PLANO DIRETOR É DISCUTIDO EM CARRANCAS

A cidade recebe visita técnica da Fundação João Pinheiro durante esta semana. Saiba mais!

ONG ATUAÇÃO AJUDA A ELIMINAR RESÍDUOS DA NATUREZA

Dentre os objetos recolhidos na cidade estão materiais escolares e de saúde bucal. Veja!

ENSAIO FOTOGRÁFICO: CAVALGADA DA INCONFIDÊNCIA

Os cavaleiros percorreram a Estrada Real, no trecho entre Tiradentes e São João del-Rei. Confira!

ÍDOLOS DO FUTEBOL FRANCÊS COMANDAM PROJETO NO SOCIAL

A iniciativa visa atender crianças e adolescentes de 5 a 17 anos de idade. Veja!

CICLOVIA PARA O CTAN COLOCA ESTUDANTES EM RISCO

Entre os problemas estão o estado de sujeira e o acúmulo de barro após período chuvoso. Confira!

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DAMAE é alvo de reclamação dos são-joanenses

Estação de tratamento de água do Bairro do Bonfim
Foto: Leonardo Duque

Moradores de São João del-Rei têm reclamado constantemente da qualidade da água fornecida pelo Departamento Autônomo Municipal de Água e Esgoto (DAMAE). As reclamações vêm, principalmente, das donas de casa. São-joanenses comentam que a água tem apresentado uma coloração amarelada e, muita das vezes, vem com a presença de barro. Analisando o grupo de queixas do Facebook, “Alô Prefeito”, a maioria das objeções vêm dos bairros Bonfim e Residencial Lenheiros. 

Para a moradora Ana Maria Rosa, do bairro Bonfim, a situação é precária. “A água vem imunda. Quando eu abro a torneira para lavar a roupa de manhã, eu tenho que deixar um pouco da água ir embora, para depois eu poder passar a água para a máquina. A água vem toda amarelada”, comentou Rosa.

“Quando fui lavar a caixa d’água da minha casa, era barro puro, a água estava completamente suja”, reclamou outra moradora, Marlene dos Anjos. Ela salientou, também, ter grande dificuldade para lavar a roupa, já que no início do dia a água sai toda amarelada da torneira. 

Por outro lado, a costureira Tereza dos Santos declarou nunca ter tido qualquer problema com a água recebida em casa:

– “Já moro há anos aqui em São João e nunca tive problema com a qualidade da água. Pra mim, a água daqui é muito boa e bem tratada”.

Os problemas da cidade

De acordo com o químico do DAMAE, Diogo Guimarães Ferreira, os problemas citados pelos são-joanenses podem ser explicados. O fato de SJDR possuir um sistema de encanamento antigo é um dos fatores que mais pesa nos problemas recorrentes na cidade. “Nós temos um sistema de distribuição muito antigo, e esse sistema, infelizmente, não tem descarga, o que seria bastante importante. Sem a descarga, é normal a água chegar às casas com um pouco de barro e sujeira quando algum reparo é realizado no encanamento das ruas”, explicou o químico.

Ainda segundo Ferreira, alguns canos da cidade são de ferro, o que provoca  acúmulo de ferrugem. “Existe uma ferrugem que fica acumulada nesses canos. Então, quando a água vem com uma pressão maior, após alguma limpeza ou tratamento, a água acaba carregando essa ferrugem, por isso, acaba chegando às casas das pessoas com uma coloração mais forte”, ressaltou. 

Para solucionar os problemas de encanamento de SJDR, Diogo Ferreira salientou a necessidade de uma mobilização maior dentro do próprio DAMAE. Completou dizendo que o custo para reparar toda a tubulação é alto e demanda tempo. 
  
Teste de qualidade

A professora de Química da Universidade Federal de São João Del- Rei (UFSJ), Honória de Fátima Gorgulho, explicou o quão importante é realizar o teste de qualidade de água frequentemente:

– “É necessário realizar testes rotineiros da qualidade da água. Esse teste rotineiro analisa o pH, o nível de cloro, a quantidade de flúor, além de fazer a análise microbiológica, que avalia a presença de coliformes ou bactérias nocivas, examinando, principalmente, a presença de uma bactéria chamada E-coli, considerada um coliforme fecal”. 

A professora ressaltou ainda ser extremamente perigoso a não realização correta do teste microbiológico, pois o consumo de água contaminada pode ser fatal ao ser humano.

O químico do DAMAE, Diogo Ferreira afirmou realizar todos os testes citados acima, o físico-químico e o microbiológico. “A gente analisa basicamente três parâmetros físico-químicos, que são o cloro, o ph e a turbidez. Além disso, a gente faz a análise microbiológica também. Daí a gente analisa a quantidade de bactérias e coliformes totais. Os testes são realizados em um laboratório que a gente contrata. Então, analisamos os tipos de coliformes que estão presentes na água”, esclareceu. 

Plano de metas

Com o intuito de melhorar a qualidade e o tratamento da água, o DAMAE está lançando um novo plano de metas. Segundo Ferreira, esse plano consiste em conseguir melhorias para o setor de controle de qualidade de água. “O diretor está propondo, com algumas datas estipuladas, a compra de equipamentos, reagentes, materiais e transportes, investindo também no melhoramento da infraestrutura que, infelizmente, está um pouco defasada”, concluiu o químico. 

Diogo Ferreira esclareceu que o prazo para a realização do plano de metas ainda não foi estabelecido, mas que pretendem iniciar o mais rápido possível. 

Texto: Leonardo Duque/ VAN

ONG Atuação ajuda a eliminar resíduos da natureza

Sede ONG Atuação – Fonte: Facebook ONG Atuação

A ONG Atuação, em parceria com a americana Terra Cycle, traz para São João del-Rei o projeto Descarte Consciente, que visa dar uma finalidade mais útil a objetos que seriam descartados de forma inadequada no meio ambiente. Dentre os objetos recolhidos na cidade estão materiais escolares e de saúde bucal, a serem encaminhados posteriormente para a sede da ONG americana que, em parceria com algumas marcas, repassam para a Atuação um centavo por objeto coletado.

A vereadora Lívia Guimarães, uma das fundadoras da ONG são-joanense, afirmou que  a  importância do projeto não é a parte financeira e sim a retirada desses objetos do meio ambiente. “Não é pelo dinheiro que a gente faz, é pela participação. Já recolhemos mais de dois mil itens, que dá pouco mais de vinte reais, e não podemos nem pegar o dinheiro ainda”, comentou Guimarães.

Objetos como escovas de dente, tubos de creme dental, lápis de cor, lapiseiras, canetas, borrachas, apontadores e marcadores de texto estão sendo recolhidos nos pontos de descarte: a própria sede da ONG Atuação, o Museu Regional, a Câmara Municipal, a Biblioteca Municipal e a Escola Enlace. 

Os objetos coletados no projeto são enviados para a sede brasileira da ONG Terra Cycle, em Bauru - São Paulo, onde são reciclados e transformados em pigmentos de plástico, vasos de flores e artesanatos em geral.

Sede da ONG Terra Cycle no Brasil ­– Fonte: Fonte: Site Terra Cycle (terracycle.com.br)  

Segundo Clebson Márcio Cunha, que trabalha como vigia no Museu Regional e ajuda na presidência da ONG Atuação, o objetivo principal do projeto é a preservação do meio ambiente:

– “A ideia do projeto é não jogar o lixo na natureza, porque o que não tem utilidade para uns, pode se tornar de grande serventia para outros”.

Apesar de não conhecer o projeto, a doméstica Andreia Simone Cortes acredita que iniciativas como essa devem se multiplicar, pois objetos que iriam para o lixo podem se transformar em arte. “É um bom projeto, já que em SJDR não se tem reciclagem de lixo”, ressaltou Cortes.

Conheça mais a ONG Atuação

Segundo Lívia Guimarães, a ONG Atuação surgiu em 2005 com a iniciativa de moradores do bairro Tijuco. Inicialmente o objetivo era envolver a juventude; depois os fundadores e voluntários resolveram que seria interessante trabalhar também com a educação de jovens.

Durante o decorrer dos anos, os participantes também descobriram que em SJDR não se fazia a reciclagem de óleo de cozinha. Assim foi criado o projeto Atuação Ecológico, que transforma esse óleo em sabão ecológico, sendo que o dinheiro arrecadado é revertido para a própria instituição.


Outros projetos desenvolvidos pela ONG são o pré-Enem, que prepara jovens para o vestibular e diversos concursos públicos; a lan-house comunitária, que oferece acesso a internet gratuitamente; o Cine Atuação, onde são apresentados filmes, documentários e eventos culturais. A instituição ainda conta com uma biblioteca comunitária e reforço escolar.

Texto: Cláudia Maria / VAN

Ensaio Fotográfico: Onde está a poesia?


Na semana em que o mundo reflete sobre o uso consciente da água, a fotógrafa Vanessa Carolina realizou o ensaio fotográfico "Onde está a poesia?". São fotos do Córrego Lenheiro, no trecho entre a ponte da Rodoviária e a ponte Luiz Baccarini. As imagens mostram o descaso do poder público e da população com o meio ambiente. 

Conheça as impressões da repórter sobre o local:

"Nasci na cidade de São João del-Rei há quase 20 anos e, desde que a memória não me falha, lembro do Córrego do Lenheiro exatamente como está hoje: poluído. É difícil para mim associar que algum dia fora de fato um córrego limpo, que deságua no Rio das Mortes. Chamá-lo de “córrego” já não é um hábito, pois córrego para mim é sinônimo de água limpa, bem diferente do que temos há tempos: um esgoto a céu aberto.

Ainda no local, quando fazia as fotos, uma moradora se aproximou e perguntou se alguma providência seria cobrada dos poderes públicos, já que, vivendo nas proximidades do córrego há 12 anos, contou que o trecho de água está sempre assim, sem melhorias. Com o mau cheiro do esgoto e nenhuma mudança, isso se torna também fonte de preocupação quanto à saúde dos moradores e das pessoas que passam próximo ao córrego todos os dias.

Vendo a foto antiga, não dá para reconhecer como sendo o mesmo local, já que o descaso é notório e sistemático. E  como se não bastasse o descaso dos órgãos competentes, todo o lixo e entulho que é depositado ali sem consciência pela própria população, há também os animais sendo criados soltos nas ruas e nas encostas. Além disso, as queimadas constituem agravantes naquela situação. 'Me estranha o fato de os cidadãos que moram nas proximidades do córrego suportarem esse caso por tanto tempo, sem terem persistido em medidas que levariam de fato a uma mudança e a um tratamento no estado de abandono em que se encontra o Córrego do Lenheiro', pontua a moradora local". 

Veja as fotos: https://www.flickr.com/photos/van_imagens/sets/72157651533168385/



O desperdício diário de água em SJDR chega a 25%


“Conseguimos driblar a seca do ano passado com a perfuração de dois poços artesianos. Está solucionado o problema? Agora sim, mas amanhã não te garanto". Essas foram as palavras do Diretor de Abastecimento de Água, José Cosme do Nascimento (Zezé), sobre a importância da economia de água na cidade, visto que a crise hídrica em São João del-Rei, apesar de ter uma vertente diferente do restante do Brasil, ainda é preocupante.

Segundo o Diretor, parte considerável da canalização de abastecimento de água da cidade está danificada. As fissuras estariam causando vazamentos nas ruas e vazamentos “não-visíveis” na parte subterrânea da cidade, gerando uma perda de quase sete milhões de litros de água por dia. Zezé acrescentou ainda que existe, na área central do município, um tipo de canalização que pode datar do final do século XIX e que nunca foi trocada.

De acordo com informações do Departamento Autônomo Municipal de Água e Esgoto (DAMAE), o desvio de água chega a representar 25% da vazão diária, que escorre para os rios ou para a própria rede de esgoto. Essa perda seria capaz de atender quase 60 mil pessoas por dia, levando em conta o uso de 110 litros diários, recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

O DAMAE afirmou que a localização dos vazamentos está sendo realizada por meio de aparelhos denominados Geofones, para que seja feita a manutenção da rede. "Está dando grande resultado", assegurou Nascimento. Já os vazamentos nas ruas, a alegação é de que isso acontece devido à pressurização da rede para a distribuição de água em pontos mais altos da região. Afirmou ainda, que já estão ocorrendo algumas trocas da tubulação na cidade com verba própria, aprovada pela Lei Orçamentária Anual (LOA), mas que “não causarão o impacto previsto que a população quer".

O projeto para a melhoria na rede de distribuição de água na cidade, como a troca do material de cano galvanizado ou cano de ferro fundido, conhecido como “cano barbará”, para cano PVC, que possui maior durabilidade que os demais materiais, está prestes a acontecer, mas sem previsão para ser aprovado. De acordo com a assessoria da Prefeitura, o Ministério das Cidades autorizou uma verba que, com uma contrapartida da própria prefeitura, somam mais de 500 mil reais para a realização desse projeto.  Em nota, a assessoria apenas confirmou que o processo licitatório para a contratação da empresa responsável vai começar em breve, apesar de o  edital de licitação ainda não ter sido divulgado.


Cada gota da conta

Levando a sério as campanhas de conscientização, Zeli Maria da Fonseca Silva, moradora do bairro Bonfim, admitiu que nunca faltou água na sua residência, mas que a seca enfrentada pela cidade no ano passado, de fato, mudou sua forma de pensar em relação à economia de água. "Eu gostava muito de jogar água na varanda. Agora eu aproveito a água da máquina de lavar para fazer isso, para economizar. Se está todo mundo pedindo, não sou eu quem vai fugir da regra", ressaltou.

Texto: Jederson Lucas / VAN

Barbacena: multas por irregularidades podem chegar a 50%


As autoridades do município de Barbacena decidiram colocar em prática com mais rigor a lei n° 3.241/95. De acordo com o Presidente do Conselho do Patrimônio Histórico Municipal, Sérgio Luiz Barreto Campello Cardoso, a lei existe desde os anos 1970/1980 e sempre esteve em vigor, mas vinha sendo deixada de lado há algum tempo. “A lei municipal nº 3.241/95, em seu artigo 87, letra D, proíbe publicidade por meio de cartazes em edifícios públicos, muralhas e grades de parques e jardins, árvores, postes das redes de eletricidade, telégrafos e telefones, leitos das vias públicas, inclusive calçadas e meio-fio, assim como em qualquer equipamento ou utensílio de uso público”, afirmou Cardoso. 

O órgão municipal tem como finalidade propor, planejar, fiscalizar e participar da elaboração da Polí­tica Municipal relativa ao Patrimônio Cultural de Barbacena.De acordo com o morador de Barbacena e administrador de empresas, Fabrício Curi, os cartazes de publicidade deixam a cidade “feia”; quando muitos são colocados de uma vez, deixam os cidadãos confusos com tanta informação, o que causa uma espécie de “poluição visual”.


Todas as leis do município de Barbacena estão disponíveis no site da Prefeitura para que os moradores tenham livre acesso e saibam o que é permitido ou não dentro dos limites da cidade.Estão ocorrendo fiscalizações noturnas e a multa cobrada pelo Ministério Público, para quem comete irregularidades contra o patrimônio pode chegar até 50% do valor do bem lesado, além da apreensão dos materiais utilizados.


Texto: Ana Luiza Fonseca Guimarães Assis / VAN

Foto: Divulgação Prefeitura Barbacena

Uso da água é tema de debate na Câmara de SJDR


“Até o fim desse ano a distribuição de água na cidade está garantida, mais se a seca continuar, teremos que pensar em um novo planejamento junto à população”. Essa foi a declaração do diretor do Departamento Autônomo Municipal de Água e Esgoto (DAMAE), Gustavo Gastão sobre o risco de desabastecimento de água na cidade. Devido à situação de seca prolongada que o Brasil enfrenta, a Câmara Municipal de São João del-Rei, juntamente com o DAMAE, realizou uma audiência pública para discutir a situação da água na cidade, na última quarta-feira (12).

Gustavo Gastão avalia que, apesar de boa parte do sistema de abastecimento da cidade ser antigo, os problemas de falta d’água “são pontuais”. Um dos principais problemas apresentados na rede da cidade é relativo aos vazamentos. Segundo o diretor, o DAMAE recebe, em média, dez telefonemas de reclamações de vazamentos nas vias públicas por dia.

A questão da educação da comunidade em relação à água foi levantado pela Vice-prefeita e Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e de Sustentabilidade, Maria Cristina Alves Pereira. “Todas as comissões precisam criar, junto com a população, uma cultura de conscientização da utilização da água”, afirmou.  Alves Pereira lembrou ainda que uma das principais agressões à natureza da cidade é a construção de moradias em áreas próximas a rios e mananciais.

Por conta da falta de hidrômetro nas casas, o prefeito Helvécio Reis decretou que, caso algum fiscal do DAMAE flagre um cidadão usando água irregularmente, o mesmo estará sujeito a uma multa de cinco vezes o valor de sua conta de água. Esse decreto, de nº 5 929, pode ser encontrado na integra no site da prefeitura municipal. www.saojoaodelrei.mg.gov.br. 

Sueli Caldas, presente na audiência,  destacou o fato de os poderes públicos estarem preocupados com a melhor utilização da água, mas ressalta que ainda falta comunicação: 
– “Muitas coisas que foram ditas aqui, a gente não tinha conhecimento. Por quê? Por conta da falha na comunicação”.

Com a audiência, o debate foi iniciado. Resta agora os poderes públicos fazerem o seu trabalho no melhor tratamento e planejamento da água; à população cabe se conscientizar e passar a enxergar a água como um bem cada vez mais escasso que precisa de melhor atenção e cuidados.

Texto: Cláudia Maria e Thobias Vieira / VAN
Foto: Reprodução Facebook Câmara Municipal de São João del-Rei

Dengue: Diminui o risco de infestação em SJDR


O resultado do último Levantamento Rápido do Índice de Infestação por Aedes aegypti (LIRAa), realizado pelo setor de Endemias da Secretaria de Saúde, nos dias 21,22 e 23 de outubro, divulgado na sexta (24), apontou que em São João del-Rei existe um baixo risco de infestação do mosquito transmissor da Dengue. O índice atual ficou em 0,7%, dentro do recomendado pelo Ministério da Saúde, que é de 1%.

Os outros dois levantamentos foram realizados em janeiro e março deste ano. Na ocasião, os resultados obtidos foram de 3 e 4,2%, que são considerados de médio e alto risco, como explica o coordenador do setor, Jean Vilela, que também comentou sobre o resultado atual:

– “O levantamento atual apontou um índice de 0,7% que, de acordo com o Ministério da Saúde, é aceitável, por 1% ser considerado de baixo risco. Acima deste indicador, até 2,9, é considerado de médio risco e acima é considerado alto risco de epidemia de Dengue”.

Foram visitadas cerca de 1800 residências sorteadas aleatoriamente durante o levantamento e, de acordo com Vilela, foram constatados 14 focos de Dengue na cidade:

– “Tivemos no bairro do Tijuco, onde encontramos três focos, Matozinhos, Alto das Mercês e Bela Vista, dois focos, Maquiné, Senhor dos Montes, Guarda Mor, Residencial São Caetano e Barro Preto, com um foco cada”.

Muitos moradores de São João del-Rei já estão conscientes em relação aos indícios de infestação da Dengue e, com pequenas medidas realizadas dentro de casa, buscam combater o alastramento do mosquito transmissor. A professora Maria Marcia Santos comenta sobre suas pequenas ações diárias:

– “Não deixo água acumulada, minha caixa de água é tampada, não deixo água nos vasos de flores, sem contar a faxina, não deixo nada jogado pelo quintal”.

Têunis Vieira de Almeida, servidor público, também aborda suas ações e ainda complementa destacando a importância de receber os agentes de saúde em casa:

– “Mantenho a caixa d’água tampada, os ralos sempre secos e recebo os agentes de saúde que todo mês vêm e conferem todos os ralos e verificam se toda a casa está dentro dos padrões”.

O estudante universitário André Tavares, que já contraiu a doença uma vez, contou que começou “a sentir dores no corpo e febre muito alta”. O estudante explicou ainda que demorou cerca de 10 dias para que estivesse totalmente curado. Durante esse período, Tavares tomava soro diariamente e remédios para amenizar as dores corporais. “Com certeza, depois que contraí a dengue, tomo muito mais precauções para combater o mosquito, não deixo mais água parada em jarros de flores e pneus, troco sempre água das plantas por areia, pois há o risco de pegar a doença pela segunda ou terceira vez”, ressalta o estudante.    

Alguns são-joanenses também opinaram sobre a necessidade de todos os cidadãos fazerem sua parte para combater os focos da dengue. A professora Santos explicou que é essencial cada um fazer sua parte, pois quando se previne, se evita o sofrimento do próximo. A comerciante Jamila Fares ainda ressalta que “se cada um fizer um pouquinho, ninguém, por perto, correrá o risco de adoecer”.

Texto: Richardson e Leonardo / VAN
Foto: Divulgação

Seca se agrava na cidade de Carrancas-MG


"Os dois homens que morreram e o brigadista, que teve 40% do corpo queimado, juntaram-se à população para tentar apagar o fogo, que estava ameaçando as casas e fazendas próximas. Não temos estrutura para combater tamanho incêndio. Nós precisamos é da ajuda de um helicóptero ou avião". Esse foi o apelo da Chefe de Gabinete da Prefeitura da cidade de Carrancas, Flávia Cristina Andrade, declarando que, desde o último domingo(12 de outubro) foram feitas chamadas para o Corpo de Bombeiros, que só chegou à cidade na manhã da quarta-feira (15), vindos de Lavras, a 70 km de distância do local da tragédia.

A cidade de Carrancas, localizada ao Sul de Minas Gerais, vem enfrentando, nos últimos dias, uma grave seca que resultou em um incêndio na Serra de Carrancas, no domingo (12). Por falta de apoio das forças oficiais de combate às chamas, os moradores decidiram conter o fogo por conta própria. A Polícia Militar confirmou que dois corpos foram encontrados e uma pessoa está gravemente ferida.

Segundo o relato de moradores do município, o incêndio que atingiu a serra teria começado com fogos de artifício utilizados durante a comemoração do dia de Nossa Senhora Aparecida. Há ainda a versão de que o incêndio teria sido criminoso. De qualquer maneira, 48 horas após o início das chamas, os moradores ainda pediam por ajuda.

O fato ocorrido no município mobilizou os moradores da cidade. “Precisamos de chuva com urgência, pois as Serras de Carrancas estão em chamas e o cenário é de um deserto de cinzas! O ar da cidade está seco, estamos embaixo de neblina e o cheiro é horrível”, comenta Poliana Rezende, ao pedir ajuda por meio de uma publicação no Facebook.

O Complexo da Zilda, atingido pelo fogo em Carrancas, é composto por diversas cachoeiras, local bastante visitado por turistas, que serve como cenário para as gravações da novela "Império", da TV Globo.

Ecoturismo

O ecoturismo é uma vocação de Carrancas - com forte potencial de expansão para os próximos anos - e também uma alternativa de renda para a população,. Embora tenha notáveis redutos de belezas naturais, Carrancas não é conhecida pelo turismo de massa, mantendo assim características e encantos de uma cidade tranquila, em equilíbrio com a natureza. “Esforços têm sido feitos por aqueles que acreditam em seu potencial, no sentido de viabilizar o turismo de forma sustentável e assim garantir a preservação de seus mananciais, sua fauna, flora e também suas tradições, fazendo com que o ecoturismo torne-se uma fonte viável nas atividades do município”, relata o guia de turismo e estudante de Geografia, David Júnior.

Atualmente, a seca tem interferido nas atividades turísticas da cidade de forma significativa. Com isso, as cachoeiras não ficam sem água, mas seu visual muda completamente, atingindo a coloração e o volume das águas. Os visitantes que vão a Carrancas nesse período reclamam de tal problema. Júlia Reis (18), da cidade de Mariana – MG, visitou as cachoeiras da cidade na última sexta-feira (10), porém, já tinha estado no local há dois anos atrás e notou que a diminuição do volume de água foi enorme. "Antes tinha medo de nadar por causa do volume da cachoeira; na sexta-feira eu consegui nadar tranquila com a água batendo no meu joelho”, afirmou.

Apesar de ser uma cidade ligada diretamente ao turismo ecológico, Carrancas sofre com crimes ambientais,  como queimadas. A moradora Isabella Oliveira (18), comenta sobre a conservação das matas:

– “Conscientizar as pessoas de que as queimadas clandestinas, além de ser crime, podem chegar a pontos extremos, não é uma tarefa fácil”.

Depois dos incêndios, o prazo para que o solo volte ao normal é indeterminado, visto que a natureza tem um tempo próprio, salienta David Júnior. “Sei que a situação não vai se resolver rapidamente, mas com o tempo tudo se concerta, tudo toma o seu devido lugar assim como era antes”, pondera esperançoso.

Texto: Andreza de Cácia e Mariana Reis/VAN

Foto: Prefeitura Carrancas

DAMAE esclarece problemas no abastecimento de água


Ex-prefeito de Prados, Gustavo Cardoso é o atual dirigente do DAMAE (Departamento Autônomo Municipal de Água e Esgoto), cujas dificuldades na distribuição de água recentemente causaram transtorno por vários dias a moradores de São João del - Rei. Diante dos problemas, a Vertentes Agência de Notícias buscou maiores informações do dirigente do Departamento.

Vertentes Agência de Notícias: Como você explica os problemas com o abastecimento de água, em especial em bairros periféricos, como o Bela Vista, Dom Bosco e Lava Pés?

Gustavo Cardoso: Esse problema existe há muito tempo. Foi feita pela gestão passada a perfuração de um poço artesiano no Bela Vista, mas ele demorou muito tempo para ser eletrificado. Recentemente, uma empresa que atua no Bairro Bela Vista eletrificou o poço, então, agora nós licitamos a bomba, o painel e o padrão e iremos o mais tardar no início de dezembro implementar esse serviço lá.

VAN: Uma queixa frequente da população é a dificuldade de se conseguir o atendimento de um caminhão pipa para melhorar temporariamente a situação. Por que isso acontece?

Cardoso: O problema é que nós temos somente um caminhão adaptado, que não é registrado no INMETRO. E, com o período da seca, o Ribeirão Xavier estava com o nível muito baixo. Agora nós contratamos um novo caminhão pipa em caráter de urgência e estamos fazendo a licitação para compra de outro caminhão. Estamos, portanto, trabalhando com dois, tentando atender à demanda, que estava muito grande. Estamos investindo com recursos próprios na compra de um caminhão pipa novo. 

VAN: O DAMAE vem sofrendo com problemas estruturais há muito tempo. Qual a situação do DAMAE hoje?

Cardoso: Nós pegamos o DAMAE com uma dívida real muito grande. Tem uma dívida com a CEMIG na ordem de 8,5 milhões original e depois passou a 16 milhões com os juros e multas. Nós temos também 11 milhões, aproximadamente, de dívida ativa, de contas a receber da população. Então, a situação financeira é preocupante. Mas no cotidiano nós conseguimos fazer um saneamento. Pagamos todos os nossos fornecedores de cloro, de química, de materiais hidráulicos, todos os pagamentos estão em dia e a gente tem mais ou menos 150 mil de reserva mensal. Tanto que nós estamos fazendo um investimento grande agora no fim do ano, comprando logística, retro escavadeira, moto e carro. Furamos poços artesianos e reformamos estações de tratamento com recursos próprios.

VAN: Apesar dos investimentos que estão sendo feitos, qual a situação em que se encontra atualmente a rede de distribuição e de captação de esgoto do município?

Cardoso: A rede de distribuição de água da cidade é muito antiga, de um modo geral as estações também são muito antigas. Muitas não tiveram investimento ao longo dos anos e, volta e meia, a população convive com buracos na rua devido a entupimentos ou vazamentos causados por mau estado da rede. Temos ainda tubos de ferro muito antigos, que estão oxidados e que, com facilidade, enferrujam, causam buracos e vazamentos. Quando o vazamento é percebido, a gente tem que arrebentar o asfalto para corrigir o problema. 

VAN: Quanto aos vazamentos, são ouvidas muitas reclamações de que, após as chuvas, as ruas são tomadas por um forte mau cheiro. Qual a relação entre o período chuvoso e esse problema?

Cardoso: O que muitas vezes acontece é a rede de água pluvial receber a rede de esgoto. Aí o pessoal vai ao DAMAE, mas a água pluvial é responsabilidade da Secretaria de Obras. O DAMAE só cuida de água e esgoto. É um problema grave esse. Isso tem de ser resolvido através de um projeto de saneamento para separar a rede pluvial da rede de esgoto. 

VAN: Em relação aos investimentos futuros, quais os benefícios e metas a serem alcançados pelo anúncio do prefeito Helvécio Reis, realizado no mês de novembro?

Cardoso: O programa lançado é um investimento de 42,8 milhões de reais vindos do Governo Federal, sendo 42,4 milhões para o projeto de saneamento. Este é um projeto que prevê a capitação do esgoto que é jogado nos cursos d´agua da área urbana e levá-lo até uma estação elevatória que bombeará para uma estação de tratamento de esgoto. Nós vamos tratar 100% do esgoto. Essa é a meta, esse é o objetivo desse projeto. O projeto está em uma fase adiantada, porque o Deputado Reginaldo Lopes conseguiu, ainda na gestão passada, recursos na ordem de um milhão de reais para que a prefeitura contratasse uma empresa para fazer um projeto executivo para a rede de esgoto. Diante dessa realidade, conseguimos colocar São João del-Rei nesse plano de investimento do Governo Federal, no PAC II, porque entenderam que a cidade estava apta a receber investimentos por conta desse projeto, por isso fomos contemplados com investimentos. Como não tínhamos projeto para água, o deputado conseguiu a verba de 400 mil reais para contratar uma empresa para fazer um projeto que analise os mananciais, a captação, que determine as necessidades de investimento. 

VAN: Quando efetivamente a população verá o início dessas obras e qual o prazo para o término delas?

Cardoso: Quanto ao prazo, a gente não pode precisar muito, porque o projeto esta na Caixa Econômica Federal sendo analisado ainda. A última etapa do projeto, feito por uma empresa de Belo Horizonte contratada pela prefeitura, já foi encaminhada junto com todos os relatórios para a Caixa Econômica Federal. Depois disso, a Caixa libera para a licitação do projeto. Então temos de esperar a conclusão da análise da Caixa para que a gente possa licitar o projeto. É uma licitação complexa, uma obra gigantesca, que será feita pela prefeitura e a gente imagina que isso não aconteça de forma rápida. Não vou fixar uma data, porque podem acontecer várias coisas. Recursos e outros entraves burocráticos. A gente tem esperança de que até metade do ano que vem a gente já tenha a possibilidade de iniciar a obra. 

VAN: E esse projeto vai resolver o problema de esgoto da cidade inteira e também vai permitir a separação do esgoto e da rede de água pluvial?

Cardoso: O projeto prevê a construção de coletores de esgoto e da estação de tratamento. Esse trabalho de separar as redes, de melhorar a rede de esgoto, é investimento próprio do DAMAE. Mas a construção da coletora é para a cidade toda, e inclusive a COHAB, que é área de responsabilidade da COPASA, vai estar incluída. Então, vamos fazer um projeto também da COHAB. E vamos também fazer investimentos paralelos à construção. Independente da construção, nós temos de continuar fazendo investimentos. 

VAN: Como se dará a organização desses recursos por parte do DAMAE e quais outras melhorias previstas?

Cardoso: Então, estamos agora correndo atrás de recursos. Serão investidos 45 milhões em esgoto e é previsto também investimento em água. Tomamos medidas internas de controle, todos os processos licitatórios são feitos com a participação da comissão. Noventa por cento deles são feitos através de pregão, coisa que não tinha antes. Então estamos estimulando a competição, comprando o que é mais barato, dando transparência para a gestão pública e o resultado está aparecendo. Nós temos dinheiro em caixa, 13º já esta em caixa, vamos fazer vários investimentos com recursos próprios e muitos investimentos na linha de organizar o DAMAE. Vamos organizar melhor o setor operacional e o serviço de tapa buraco -  este que antes era terceirizado e parcialmente realizado pela prefeitura -, que agora estamos trazendo todo para o DAMAE. Já estamos com uma equipe pronta, temos hoje brita e asfalto, processando esse material na usina. Então nós estamos fazendo vários projetos para melhorar a operação do DAMAE.

VAN/André Frigo 
Foto: Fabricio Nascimento

São João del-Rei recebe a 6ª edição da Semana do Animal


A 6ª Semana do Animal, em São João del-Rei, está acontecendo desde o dia 4 de Outubro e se estende até o dia 19. Essa é a 2ª edição que ocorre na cidade, sendo que as edições anteriores ocorreram em Salvador e Poços de Caldas. Em São João del - Rei, o evento encontrou o apoio da Universidade Federal de São João del – Rei, através de projetos de extensão, como a UFSJ Bio Agradável e o Amigos de 4 patas, além da Sociedade Protetora dos Animais.

Segundo Rogério Alvarenga, coordenador do projeto de extensão UFSJ Bio Agradável, a importância dessa Semana gira em torno de construir uma cidade que respeita seus animais, o meio ambiente e que, consequentemente, acaba respeitando os próprios seres humanos, uma vez que os problemas que envolvem os animais refletem diretamente no ser humano. “Quando a gente tira um animal da rua, a gente está ajudando a construir uma cidade melhor e vai proporcionar uma melhor qualidade de vida para os cidadãos”, completa Rogério.

A conscientização nas escolas é um dos carros chefes da programação e é a atividade que mais tem gerado repercussão. O trabalho é feito com cerca de 1000 crianças, especialmente do 3º e 4º ano do Ensino Fundamental, em dez escolas envolvidas. A mensagem passada sobre maus tratos aos animais e posse consciente tem chegado até as famílias das crianças, que contam o que aprenderam com a exibição do vídeo “Fulaninho: o cão que ninguém queria” e com o trabalho dos voluntários, por meio da cartilha da Semana do Animal, que contém várias atividades lúdicas para crianças.

“A Semana tem gerado uma repercussão muito boa, levando muitas pessoas a refletirem sobre os temas que ela traz, como os animais abandonados, o uso dos animais em pesquisas científicas e, até mesmo, o uso dos animais na alimentação”, revela Rogério.

Mara Nogueira Souto, presidente da Sociedade Protetora dos Animais de São João del-Rei, conta que, na edição passada, a feira de adoção de animais funcionou aberta ao publico, na avenida. Com isso, voltaram com mais animais abandonados do que chegaram lá. “As pessoas chegavam com caixas de ninhadas e diziam que já haviam conversado comigo e que eu tinha deixado”. Esse ano, para evitar tal transtorno, a feira aconteceu na Associação dos Sargentos, em um local fechado, o que tornou o evento mais tranquilo. Para Rogério, “se conseguíssemos um único lar para um cão abandonado, já seria uma vitória e, na feira de adoção, conseguimos dez”.

Para Leila Gaya, coordenadora do projeto de extensão Amigos de 4 patas, todos os eventos que envolvem a causa do bem estar dos animais, como o controle de natalidade, a guarda responsável e a ética, são fundamentais para o desenvolvimento e crescimento da cidade.” A própria imagem turística do município é afetada quando a saúde pública é comprometida por causa dos animais de rua” acrescenta Leila.

Segundo o coordenador da UFSJ Bio Agradável, espera-se que estudantes, servidores, técnicos e professores, funcionários da prefeitura, vereadores e cidadãos comuns estejam presentes nas palestras e que possam entender o que é o maltrato ao animal e refletir se o uso dos animais em pesquisas científicas se faz necessário. As palestras “Crimes de maus tratos”, proferida pela Dra. Silvana Lobo e “Uso de animais em pesquisas científicas”, proferida pela Dra. Edna Cardoso Dias acontecerão nesta quinta-feira, 10 de Outubro, às 19h, no Teatro do Campus Santo Antônio da UFSJ.

“Há planos de repetir e ampliar o evento para outras cidades em 2014”, afirma Rogério. Já existe um processo de conversa com outras cidades para que, na próxima edição da Semana do Animal, as atividades se alastrem por municípios diferentes.

Como participar

Para quem deseja se voluntariar e ajudar nas organizações no próximo ano, basta entrar no Facebook da Sociedade Protetora dos Animais, dos Amigos de 4 Patas, da UFSJ – Bio Agradável ou até mesmo da própria Semana do Animal e mandar uma mensagem, ou apenas entrar em contato com os responsáveis por cada uma delas. 

VAN/Lis Maldos
Foto: Mara Nogueira Souto

Campanha propõe alternativas ao uso de agrotóxicos


Em 2011, cerca de 60 organizações sociais se uniram para dar visibilidade aos malefícios do uso de agrotóxicos no Brasil, fundando a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos. A campanha tem caráter permanente pelo fato de ter como objetivo um processo de conscientização de toda a sociedade. Francis Guedes, membro da Coordenação Nacional da Campanha, explica que essa será uma luta difícil e extensa, em que serão necessários  esforços contínuos. Isso porque criticar a utilização de agrotóxicos significa criticar igualmente o modelo agrícola vigente no Brasil desde a década de 60, hoje  conhecido como agronegócio. 

Além de ser contrária aos agrotóxicos, a campanha também elabora e fortalece alternativas de agricultura não nocivas ao ambiente e à vida. O modelo mais indicado é a agroecologia, classificado como mais produtivo pelo relator especial da ONU para o direito à alimentação, em 2010, Olivier De Schutter.

Eliane Novato, professora integrante do Grupo de Estudos em Saúde e Trabalho Rural da UFMG (Gestru-UFMG), ressalta que nada pode ser mudado de um dia para o outro. “Será necessária uma substituição gradual do modelo de produção, pois fomos muito longe no modelo de agronegócio adotado”, pontua. 

A pró-atividade tem sido um dos princípios da Campanha Contra os Agrotóxicos. Para dar visibilidade ao tema, estão sendo organizadas ações em todo o país. Abaixo-assinados, protestos e informativos tem sido entregues à população com o objetivo de restringir e fiscalizar o uso de agrotóxicos. “Em algumas regiões, conseguimos até a proibição da pulverização aérea, como é o caso do município de Vila Valério, no Espírito Santo”, declara Cléber Folgado, integrante da Secretaria Nacional da Campanha.

A declaração de Cléber reafirma as ações que já estão sendo trabalhadas pelos comitês: proibição da pulverização aérea, banimento dos agrotóxicos (já banidos no exterior) e fim das isenções fiscais para os produtos agrotóxicos. E completa: "creio que a principal conquista da campanha tenha sido o debate com a sociedade, pois conseguimos pautar a problemática dos agrotóxicos, mostrando que existem alternativas”.

Em 2010, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) realizou um estudo para analisar o grau de contaminação por agrotóxico dos alimentos produzidos no Brasil. Foram encontradas duas principais ilegalidades: 

1) uso de agrotóxicos proibidos e 
2) quantidade de agrotóxicos acima da permitida por lei.

Campeões do agrotóxico*
Produtos mais irregulares do Brasil (em %)
Produtos mais irregulares de MG (em %)
Pimentão 90%
Pimentão 100%
Morango 63%
Pepino 83%
Pepino 58%
Laranja e Cenoura 66%
Alface 55%
Morango 60%
Cenoura 50%
Abacaxi, Alface e Mamão 50%

*Fonte: Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA) – Relatório de atividades de 2010, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).

Além disso, a Campanha dá dicas ao consumidor sobre como evitar produtos com agrotóxicos:
1) Saiba de onde vem o seu alimento. Procurar produtos identificados aumenta o comprometimento dos produtores em relação à qualidade.
2) Escolha alimentos da época ou produzidos pelo método de produção integrada. Esses alimentos recebem uma quantidade menor de agrotóxico.
3) Prefira sempre alimentos orgânicos. Esse tipo de produção não utiliza agrotóxicos.
4) Lave e retire cascas e folhas externas de verduras. Isso ajuda na redução dos resíduos de agrotóxicos presentes nas superfícies dos alimentos.


VAN/Rafaela Dotta e Samuel Rabay
Foto: Lis Maldos

Nast traz sustentabilidade às comunidades são joanenses


O Núcleo de Arte e Sustentabilidade (NAST) é um subgrupo do Grupo Transdisciplinar de Pesquisa em Arte e Sustentabilidade, projeto de extensão da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Desde 2010, atua em duas comunidades são joanenses, Araçá e Alto das Mercês, tratando de questões sobre a sustentabilidade em todas as suas vertentes: justiça social, paz, democracia, autodeterminação e qualidade de vida sob a perspectiva artística. 

Além disso, o NAST procura levar o debate sustentável para a vida comunitária através das crianças, que aprendem elementos do teatro como a expressão corporal, performance e jogos teatrais que, ao final de um ciclo, a partir de um evento espetacular, esclarecem as demandas e comportamentos daquele local. Os responsáveis pela inserção desses conceitos são alunos do curso de teatro, bolsistas ou voluntários,  chamados de arte-vivenciadores, definidos, segundo o coordenador do projeto Prof. Adilson Siqueira, como pessoas dispostas a vivenciar todos os aspectos da comunidade inserida, compartilhando e absorvendo conhecimento.

Em 2013, o NAST passou a ser desenvolvido junto ao Programa de Educação Financeira para Inclusão Socioeconômica Sustentável (PERFISS), do curso de Ciências Econômicas, com alunos do ensino médio de duas escolas públicas da região. O enfoque é  a educação financeira e o planejamento familiar. Para o “nastiano” Genilson Ferreira, unir conceitos do teatro com os da economia tem sido o atual desafio para os integrantes do grupo. “O objetivo é torná-los um só, remetendo a idéia de transdisciplinaridade para desenvolver com os adolescentes”, explica.

O próximo passo é a formação de multiplicadores e, segundo Adilson, um dos objetivos do projeto é que os arte-vivenciadores permaneçam nas comunidades por apenas algum período, capacitem os alunos para dar continuidade aos trabalhos e sigam para outras. E é o que está acontecendo no Araçá, onde os bolsistas Camila Ribeiro e Genilson Ferreira começam a capacitar as crianças que vivenciam o Nast há dois ou três anos. “É emocionante ver que eles começam a caminhar com as próprias pernas”, comenta Camila.

VAN/Mayara Mateus
Foto: Adilson Siqueira

Período de chuvas causa transtornos para São João del-Rei


São João del-Rei, anualmente, enfrenta graves problemas com as chuvas, principalmente na época das cheias. Em janeiro de 2012, ruas ficaram interditadas, famílias desalojadas e, inclusive, ocorreram mortes. Este ano a Defesa Civil, em parceria com a Prefeitura Municipal, lançou o "Plano de Contingência de Proteção e Defesa Civil do Município" com o objetivo de garantir a integridade física e moral da população, bem como a preservação do patrimônio público.
Segundo o chefe da Defesa Civil de SJDR, Maurilio Andrade, o plano está direcionado principalmente às questões que mais afetam a cidade: as inundações e deslizamentos de terra. Nós não temos como evitar um desastre da natureza. Então a nossa posição se trata, praticamente,  da prevenção e de como facilitar a vida dos cidadãos para que a rotina volte ao normal, após o desastre”, declara.
De acordo com Maurílio, no plano de contingência, existe um cronograma de ações e cada secretaria recebeu uma cópia deste plano. Nele, encontra-se como estão sendo trabalhados os meses de agosto a setembro, com dados sobre a forma de prevenção utilizada; a situação dos locais; a ação efetivada para melhoria; os meios empregados, entre outros.
Para a coordenadora de uso e parcelamento do solo, Ana Lúcia Lourenço – que representa Maria Cristina Alves Pereira, secretária de desenvolvimento urbano e sustentabilidade -, a parte a elas designada é a paisagística da cidade. “A secretaria do meio ambiente não trabalha diretamente com a prevenção da enchente. O que a gente faz pra poder evitar são: a limpeza dos parques, dos jardins da cidade, para que o acúmulo de sujeira e vegetação nos jardins, não entupa os bueiros, não vá para os córregos, não assoreie os córregos”, explica a coordenadora.
 Segundo Ana Lúcia, a secretaria do meio ambiente também ajuda na educação ambiental conscientizando a população através de alguns trabalhos específicos nos bairros, conferências pra conscientizar a não jogar lixo em local inapropriado para que evite aterro e corte de árvore em locais inapropriados.
 A estudante de arquitetura da UFSJ, Tatiane Estevan, acredita que São João del-Rei deixa a desejar na sua infraestrutura. “A cidade não está preparada para qualquer tipo de chuva. A situação pode melhorar se os governantes tomarem medidas imediatas e também avisarem aos moradores, que moram em zonas de risco, os perigos que correm ao viver naquele local”, finaliza a estudante.

VAN/Fernanda Rezende, Larissa Garcia e Gisele Puygcerver
Foto:Marlon de Paula

O vilão não é o tomate



A população brasileira está comendo mais, porém, com menos qualidade. Recentemente, o preço do tomate foi colocado em xeque, mas a sua qualidade não. Amostras de tomate e de diversos alimentos têm apresentado altos índices de “venenos agrícolas”, mostrando que está na hora de discutir a qualidade do que estamos comendo.

Devido à necessidade de venda, muitos agricultores passaram a utilizar “agrotóxicos” - nome dado a produtos químicos que têm como uma de suas funções melhorar a aparência dos alimentos. Porém, a boa aparência deixou de ser sinônimo de qualidade. De acordo com a nutricionista Regina Miranda, os alimentos produzidos com agrotóxicos não contêm os nutrientes essenciais à saúde humana. “Nós não comemos mais alimentos, nós comemos mercadorias”, completa a nutricionista. 

Aplicados também com a função de matar pragas e ervas daninhas, os agrotóxicos deixam nos alimentos resíduos que se acumulam no organismo humano. Um relatório do Instituto Nacional de Câncer (INCA) mostra que os agrotóxicos já são causa de diversas doenças, dentre elas o câncer, a esterilidade masculina, distúrbios do sistema nervoso e reações alérgicas. Em contraposição, o Sistema Único de Saúde (SUS) não tem estrutura para prevenir tais problemas de saúde.

A estudante Geyani Macedo afirma saber sobre alguns dos riscos que corremos ao nos alimentar de tais produtos que possuem agrotóxicos, mas diz que não deixa de comê-los, pois, pela falta de tempo e espaço, não tem como produzir seus próprios produtos e não pode ficar sem os nutrientes fornecidos pelas verduras e legumes. “O principal responsável são os agricultores que fornecem esse tipo alimento. Eles deveriam encontrar uma solução plausível para o bem comum, pois sabem dos riscos que corremos ao ingerir esse tipo de alimento”, declara a estudante.

Questionada pela reportagem sobre tais danos, a BASF, empresa produtora de agrotóxicos, respondeu que seus produtos “são cuidadosamente avaliados e aprovados pelas autoridades competentes, considerando benefícios agronômicos, aspectos de segurança alimentar e impacto ao meio ambiente.” No entanto, essa declaração contradiz a notícia divulgada pelo site G1, que relata o fim de um processo judicial sofrido pela Shell e BASF sobre danos ao meio ambiente e à saúde física e psíquica de ex-trabalhadores. 

Este caso, que foi considerado um dos maiores processos trabalhistas da história brasileira, mostra que a população do país não está parada. Ao contrário, tem se organizado para evitar o uso abusivo de químicos nocivos nos alimentos e para buscar alternativas.


VAN/Rafaella Dotta e Samuel Rabay
Foto: Lis Maldos



Zuenir Ventura no 8º Felit


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