos últimos anos, surgiram os veganos, esse grupo chama atenção da sociedade para a manipulação da indústria alimentícia e dos mais tratos aos animais. De acordo com Lia, o veganismo vem adquirindo visibilidade e respeito, já que possui um viés conscientizador. 

Pavanelli ressalta a significativa receptividade que o restaurante tem recebido, já que busca suprir as expectativas naturistas em uma cidade tradicional. Por isso mesmo, tem conseguido a adesão não só dos vegetarianos, como também dos onívoros (aqueles que  consomem vegetais e produtos animais em geral), desde que saibam da inexistencia de carne na alimentação  oferecida.

VAN/Ana Claudia Lima; Nayara Oliveira
Foto: Divulgação

Rubens Braga: o chef que se rendeu à culinária italiana


Terminou neste domingo (1) o 16º Festival Cultura e Gastronomia de Tiradentes. Rubens Braga, chef de cozinha, é proprietário do Trattoria Via Destra, tradicional restaurante de massas da cidade. Natural de Passos de Minas (MG), Rubens morou na Itália durante seis anos, onde desenvolveu sua paixão pela culinária local.

Casado e pai de uma filha de 15 anos, Rubens participa há 13 anos do Festival de gastronomia de Tiradentes. Este ano, o prato participante do evento é um entrecôte: carne bovina grelhada, acompanhada de penne ao funghi porcini, um cogumelo italiano. Segundo ele, a seleção de pratos é feita através da vendagem. “Escolhemos o prato que mais saiu durante o ano. Este é um prato normal do cardápio. Muita gente ligou e cobrou para que ele estivesse presente durante o festival”, explica.

Após trabalhar 25 anos em uma grande fabricante de automóveis italiana, o chef começou a trabalhar em restaurantes na Itália por curiosidade, quando resolveu largar tudo para virar cozinheiro: “fui me apaixonando pela cozinha italiana e essa paixão acabou virando minha profissão”, declara. 

Devido ao crescimento do restaurante, Rubens já planeja a mudança da Trattoria para a unidade planejada que mantém na Rua Direita. “Como o patrimônio histórico não me permite mexer na cozinha, estamos mudando para um lugar maior, mais espaçoso, em que eu posso juntar as duas cozinhas”, relata. O estabelecimento, por sua vez, é especializado na culinária mineira. “Lá, a cozinha já está dentro das normas. Ficamos 13 anos nesta localização, mas não tem jeito de continuar. Como aqui era uma residência, não houve como adaptá-la”, considera.

Perguntado se iria abandonar a comida mineira, Rubens disse que não, “a nova unidade tem espaço para as duas.” O chef apaixonado pela culinária mineira e italiana afirma: “Eu pesquiso sobre as duas comidas. Vi que era uma forma de exercitar minha paixão pela culinária. A italiana foi o meu ponto de partida, pois aqui já temos muitos restaurantes mineiros, bons e famosos. Resolvi, então, fazer um contraponto porque, às vezes, o turista quer uma comida diferente e, nessa cozinha, todo mundo tem um pé na Itália, uma origem italiana”.

De acordo com o chef, o sucesso do restaurante durante o festival se deu pela sua flexibilidade. “Eu não me amarrei a nada específico da guia, selecionando jantares completos com entrada, prato principal e sobremesa, por exemplo. Isso me deu a liberdade de fazer pratos especiais a cada dia, dependendo do gosto do cliente. Eu deixo um histórico dos pratos já feitos aqui no restaurante, que não tem no cardápio, justamente para poder fazer algo especial, brincar com essa espontaneidade da culinária”.

“Amigos, também chefes de cozinha, vieram aqui durante a semana e, como muitos dos meus pratos eles já conhecem, tive, então, que inventar na hora alguma coisa diferenciada, dentro do princípio do “slow food”. A comida aqui não é guardada, tudo o que eu cozinho é feito no momento em que o cliente pede”, afirma.

Para o chef, a cada ano, a organização do evento se aprimora e cresce, tanto na sua importância, quanto nas estratégias de planejamento, “isso elevou a cidade à pólo gastronômico do Brasil. Este Festival acontece em agosto, mas vai se comentar o ano inteiro sobre o evento”, e continua, “esse é um restaurante mais romântico. À noite, o movimento engrossa. Geralmente, nos dias de Festival, saímos daqui por volta das 3 horas da manhã. O movimento este ano foi muito bom”.

O Festival que trouxe inovações, como a cozinha molecular, além de novos equipamentos, teve também a presença de cozinhas estrangeiras como: chilena, espanhola, francesa, entre outras. “Eu fico na minha raiz, gosto muito de trabalhar com pesquisa, de resgatar pratos da minha origem”.

O chef que também mantém uma unidade em Belo Horizonte (MG) faturou, em 2009, o prêmio de melhor restaurante de comida italiana da capital, pela revista Encontro. “Se eu tinha alguma pretensão de reconhecimento, eu atingi meus objetivos. Agora eu trabalho essencialmente por prazer. Trabalho pelo negócio, mas, principalmente, pelo prazer de todos os dias poder cozinhar, elaborar pratos, comprar um cogumelo fresco e fazer molhos específicos”, finaliza.

VAN/ Maria Clara Lauar
Foto: Bruno Marques

Festival de Gastronomia movimenta Tiradentes


Está acontecendo em Tiradentes (MG), o 16º Festival Cultura e Gastronomia que, este ano, tem como tema a “busca por novos sabores”. Mais de 40 restaurantes participam dessa edição do evento. Renomados chefs do Brasil e do exterior apresentam seus pratos nesse, que é um dos maiores eventos gastronômicos do país. 

Apresentações de teatro e música acontecem simultaneamente ao evento em toda cidade. O grupo teatral são-joanense, ManiCômicos, se apresenta de sexta a domingo, levando aos espectadores toda a irreverência do teatro de rua. Jazz e blues também fazem parte das atrações musicais do evento. 

Segundo Amélia Cruz, artesã, durante o Festival as vendas tem um aumento significativo e há mais de 15 anos ela trabalha paralelamente ao evento.   

Na culinária, oito principais restaurantes se destacam. São duas áreas reservadas para estes, o Largo do Chef – com quatro restaurantes belo-horizontinos – e o Largo das Forras – com quatro restaurantes da própria Tiradentes –, onde os participantes do evento podem experimentar os mais diversos sabores da gastronomia. 

A espectadora carioca Rosa Xavier diz que participa praticamente todos os anos do Festival e que gosta muito. “O Festival tem clima gostoso, de novidade. São experimentados novos saberes e texturas. Gosto dessa nova experiência gastronômica”, declara.

Entre os pratos principais, destacam-se a pescada amarela, creme leve de baroa, beterrabas secas e azeite de carvão, do tiradentino Angatu e a polenta com molho de gorgonzola e funghi da Cantina Piacenza, de Belo Horizonte. 

Mecias Meneses, de Belo Horizonte, relatou que achou o Festival desse ano um pouco mais vazio, mas gostou das novidades, como a disposição dos espaços que está mais democrática, segundo ele. “Aprovei a paella que comi no Largo do Chef”, ressalta. 

O Festival acontece até 1º de setembro e vai destacar no próximo fim de semana à gastronomia latino-americana, com a presença de chefs da Argentina, Equador, México e Colômbia. O Fórum SENAC Gastronomia e Cultura acontece no Largo das Forras, gratuitamente, mas tem vagas limitadas. Já os festins, acontecem nas pousadas participantes do evento e devem ser reservados com antecedência. 

VAN/ Bruno Marques; Isabela Mesquita
Foto: Maria Clara Lauar

Das ruas para a valorização profissional





A artesã Joana Darque Ferreira Alves é um exemplo de  determinação e  coragem. Joana foi criada sem a presença do pai e sua mãe tinha problemas mentais. “Minha mãe veio da roça para São João del-Rei e era doente, quando ela tinha crise, ela dava os filhos para os outros. E quando ela melhorava, ela tentava recuperar os filhos”, afirma a artesã.

Doada para uma família do Rio de Janeiro, Joana ficou dois anos longe dos irmãos. Segundo ela, alguns deles foram para um orfanato e outros sumiram. Aos  oito anos de idade, quando Joana estava a passeio por São João del-Rei,  ela soube que sua mãe estava doente e fugiu para cuidar dela. Além disso, ela apanhava dos pais adotivos e não queria morar mais com eles. “Uns quatro meses depois, minha mãe morreu e eu não tinha ninguém para cuidar de mim. Então, fui morar debaixo da ponte”, declara.

Essa fase da sua vida foi muito sofrida. Joana conta que comia lixo e apanhava na rua. “Até hoje eu tenho cicatrizes no corpo de água fervendo que me jogaram, porque eu mexia no lixo. Foi uma fase muito triste para mim”, ressalta. Aos 14 anos, ela conseguiu um emprego numa fábrica de tecidos de São João del-Rei e nessa época morou com uma colega de trabalho.

Aos 20 anos se casou. Joana procurou fazer algo para ajudar na renda familiar, a partir daí começou a se interessar por trabalhos artesanais, foi expandindo suas criações e clientes. “O artesanato é um trabalho muito bonito, eu gosto e me encontrei com essa atividade”, declara.



Uma das irmãs da artesã foi criada num orfanato que existia na cidade, foi lá que Joana aprendeu a produzir o licor de frutas, um de seus produtos mais conhecidos. “Eu comecei a trabalhar com a produção de licor artesanal há 37 anos, quando eu visitava minha irmã no orfanato. Lá tinham as irmãs de caridade que faziam a bebida e me ensinaram”, afirma. 

“Para comprovar a qualidade do licor, eu deixo sempre nos lugares de venda alguns sabores para degustação. A pessoa tem que provar para saber o que está levando”, opina. Hoje, Joana produz cerca de 30 sabores e o licor artesanal é um de seus produtos que estão em processo de avaliação para ganhar o selo de qualidade, pelo Instituto Centro de Capacitação e Apoio ao Empreendedor (Centro Cape). 

Junto ao licor, estão também as rosas de chita e as flores de envies produzidas pela artesã. São ao todo 12 sessões, sendo quatro para cada produto analisado. Joana afirma que os avaliadores acompanham seu trabalho durante todo o dia e tiram fotos dos processos de fabricação com cópias para ela.

A participação de Joana Darque no Centro Cape foi uma indicação da ex-diretora da Fundação Bradesco, Ruth Viegas, pois a artesã ministrava cursos gratuitamente, na Escola Estadual Dr. Garcia de Lima, na qual a irmã de Ruth era diretora. O envolvimento com trabalhos voluntários é uma das exigências para a participação do processo que oferece o selo aos produtos artesanais e a possibilidade para que sejam exportados.


VAN/ Marina Ratton
Foto: Marina Ratton

Produtor de cachaça artesanal




VAN: Quando você começou a trabalhar com a produção de cachaça artesanal?

Leonardo Campos: Começou como um hobby enquanto eu trabalhava como economista. Depois, resolvi transformar o hobby em negócio e eu já tinha a fazenda.  O inicio de qualquer negócio é difícil, agora que a marca está se firmando no mercado, isso graças a um trabalho muito árduo, porque você tem que manter qualidade e preço. E o preço não é fácil manter, porque os custos aumentam de forma firme e quase que linear, todos os anos ocorrem aumentos de salário, de energia, então, com isso, tenho uma serie de gastos, é o efeito cascata. O custo de corte cana que, no inicio, custava 40 reais, hoje chega a 100 reais. E quando eu aumento o preço, o mercado recua, e ainda tem as barreiras tributarias, que hoje existe em virtude da substituição tributaria que foi criada pelo governo mineiro e que foi copiado por muitos outros estados, principalmente São Paulo. Em São Paulo hoje, a minha cachaça está quase que inviável, porque o governo decidiu que cada garrafa da jacuba que entrar em SP eu tenho que pagar R$4,93 (quatro reais e noventa e três centavos), e eu tenho que repassar isso para o consumidor. 

VAN: Como você avalia o consumo de cachaça em Minas Gerais?

Leonardo Campos: O mineiro não sabe beber cachaça, o mineiro bebe em copo americano e em grande quantidade e sem qualidade, toma quantidade e não qualidade. O que nós estamos colocando para o mineiro que ele tem que tomar a dose de 60 ml, ele tem que tomar devagar para degustar a cachaça. Os bebedores de cachaça estão mudando e a cachaça não é mais aquele produto pejorativo, a cachaça é mais apreciada.

VAN: Qual a importância da produção da cachaça artesanal no Brasil?

Leonardo Campos: É importante para o Brasil é produzir cachaça de qualidade e que o consumidor possa ter acesso sem ter problema de saúde, essa é a vantagem da cachaça artesanal. Ter produto compatível com outros produtos produzidos em outros países, como vodka, o vinho, o wisk.


VAN/Marina Ratton
Foto: Reprodução

Região das vertentes em frente às câmeras


Documentarista  registra   os  costumes  e  tradições   da cultura   regional


Marlon Bruno de Paula                    09 de abril de 2013 | De São João del Rei
  
Cena do documentário "Deus Esteja"

A luta pela preservação das tradições que permeiam a região das Vertentes é o que tem permitido que as identidades locais sejam consideradas patrimônio. A documentarista Mariana Fernandes traduz sua paixão pela cultura regional em produções audiovisuais, buscando retratar personagens e histórias dos municípios que compõem a região das Vertentes.

O seu primeiro trabalho, realizado em 2010, consistiu na produção de “Cine Odeon - Memórias Sonoras”, produzido de forma caseira, com o auxilio de uma câmera fotográfica, na cidade de São Tiago. Esse ano, depois de várias experiências e do aprimoramento da técnica com médias metragens e um longa na cidade de Resende Costa, a documentarista trabalha em seu novo projeto “Terra dos Biscoitos Falantes”, aprovado pela Lei de Incentivo à Cultura de Minas Gerais. O tema deste trabalho será as tradições culinárias da cidade natal de Mariana Fernandes: São Tiago.

Foto: Reprodução

A documentarista começou a se interessar por crítica cinematográfica e discussões sobre a produção nacional televisiva quando ainda cursava filosofia pela Univerdidade Federal de São João Del Rei. Em 2010, ao terminar o curso, ela ficou indecisa, dividindo-se entre seguir carreira acadêmica ou se aventurar em outra graduação. Mariana Fernandes optou por cursar Comunicação Social, no intuito de fundamentar melhor os estudos na produção audiovisual. “No curso, foquei todo o meu interesse em audiovisual e fortaleci a ideia que sempre me acompanhou: a comunicação regional. Uni essas duas vertentes, audiovisual e comunicação regional. A partir de estudos teóricos e discussões, ousei, também, realizar os meus próprios vídeos documentários para contar histórias de personagens da cultura popular regional”, diz ela.

Mariana Fernandes, além de produzir documentários, atua no incentivo às comunidades locais a consumirem arte por meio do cinema. Através do projeto cine-clubista, AudiovisUAI, ela procura propor um diálogo com os moradores da cidade de São Tiago, com o auxilio das linguagens cinematográficas, promovendo a inserção social no município. 

Documentando a Terra dos Biscoitos Falantes

Este ano a documentarista se aventura em registrar os costumes e tradições da sua cidade natal com o projeto “Terra dos Biscoitos Falantes”.  Segundo Mariana, o documentário foi inspirado na fama culinária da cidade. “ São Tiago é conhecida nacionalmente pelos biscoitos artesanais confeccionados por famílias e gerações ao longo de um século. O nome foi escolhido pelo fato de que, na cidade, os biscoitos ganharam a expressão "falantes" em livros e oficinas realizadas na própria festa tradicional do Café-com-biscoito. Isso se deve às histórias que trazem, não apenas em suas receitas e sabores, mas em todo o processo que envolve a confeccção dos quitutes, à história da cidade”  destaca.
Documentar a regionalidade é para Mariana Fernandes, uma forma de dar voz às comunidades para valorização dos próprios costumes. “Retratar a cultura regional é uma forma de reafirmar a identidade dos povos e dos hábitos e costumes da nossa região, rica em artesanato, culinária, história e muitas outras atividades que deveríamos considerar como patrimônios. Colocá-los como personagens das suas próprias histórias nos filmes é uma maneira de valorizar e incentivar a continuidade das tradições”, frisa a documentarista.

Doceira são-joanense faz história


Entre embarques e desembarques, doces fazem história em São João del-Rei. Uma receita que alia amor e carinho leva a moradores e visitantes um sabor que vem de berço, em um cenário repleto de tradição: a Maria Fumaça. Cocadas, pés-de-moleque, quebra-queixos, puxa-puxas e pirulitos de mel são produzidos por Edna dos Santos e encontrados nos fins de semana em um dos pontos turísticos mais famosos da cidade: a estação ferroviária.

Edna dos Santos – doceira

A paixão pelos doces existe desde pequena e é uma herança de pai para filha. Foi com o conhecido como Zé do Ferro Velho que Edna aprendeu a fabricar o que hoje é sua fonte de sustento. A doceira contou que cresceu cuidando dos irmãos e não teve a oportunidade de estudar. “Quando o meu pai ainda era vivo, trabalhei como empregada doméstica e fazia os doces nas horas vagas”, destacou. Após a morte do pai, Edna resolveu se dedicar à culinária. “Eu era o xodó do papai. Ele sempre se preocupou em me deixar sem um sustento. Mas aí eu disse pra ele ‘eu vou conseguir pai”, completou.
E uma trajetória de 20 anos produzindo e vendendo iguarias possibilitou que o sonho se tornasse realidade. Mãe de dois filhos biológicos, dois adotivos e avó de um pequeno de três anos, Edna sustenta toda a família possuindo os doces como única fonte de renda. “Vendo cerca de mil doces por mês e mesmo cuidando de toda a minha família eu consegui realizar um sonho: comprei uma máquina de lavar só com o dinheiro dos meus doces. Me orgulho muito disso”, contou a doceira. Edna destacou ainda a forma como administra o trabalho e o lar. “Ser mãe e chefe da casa não é fácil, mas consigo conciliar as duas coisas”, afirmou.

Os amigos

De sexta-feira a domingo, Edna vende os seus doces na trajetória da Maria Fumaça de São João del-Rei a Tiradentes.  Além disso, a doceira trabalha nas duas cidades. A atividade proporciona à são-joanense a possibilidade de conhecer diversas pessoas e fazer amigos de todos os estados, e até mesmo de outros países. Para ela, receber opiniões diversas é essencial para o crescimento de seu negócio. “Trabalhar lá é muito diferente e muito importante. Além de fazer amigos, escuto várias histórias e opiniões de pessoas de todos os lugares que você possa imaginar”, frisou.

O pirulito de mel

Além da cocada, pé-de-moleque, quebra-queixo e puxa-puxa, o pirulito de mel conquista o paladar de todos que o provam. Crianças e adultos ficam encantados com o pirulito, que segundo Edna é universal. “Uma vez um turista do Chile me disse que comia o pirulito quando era pequeno”, contou. E para os adultos, o doce também é uma forma de viajar no tempo e voltar à infância.
É o caso do casal Juliana Pontes e Marcos Rocha que saiu de Sete Lagoas para conferir as iguarias. Eles contaram que viram Edna em um programa de televisão, sendo entrevistada por um chefe de cozinha. A partir disso, resolveram conhecer a cidade e os famosos doces. “Eu lembro muito de minha infância com os pirulitos, já que minha avó fazia. A família toda do Marcos encomendou pirulitos para quando fossemos embora”, ressaltou Juliana.

A receita

Edna ensina como fazer o famoso pirulito de mel.

Ingredientes

60 palitos de madeira
Papel manteiga
100 ml de Mel
1Kg de Açúcar (refinado ou cristal)
Suco de 1 Limão (Galego ou Rosa)
1 copo de 200 ml de água

Modo de fazer

Misture na chaleira a água, o suco do limão rosa ou galego e o mel. Coloque o açúcar aos poucos, a medida que vai mexendo. Depois a mistura fica por volta de 30 min em fogo baixo. Faça os rolinhos em forma de cone com papel manteiga e preencha com a mistura depois de 10 minutos fora do fogo, acrescentando o palito. Depois é só esperar esfriar.

Reportagem e fotos: Talita Andrade e Rafaela Soares.

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Festival Happy Hour promove roteiro gastronômico e cultural em São João e região

Competições de petiscos e pratos, música, fotografia, literatura, descontração e boas histórias. Com essa proposta, o Festival de Cultura e Gastronomia Happy Hour, irá movimentar o Campo das Vertentes durante janeiro de 2013. O evento, realizado pela Inovità, promove uma série de atividades, que têm a finalidade de estimular o turismo, a profissionalização, a economia e as artes da região.
O roteiro gastronômico do Happy Hour incentiva os bares e restaurantes a ousarem na criatividade de sua culinária e ressalta as particularidades dos cozinheiros. O lado cultural do festival organiza concursos para divulgar músicos, fotógrafos, caricaturistas, contadores de história e poetas locais.
Segundo o diretor geral do evento, Adriano Margotti, a intenção é aumentar o fluxo de clientes nos estabelecimentos, agregando atrações que atraiam maior público. “A cultura de São João e das cidades vizinhas é muito rica. Trabalhamos com essas especificidades para tornar os bares e restaurantes mais completos ao atender e entreter seus consumidores”, explica.
O gerente da Associação Comercial e Industrial de São João del-Rei (ACI del-Rei), Dayvison Costa, aposta no sucesso do festival. “Há muito tempo, a região demandava a iniciativa de um festival desse aspecto. Pretendemos tornar o potencial gastronômico da cidade mais difundido em nível nacional”.

Gastronomia

O concurso gastronômico do Festival Happy Hour explora a qualidade dos bares e restaurantes participantes.Para isso, serão avaliados tira-gosto com ingredientes selecionados pela organização do festival; tira-gosto típico do estabelecimento; temperatura da cerveja;além de atendimento e limpeza.

Cultura

Os concursos culturais do Festival Happy Hour destacam os artistas da região e buscam atrair maior fluxo de clientes para os estabelecimentos. Entre as modalidades, os interessados podem se inscrever em Voz e Violão; Histórias de Bar; Frases Engraçadas; Poesia com tema “Boemia”, Fotografia e Charge.

Festival integra sete cidades da região das Vertentes

São João del-Rei, Tiradentes, Ritápolis, Prados, Resende Costa, Dores de Campo, Barroso. Esses são os municípios que terão estabelecimentos participantes do Festival de Cultura e Gastronomia Happy Hour. A programação irá criar roteiros de visitação e distribuir as atrações artísticas pelos bares e restaurantes durante o mês de janeiro de 2013.
São João del-Rei será o polo do evento, com 20 estabelecimentos cadastrados. A cidade tem história marcada pela exploração aurífera de Minas Gerais e foi importante centro político e econômico do estado. Local de muitas lendas, personagens memoráveis e instituições centenárias que se mantêm fortes até os dias atuais, São João foi escolhida Capital Brasileira da Cultura de 2007.
Tiradentes se destaca pela efervescência cultural, pela cadeia de restaurantes, pousadas e hotéis e pela serra de São José. Sede de eventos com abrangência internacional, como o Festival de Gastronomia, a Mostra de Cinema e o Festival Artes Vertentes, a cidade é conhecida pela riqueza gastronômica e por seu cenário cinematográfico.
Ritápolis é a terra de nascimento e batismo de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. A Fazenda do Pombal, considerada patrimônio histórico nacional, foi disputada entre os municípios de São João del-Rei e São José del-Rei (atual Tiradentes). O local tem belos ribeirões e cachoeiras e vive, sobretudo, da agropecuária e da produção de laticínios.
Prados tem 8.395 habitantes e é reconhecida pelas festas religiosas e pela preservação do casario colonial. Além disso, o distrito Vitoriano Veloso, conhecido como Bichinho, oferece aos turistas muitas opções em artesanato e iguarias.
Resende Costa concentra grande quantidade de produtores de artesanato. Dentre eles, sobressai a qualidade e a distinção do tear: almofadas, tapetes, colchas, mantas para sofá, toalha de mesa, jogos americanos e cortinas são vendidos em lojas de todo o Brasil. O município ainda possui belo conjunto arquitetônico e cachoeiras.
Dores de Campo fica a 40 quilômetros de São João del-Rei. É uma pequena cidade que se especializa em artefatos de couro, com várias selarias e produção de selas, arreios, barrigueiras, baxeiros entre outros. As selarias estão espalhadas pelo município e empregam boa parte da população.
Barroso é uma cidade que vem crescendo impulsionada pela indústria de cimento o que atrai pessoas de diversas áreas em busca de oportunidades de emprego. O município também ostenta várias iguarias gastronômicas como o delicioso "Chico Paio", um caldo de feijão branco, com frango, bacon e linguiça calabresa.

Release (Assessoria de Imprensa: Marcelo Alves).
Fotos: Íris Marinelli.
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Segunda Festa da Cana movimenta a Comunidade de Bichinho, em Prados


Entre os dias 12 e 14 de outubro aconteceu a 2ª Festa da Cana em Vitoriano Veloso, distrito da cidade de Prados, mais conhecido pelo nome de Bichinho. A festa contou com atividades para crianças, além de atrações musicais. No Centro Social foram montados estandes, onde foram expostos produtos derivados da cana-de-açúcar. Os visitantes tiveram a oportunidade de acompanhar o processo de produção do açúcar, melado e rapadura, e provar quitutes inusitados, como o bombom e o brigadeiro de pinga.
No estande do restaurante “Bandeira Peruana”, de Prados, o chef Pedro Cardoso Ferreira expôs suas criações culinárias, em que mistura ingredientes peruanos à cozinha mineira, destacando o escabeche de linguiça. “Escabeche é um tipo de conserva que leva vinagre, azeite e açúcar e normalmente coloco um pouco de vinho do porto. No caso do festival da cana, eu usei garapa e açúcar mascavo”, conta. Neste prato, Pedro usa o ají especial, um tipo de pimenta peculiar de seu país, para dar um tempero peruano à tradicional lingüiça mineira.
Já a sócia da padaria Luize, de Bichinho, Luisa de Fatima Cunha de Souza, confeccionou os deliciosos bombons e brigadeiros de pinga. Os doces são saborosos, seguindo a tradição doceira de Minas, feitos com leite condensado, pinga e manteiga. “Quando já está no ponto, que está soltando da panela, você vem com a pinga e torna a dar o ponto com ela. O álcool evapora e fica só o gostinho da pinga”, conta a doceira com um grande sorriso. Em sua padaria ela também faz um bolo de banana, que leva açúcar mascavo no lugar do açúcar refinado.

      Sem vergonha de ser cachaça

E como não podia deixar de ser, a cachaça foi a personagem principal da festa. Nando Chaves, alambiqueiro há 22 anos, apresentou a cachaça Século XVIII, de Coronel Xavier Chaves. Completamente branca, ela é produzida seguindo a mesma receita há mais de 250 anos, em um dos engenhos mais antigos do Brasil ainda em funcionamento, segundo a Embratur. Conta-se que um de seus primeiros donos foi o padre Domingos da Silva Xavier, irmão de Tiradentes. A produção é completamente artesanal, o que influencia diretamente na qualidade da cachaça. Nando Chaves é da 7ª geração da família e conta que é executado “o mesmo processo de produção, desde o plantio ao corte da cana, moagem, fermentação e destilação, há 150 anos sempre da mesma maneira, no período de safra, que ocorre de maio a novembro – que é o período de estiagem da nossa região”. Nando afirma orgulhoso: “Ela é branquinha, sem vergonha de ser cachaça”. Explica ainda que a família cultiva há mais de 80 anos a mesma variedade de cana, o que proporciona homogeneidade ao produto.
Ao lado dos estandes, Dalton Ladeira da Cunha, fazendeiro da cidade, atendia os visitantes curiosos que queriam observar a produção de melado, rapadura e açúcar. Ele explica que aquecendo o caldo de cana no tacho ele vai secando e engrossando. O primeiro ponto deste caldo será o melado, o segundo a rapadura e enfim se chegará ao açúcar. Com cerca de 25 litros de caldo no tacho, a depender da intensidade do fogo, pode-se obter açúcar em até duas horas.
Ivete Cerqueira Moura, membro da comissão de eventos do Centro Social de Vitoriano Veloso, explica que o evento une a comunidade: “Nós mostramos nossa gastronomia, nosso folclore e escolhemos a cana porque aqui todo mundo tem cana plantada na horta”, conta. Só na comunidade de Bichinho existem três alambiques.
Não apenas os moradores aproveitaram as atrações. Os turistas, que buscam a cidade de Prados por sua paisagem e gente acolhedora, tecem elogios ao evento. Maria Salete Ávila, técnica de enfermagem, de São João del-Rei, esteve na festa no ano passado trabalhando, mas neste ano foi apenas aproveitar. Levou seu filho Alexandre, que até subiu ao palco para cantar algumas músicas. “Eu gosto do pessoal daqui, o ambiente é muito bom, o povo é muito acolhedor, com todo mundo que vem”, diz entusiasmada. Ela explica que Prados é uma cidade que recebe muitos turistas, então a população local está acostumada a este fluxo e recebe bem os visitantes: “É uma festa boa para vir com a família, pode-se deixar a criançada à vontade”.
Ao som dos seresteiros, e provando dos saborosos doces e salgados ou da estrela maior do evento – a pinga –, quem visitou a exposição pôde experimentar um sabor de tradições mineiras, tão presentes em Bichinho, como no sorriso acolhedor dos moradores do local, gente hospitaleira, que fez com que a festa parecesse um grande encontro de família.

Reportagem e foto: Dani da Gama.

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Novidade, tradição e sabor: culinária de Ritápolis atrai turistas da região

      Gastronomia sofisticada ou tradicional? Em Ritápolis, ambas caminham juntas. O empresário André Vieira inovou ao abrir o restaurante Saliya, especialista em culinária árabe. Mas quem prefere a culinária tradicional, em especial os doces do interior, também está bem servido na cidade, onde ainda atuam as doceiras, produzindo guloseimas caseiras.
      Em maio de 2005, durante a tradicional Festa em honra à Santa Rita de Cássia (padroeira de Ritápolis), o empresário André Vieira abriu as portas do que hoje é um sucesso: o restaurante Saliya. O chefe e proprietário diz que tudo começou com um improviso, sem nenhuma pretensão maior e hoje o Saliya é reconhecido na região pela sofisticação e qualidade. Formado pelo Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial), em Campos do Jordão/SP, e com passagens por Inglaterra, Israel, Síria, Líbano, dentre outros países, André decidiu abrir o restaurante em Ritápolis pelo desejo de regressar à sua terra de origem.
      Segundo ele, além do gosto e prazer de desenvolver a gastronomia árabe, é preciso também muita pesquisa sobre essa cultura, totalmente diferente da brasileira, e técnica para se aperfeiçoar. O diferencial do Saliya está na utilização das muitas especiarias que André compra em suas viagens de pesquisas. Atualmente, o restaurante de Ritápolis é referência para outros restaurantes árabes na região.
      Agora, quem opta por uma culinária mais comum, mas não menos apetitosa, pode se deliciar com os produtos caseiros das doceiras de Ritápolis. Diferentemente do chefe do restaurante Saliya, essas mulheres não precisaram ir longe para aprenderem o que fazem: esta saborosa tradição é passada de geração em geração, de mãe para filha. A doceira e artesã Lúcia Resende possuía conhecimento prévio sobre a culinária, mas mesmo assim resolveu fazer um curso no Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural), onde adquiriu mais segurança e técnica na produção: “Cozinhar é muito gostoso. Para mim, além de ser um prazer é também uma terapia” acrescenta.
      Lúcia produz uma variedade de doces: de leite, goiabada, cidra, figo, laranja da terra, limão rosa, pêssego, banana, pé de moleque, abobora, batata, palha italiana, gelatina de cachaça, cocadas etc. A doceira ainda é produtora de geleias e licores. O interessante é que na produção são usados somente ingredientes naturais, da horta ou doados por amigos de fazendas da região, e às vezes, como explica Lúcia, é possível obter lucro de 100% sobre seus produtos.
      A pequena cidade do interior de Minas mantém a tradição e, ao mesmo tempo, inova quando o assunto é culinária. Do sofisticado ao mais simples, o que importa é o sabor, e em Ritápolis, este fator sobressai.

      Reportagem e foto 2: Rhafaela Resende.
      Foto 1: André Vieira (arquivo pessoal).

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