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Solar da Baronesa recebe jovem pianista


O Centro Cultural da Universidade Federal de São João Del, no Solar da Baronesa, recebeu recentemente a pianista Laura Boaventura. O evento, que teve um grande público, faz parte da Série POESILÚDIOS, organizada por Gabriel Casara, professor do Curso de Música da UFSJ e coordenador do Projeto. Essa série, que iniciou no dia 25 de outubro com o pianista italiano Lorenzo Pone, tem como objetivo trazer a São João del-Rei, espetáculos culturais da capital mineira e que circulam em estados como Rio de Janeiro e São Paulo, de acordo com Casara:

- “Para os alunos da música, é muito importante assistir pessoas da mesma faixa etária que eles e ja são artistas que se destacam mundialmente; serve como exemplo e estimulo.” 

Mestre em Piano solo, graduada ela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), durante seu curso no Brasil, Laura Boaventura, estudou com  pianistas renomados, como a russa Alla Dadaian. A instrumentista participou também de um processo seletivo no qual concorreu a uma bolsa de estudos com a pianista Araceli Chacon. Original de Uberlândia, a mineira, iniciou os estudos em música aos sete anos de idade e em seu primeiro recital público, aos 13 anos, se destacou por seu desempenho.

Pela primeira vez em São João del-Rei, a pianista afirmou que seu interesse pelo instrumento surgiu a partir da escola de Balet da sua mãe onde havia um piano de armário. 

Após passar seis anos na Rússia completando os estudos de piano, Boaventura afirma que o estudo instrumental pode ser considerado uma ciência e reconhece que grande parte da sua experiência é devida à Escola Russa, além de experiências pessoais em concertos por outros países.

A empresária Carla Cristina Rodrigues de Oliveira Etz ficou sabendo do concerto em uma padaria do centro da cidade e resolveu trazer a filha Manoela de 9 anos para prestigiar o evento. Carla Oliveira  acha muito importante que sua filha tenha interesse por concertos como esse e disse que Manoela já demonstra interesse pelo piano.

Repórteres: VAN / Carolina Colombi e Nara Mendonça
Foto: Carolina Colombi e Nara Mendonça

Conselhos aos jovens músicos no Solar da Baronesa


“O que nós apresentamos foi uma criação a treze mãos, ou melhor, a vinte e seis mãos”. Assim a professora Carla Reis definiu a realização do projeto "Conselhos aos Jovens Músicos" que aconteceu recentemente no Solar da Baronesa. Doze alunos de piano da UFSJ apresentaram o recital baseado no livro “Conselhos musicais para o Lar e para a Vida” do compositor alemão Robert Schumann. “A ideia era unir a turma de piano, o que não é muito usual, até porque o piano é um instrumento solista, inclusive as aulas são individuais. Então eu lembrei desse livro e pensei nele como um fio condutor das apresentações”, explicou a professora.

O livro que serviu de inspiração para o concerto traz vinte conselhos de Schumann (1810-1856), um dos principais expoentes do Romantismo musical. Entre eles, “ame seu instrumento, mas não o considere com vaidade ou como único ou superior ao dos outros”.

Com o intuito de divulgar a apresentação, os alunos produziram vinte vídeos -  um para cada conselho do compositor alemão - que podem ser conferidos no youtube. “O que nos motiva a fazer o nosso trabalho é o público e a gente fica feliz de ver que ele compareceu e gostou da apresentação”, comemorou a aluna Gabriela Vieira.

Essa também foi uma preocupação do aluno Paulo Borges:

- “Havia uma certa dúvida se as pessoas viriam assistir à apresentação fora da universidade e a gente fica feliz de ver que o público compareceu”.



Lara Santos, que estava na plateia, se surpreendeu pela informalidade das roupas dos músicos. “Deu para ver que cada músico tem o seu jeito de tocar, cada um tem seu estilo, inclusive nas roupas. Achei isso muito interessante”, observou. 


Texto: VAN/Camilla Silva
Fotos: Camilla Silva

Aulus Rodrigues toca em São João del-Rei


“Aprende-se música escutando música”. Essa foi a declaração do coordenador do programa de extensão Música 21, Prof. Antônio Carlos Guimarães, que organizou, na última sexta (24), no Centro Cultural da UFSJ, o concerto “Circulação 2014”, com o violonista Aulus Rodrigues. Guimarães contou que o programa é uma via de mão dupla, levando para a comunidade a oportunidade de presenciar concertos, trazendo também uma complementação para o ensino da música na graduação. A iniciativa é uma parceria do instrumentista, apoiado pela lei de incentivo de sua cidade natal, São Gonçalo do Rio Abaixo, com a UFSJ.

Em sua terceira apresentação na cidade, Aulus Rodrigues elogiou a acústica do lugar e comentou ter ficado maravilhado ao ver um público diversificado, com algumas pessoas que não tinham relação tão intensa com a música:

– “Guio-me pelo o que gosto e tento sempre uma variedade de períodos históricos. Gosto sempre de mostrar para o público um aspecto grandioso”.




Em visita à cidade, os capixabas Ariadne Fiorrot e Diego Manoel Borges contaram que foi um privilégio poder assistir ao concerto e que a apresentação transmite uma sensação de leveza.

A turnê de Aulus, cujo repertório é composto por músicas clássicas, inclui Bach, Villa-Lobos, Almeida Prado e Sérgio Assad, já passou por São Gonçalo do Rio Abaixo, Itabira e agora por São João del-Rei; o espetáculo vai continuar por mais quatro cidades, incluindo Ouro Branco e Belo Horizonte.

Veja como foi:



Texto: Carolina Colombi / VAN
Fotos: Jederson Lucas

Banda local é uma das mais tradicionais do estado


O contra-mestre da Banda e Orquestra Lira do Oriente de Santa Cecília, Roberto Múcio de Carvalho, se mostra orgulhoso com a adesão das novas gerações à banda, cujos membros mais jovens têm de 13 a 15 anos. O 118º aniversário da orquestra do Distrito do Rio das Mortes foi recentemente comemorado em um evento que homenageou também sua patrona e padroeira dos músicos Santa Cecília.

Fundada em 1895, a Banda é admirada por onde passa. Como conta o contra-mestre Carvalho, “até Tancredo Neves, em 1965, elogiou os músicos, dizendo: 'esta banda é muito importante. São os brincos de minhas orelhas!'”.

O pároco emérito Monsenhor Juvenal igualmente elogia a perseverança dos músicos, parabenizando-os pela data. Ele completa, dizendo que “essa comunidade é rica em talento. Mesmo sendo um povo humilde, sobressaem na cultura, na arte e na fé”. Além disso, o Monsenhor demonstra satisfação por as missas serem cantadas em latim, “como antigamente”, frisa ele.

José Fernandes de Carvalho, que assumiu a presidência da Orquestra recentemente, se mostra satisfeito com o cargo e confiante na parceria com os músicos em prol do crescimento da banda.

A Lira do Oriente de Santa Cecília é uma das mais tradicionais do estado de Minas Gerais, sendo a terceira mais antiga de São João del - Rei. A Banda, além de integrar as festas religiosas e atividades culturais do Distrito do Rio das Mortes, participa de diversos encontros de bandas no Campo das Vertentes.

VAN/Willian Carvalho
Foto: Willian Carvalho

Antônia da Percíla fala sobre sua paixão pela música


No último dia 22, foi comemorado o Dia do Músico, data em que é celebrado o dia de Santa Cecília, padroeira dos músicos. A profissão do Músico, como profissão regulamentada, surgiu com a promulgação da Lei Nº 3.857, de 22 de dezembro de 1960.

Por todo o país, há importantes músicos que se destacaram em diferentes épocas, muitos tocando em conjuntos, bandas, outros em carreira solo ou ainda como cantores. Há também os profissionais, aqueles que realmente “vivem da música”, enquanto alguns têm a música como hobby. Por fim, há aqueles que lançam mão da música para contribuírem com a comunidade de alguma forma, tocando em espaços religiosos e não religiosos ou ensinando sua arte para crianças e adultos. Dentre estes, se encontra Antônia Geralda Santiago - a Antônia da Percíla.

Moradora da cidade de São Tiago, Antônia da Percíla tem, desde a infância, grande afinidade com o encantado mundo dos acordes. Ainda jovem, aprendeu as teorias fundamentais da música no canto e em diversos instrumentos. Com esse talento, começou a cantar em corais da igreja, bandas de música da cidade e, ainda, fundou corais infantis com o objetivo de ensinar música à crianças do seu bairro.

Em entrevista realizada pela VAN/UFSJ, ela conta um pouquinho da sua história, relembra pessoas e fatos importantes que a música a fez viver.

VAN/UFSJ: Como nasceu a sua relação com a música?

Antônia: “A minha relação com a música começou na minha infância. Já gostava de cantar, dançar. Vim de uma família com raízes na música. Minha mãe foi cantora, meu pai gostava muito de música. Me lembro quando era bem pequenina, São Tiago era muito pequena, e existia aqui no Bairro Cerrado um boteco e meu pai me levou em sua companhia para eu ver e ouvir um senhor do Capão. Lá, ele cantava e seu irmão tocava sanfona, e meu pai se alegrava muito.”   

VAN/UFSJ: Quem influenciou você nesta arte?

Antônia: “O tempo foi se passando fui ficando moça e, naquela época, as pessoas jamais conversavam sobre os dons ou aptidões que a pessoa possuía para aprender algo. E, com isso, cresci mais um pouco e via as pessoas tocarem violão e outros instrumentos. Eu tinha o desejo de fazer isso também. O Sr. Guguti tinha um chorinho e, nas apresentações teatrais da escola, tocava para a gente cantar. Como vendia biscoitos na cidade, eu aproveitava para passar lá ao final das vendas e ficava apreciando. Acabava aprendendo quando observava ele tocando ou quando me mostrava uma partitura. O Sr. Quinzinho ensinou música à minha mãe Percíla, e Maurício Jefferson Pinto, o filho dele, me ensinou. Já na juventude, não tive condições de ter um violão, que era meu grande sonho. Somente anos mais tarde, quando já era casada, ganhei meu primeiro violão de presente. Foi um momento especial na minha vida quando peguei o violão. Aquelas duas posições que haviam me ensinado estavam ali, gravadinhas na minha cabeça. Lembrava-me como se fosse naquela época o Sr. Guguti fazendo. Consegui também fazê-las direitinho. Depois já tinha estudo música na Orquestra da Banda, resolvi aprender a tocar um instrumento de sopro, mas infelizmente não se tinha instrumentos com fartura, então tive que pegar um bombardino já bem usado e um pouco estragado. De lá para cá, com o princípio do violão, comprei um cavaquinho que era tocado pelo Sr. Vicentão nas Folias de Reis, esse já falecido. Logo pensei: quem iria me ensinar? Mas disse a mim mesma: ‘são quatro cordas, o violão são seis, aqui eu começo de baixo para cima, sobrou duas para baixo, a posição está feita’. Depois, tinha um bambolim no coral da Raegina Coelli da dona Ilza Rosa, que foi comprado no tempo do saudoso Sr. Cardoso, que foi músico nesta cidade há muitos anos. Resolvi pegar e tentar observar como se fazia para tocar. Deu certo! Consegui também tocar. Até aqui já estava tocando violão, bombardino, cavaquinho e bambolim. Agora, ganhei uma sanfoninha tem poucos meses, mas já consigo tocar algo e cantar junto, sem ninguém me ensinar. Depois de todos esses instrumentos, vem o violino. Tinha na minha cabeça a esposa do Sr. Joaquim Pinto Lara (Sr. Quinzinho), que foi maestro da nossa banda, tocando violino no coro da Igreja Matriz antes da reforma. O tempo passou, não falava com ninguém sobre o meu desejo de tocar violino, mas apenas guardava em meu coração. Um dia, meu filho Davi acho que me ouviu conversando sobre o violino, pois estava todo contente em conhecer o Conservatório de Música de São João del-Rei. Então ligou para a professora dele, conseguiu comprar um para mim. Com pouco tempo, chegava para mim de presente o tão sonhado violino. Fui um tempo no conservatório a fim de aprender mais esse instrumento especial.”

VAN/UFSJ: Qual o estilo que mais admira?

Antônia: “Admiro muitos estilos musicais, sobretudo o sertanejo, caipira e o religioso, que é a minha vida, minha alegria. Possuo em minha casa um baú bem grande cheio de partituras com diversos repertórios. Em casa existem músicas para determinados eventos. As músicas são preparadas para cada momento ou celebração. Tenho para qualquer ocasião e tudo arrumadinho.” 

VAN/UFSJ: Já participou de algum evento de grande importância?

Antônia: “Sim. Já participei de eventos escolares importantes, quando estudava era sempre a da frente. Não perdia nada, sempre estava lá! Depois que fui crescendo, participei de encontros de bandas, quando era integrante da Banda Lira Imaculada Conceição. Também participei de Show de Calouros aqui em São Tiago. momentos religiosos e festivos na cidade. Já apresentei numa igreja em Belo Horizonte. Em São João del-Rei, me apresentei no Conservatório.”

VAN/UFSJ: Já realizou algum projeto voltado à música?

Antônia: “Sim. O projeto que realizei foi a criação dos corais da Igreja do Rosário. Fiz para se ter na igreja um coral aqui do bairro que pudesse estar presente nas celebrações das missas. Assim, resolvi chamar pessoas aqui do Cerrado que tocassem e pudessem sustentar o canto litúrgico. O que deu muito certo! Bem mais para frente, criei corais voltados para crianças, o das Pastorinhas, um com Folia de Reis para o Natal com instrumento tocando os instrumentinhos com músicas do nascimento de Jesus, também com o objetivo de aprender mesmo a tocar”.

VAN/UFSJ: Deixe uma mensagem.

Antônia: “Vou deixar aqui a mensagem para todas as pessoas não só da nossa terra, mas do mundo inteiro. A música e o cantar são dois remédios bons para a saúde, pois quando estamos com a cabeça atormentada com preocupações, tristes, sem saber o que fazer e tem-se que cumprir as obrigações diárias, a música é uma forma de relaxar, distrair, entreter, dá uma sensação de bem estar. Quando assim estou, faço uso da música no meu dia a dia! Daí, vou lá, pego um instrumento, toco, canto e me sinto bem. É como se fosse um remédio. Cante e vai melhorar!”

VAN/Marcus Santiago
Foto: Marcus Santiago

Duo Jazz Festival atrai mil pessoas em Tiradentes



A sexta edição do Duo Jazz Festival movimentou a cidade de Tiradentes (MG) no feriado passado. O evento foi encerrado no último domingo (17) e cerca de mil pessoas prestigiaram os shows de música instrumental, conforme estimativa da Polícia Militar.

Este ano, o Duo Jazz trouxe vários artistas. O homenageado desta edição foi o maestro e pianista, Gilson Peranzzetta, considerado um dos melhores arranjadores do mundo. Peranzzetta comandou um show aberto e ministrou uma oficina durante o evento. Para o professor do curso de música da UFSJ, Guilherme Vincens, “é a oportunidade dos alunos [da graduação] verem concertos de alto nível da música do jazz. Vicens acrescenta que o contato com o maestro permitiu que os participantes tivessem “uma ideia de onde podem chegar”.
A arquiteta carioca Jaqueline Gonçalves chegou sexta-feira à cidade para aproveitar a folga e ainda pode curtir um pouco do festival. Jaqueline apreciou a música experimental na pousada em que esteve hospedada e conta que ao apresentação do “grupo ‘Araribóia blues Band’ estava impecável, com um repertório maravilhoso e bem balanceado”.
Os músicos do Duo Pianíssimo, Catarina Moura e Mauro Continentino abriram a programação da praça Largo das Forras. Pela primeira vez, eles se apresentaram juntos em um festival de jazz. Na visão de Catarina Moura, a experiência de tocar em uma praça ao ar livre “é tudo que faltava para gente”. Continentino comemora: “é muito bom participar de um evento promovido por um músico colega, numa cidade tão bonita e simpática como Tiradentes”.
Catarina Moura avalia que é “possível notar a boa aceitação desse projeto na cidade”. Segundo o organizador do evento, Vicente Martins Filho, o Duo Jazz Festival nasceu há nove anos do desejo em aumentar o movimento nessa época do ano, considerado baixo, aliando “o útil e o agradável: a minha paixão pela música e a melhoria para o lugar onde vivo”.

VAN / Rhafaela Resende
Foto: Aline Margotti










Perfil Gilson Peranzzetta: O Arranjador e a Estrela


Quem vê a agilidade do maestro Gilson Peranzzetta ao tocar o piano, o acordeon e até mesmo o clarinete, não imagina que os tendões de seu braço direito sejam feitos de nylon. Foi em 1965, enquanto cumpria o serviço militar obrigatório, que o jovem Gilson, de 19 anos, vítima de um tiro acidental de metralhadora Ponto 30, quase viu o final de sua carreira como instrumentista. Coincidentemente ou não - como frisa o músico ao citar a máxima de Alan Kardec, de que nada é por acaso -, havia por ali um médico chileno que  estava no Brasil participando de um congresso de tendões de nylon. Ao saber da possível amputação, ofereceu-se para aplicar a então inovadora técnica que, para a felicidade da música brasileira, salvou o braço e os sonhos do rapaz que tocava nos bailes da noite carioca. 

Gilson, hoje com 67 anos, iniciou sua carreira na música desde muito cedo. Com 10 anos integrava junto a seu irmão Gelson, a chamada “Dupla Pingue Pongue”, nome dado devido ao patrocínio dos meninos acordeonistas pela marca de goma de mascar “Pingue e Pongue”. Naquela época, os irmãos se apresentavam no Fã Clube Mirim de Brás de Pina, bairro onde o músico nasceu e onde fica a rua Marari, que mais tarde viria a ser o nome de seu próprio selo, a gravadora “Marari Discos”  criada por Peranzzetta em 1999.

Pianista, compositor, arranjador, orquestrador e regente, o músico, escolado internacionalmente, firmou diversas parcerias ao longo de sua carreira. Nomes como Hermeto Pascoal, Jorge Vercilo, Gal Costa, Nana Caymmi e Gonzaguinha fazem parte do extenso currículo de Gilson, também conhecido como “O Arranjador das Estrelas”. Porém, sua principal parceria foi com Ivan Lins, músico do rio, que conheceu em 1974 após voltar de uma turnê pela Europa. Os frutos da união foram fartos: nos mais de 10 anos de dupla, ganharam o mercado norte-americano e tiveram sucessos gravados por grandes nomes do Jazz, como George Benson, Take Six, Jane Monheit e Quincy Jones. Jones além de músico era o produtor dos dois nos EUA e um grande admirador do brasileiro, tendo inclusive citado em uma entrevista para José Maurício Machline, Gilson Peranzzetta como o quinto melhor arranjador do mundo!

Em 1985, porém, a parceria Peranzzetta-Lins chegava ao fim. O aclamado arranjador das estrelas sentia vontade de alçar vôos com seu próprio corpo celeste. A partir daquele ano, o pianista começou a gravar seus próprios álbuns, começando por Portal dos Magos, no mesmo ano. Hoje, com 40 discos solo e mais de 150 canções sob o selo de sua gravadora, é indubitavelmente um dos grandes nomes da música Brasileira, paixão maior de sua vida. “A música é minha religião, o palco a minha igreja e o piano o altar onde humildemente eu faço as minhas orações”, relata o músico.

Atualmente, Peranzzetta participa dos mais importantes festivais de Jazz do mundo, realizando todo ano, turnês pela Europa, Eua e Japão. Além disso, trabalha como maestro e arranjador junto a WDR Big Band, na Alemanha, utilizando um repertório genuinamente brasileiro. Em suas composições e arranjos, mesmo que mesclada a outras nuances sonoras que o caracterizam como um músico cosmopolita, fica clara a presença de sua brasilidade musical, elemento primordial de sua música. Para Gilson, a música brasileira é a música mais linda do mundo.

O elegante senhor de rabo de cavalo e barba grisalha, de imensa bagagem e tendões de nylon, é o músico homenageado pelo 6º Festival Duo Jazz de Tiradentes e se apresenta dia 15 de outubro nos palcos do evento, que é aberto ao público. Com a participação do cantor João Senise, Peranzzetta é a grande estrela da constelação de artistas da atual edição. Trazendo todo um universo de Jazz e MPB consigo, é uma atração imperdível para aqueles que se dizem amantes da boa música.

VAN/ Samuel Rabay
Foto: Site oficial Gilson Peranzzetta

Trio faz tributo a Dorival Caymmi no 6º Duo Jazz Festival de Tiradentes


Os músicos Kaquico Dias, Fernando Hargreaves e Jaber fazem um tributo a Dorival Caymmi no 6º Duo Jazz Festival de Tiradentes. A apresentação acontecerá no dia 16, às 20 horas na Fundação Oscar Araripe. 

O trio, que já tocou junto em outras oportunidades, trará pela primeira vez um repertório só de Dorival Caymmi. O pianista Kaquico, conta que a idéia do tributo veio da proximidade da família Caymmi com a sua, de modo que eram muito unidas. "Cresci escutando Caymmi, privilégio que muito me influenciou no caminho da música.", acrescenta o músico.

Mesmo com a intimidade com a obra de Caymmi, Kaquico considera ser desafiante transpor a música do cantor para um trio de piano, contrabaixo e bateria voltado para o jazz. Segundo o pianista, algumas adaptações foram realizadas, "Senti necessidade de interpretar algumas canções também por julgar difícil dissociar a letra da melodia. Esperamos transmitir ao publico a emoção que é interpretar a obra de Caymmi".

O 6º Duo Jazz Festival acontece entre os dias 14 e 17. O homenageado será o maestro Gilson Peranzzetta. O evento traz ao palco atrações nacionais e internacionais da música experimental. Os shows na praça Largo das Forras são gratuitos. A programação pode ser consultada na internet: 
www.facebook.com/duojazz .

Fundação Oscar Araripe: R. da Câmara, 92, Tiradentes/MG.

VAN/Fernanda Morais
Foto:Arquivo Pessoal

Os ingressos da maior micareta indoor do Brasil já estão à venda



Já estão à venda os ingressos para a 18ª edição do Carnalfenas, evento que acontece na cidade de Alfenas, sul de Minas Gerais, e atrai pessoas de todo o Brasil. O Carnalfenas é considerado a maior micareta indoor do Brasil.

As atrações foram escolhidas por pesquisas e enquetes para celebrar a “maior idade” do evento. Os baianos Tomate, Ivete Sangalo, Cláudia Leitte, Tuca Fernandes, Chiclete Com Banana, entre outros marcarão presença e prometem agitar a festa. O sertanejo também terá seu espaço com as duplas Munhoz e Mariano e também Fernando e Sorocaba.

“O Carnalfenas é muito animado, tem muita gente bonita”, afirma o engenheiro Pedro César Carneiro, que já esteve presente no evento. Segundo o administrador Rodrigo Ferreira, o Carnalfenas é um carnaval fora de época e é excelente, com uma organização surpreendente.
Fernanda Lemos, professora de Educação Física, já esteve presente em duas edições do evento e pretende ir novamente esse ano. “Um evento perfeito, com possibilidades para todos os tipos de pessoas. Muito bem planejado, com estrutura e atrações de ótima qualidade. Vale muito a pena conferir!”, ressalta Fernanda .

A festa acontece entre os dias 31 de outubro e 3 de novembro. Os passaportes e os ingressos individuais já estão à venda através de comissários, na sede do Carnalfenas, e no site do evento: (http://www.blueticket.com.br/?secao=Eventos&q=carnalfenas). 

VAN/Bruno Marques e Fernanda Rezende
Foto: Reprodução

Banda são joanense mescla músicas populares com elementos eruditos


Fundada nos primórdios de 2003, a banda são joanense Galwem apresenta uma proposta diferenciada ao mesclar música celta (estilo originário da Irlanda, Escócia, País de Gales e França), Folk Rock, Rock Rural e Rock progressivo. Em suas apresentações, instrumentos eruditos como violinos e flautas são utilizados em adaptações de musicas populares e dividem a atenção com agradáveis performances de guitarra e contrabaixo, instrumentos mais íntimos ao público. 

Com um álbum lançado em 2005 - intitulado Ouça minha voz -, a banda está em estúdio para lançar seu novo álbum: Joaquim e o barril de Carvalho. O grupo já ganhou vários prêmios em terras mineiras, como 1º lugar no quesito releitura musical e banda revelação do Festival de Música de Nazareno – FestNaza; 1º lugar do Festival de Música da Universidade Federal de Minas Gerais; 1º lugar no festival de bandas de Rock do Inverno Cultural da Universidade Federal de São João del Rei por 3 anos consecutivos, além de ter sido convidada a se apresentar no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro.

O repertório da trupe que se apresenta em diversas cidades mineiras e em outras do território brasileiro, varia de clássicos do rock como Led Zeppelin e AC/DC, além de releituras de afamadas bandas brasileiras como “Secos e Molhados” e algumas composições próprias. Com letras apaixonantes e alegres, a banda cria um ambiente mágico e provoca empolgação no público que assiste aos seus shows em festivais de música, casas de espetáculos e teatros.

A banda, que inicialmente se chamava Music Orionis, se firmou no cenário musical local por sua autenticidade e ousadia. Influenciados essencialmente pela banda espanhola de folk metal Mago de Oz e pelo rock rural de Sá e Guarabira, os integrantes da banda exibem-se caracterizados de exímios celtas durante os shows, sendo a presença do som da flauta a característica marcante do som elaborado por eles. 

Marcos Carvalho, flautista e um dos fundadores da Galwem, explica o processo de elaboração de uma das canções mais conhecidas da banda: Barril de Carvalho. “A composição se deu por meio da interlocução de fragmentos de temas irlandeses com temas próprios e arranjos de flauta imaginados por mim”, explica Marcos. Para Kaio Conte, fã da banda desde o início de sua trajetória, a Galwem se firmou no cenário musical da cidade de maneira persistente e esse é o principal diferencial da banda.

Atualmente a formação da Galwem conta com Gabriel Carvalho no vocal e violão, Marcos Carvalho na flauta, wistler e mandolim; Caio Campana no contrabaixo elétrico, Samuel Mangia na bateria e percussão e Thiago Daher na guitarra e violão.

Confira uma entrevista concedida pelo vocalista e um dos fundadores da Galwem, Gabriel Carvalho, que disserta sobre o processo de formação e sobre a inserção da banda no cenário musical brasileiro.

Ana Claudia: Muitas bandas de rock preferem não ser categorizadas – naquele hábito que temos de dar rótulos para explicar um som. Vocês, no entanto, compõem um som bastante característico do rock celta. Quais são suas influências e como se deu a escolha por este estilo?

Gabriel Carvalho: Na verdade foi um processo natural, por já estudarmos violino, flauta, violão erudito e instrumentos eruditos.  E as influências são o Rock clássico, suas fusões, a musica Celta, Flamenca, o Barroco Rococó das cidades Históricas Mineiras e música regional Brasileiro com ênfase na musica mineira.

A.C: O nome Galwem foi inicialmente dado por vocês em função dos nomes dos componentes da banda, porém no galês antigo o verbo Galw significa ‘Chamar’ e Galwem significaria ‘Chamamos’. A partir de suas melodias e letras tão originais, ao quê vocês estão “chamando”? Que ideologia funciona para a banda?

G.C: A diversão. A busca pelos sonhos. Chamamos a atenção para uma realidade menos cinza e negra, com mais camadas de cor, aventuras, sorrisos e paixão.  Afinal de contas como diz Augusto Cury “A vida sem sonhos é uma manhã sem orvalho, um céu sem estrelas, um oceano sem ondas, uma vida sem aventura, uma existência sem sentido”. 

A.C: O que, na sua opinião, seria uma iniciativa importante, do poder  público ou de setores ligados à cultura, para que bandas independentes como vocês tenham mais espaço no cenário musical?

G.C: Primeiro é importante investir em educação, para que as pessoas tenham senso crítico e, consequentemente, exijam musicas e artistas de qualidade, e não o que a gente anda vendo por aí. Logo, mesmo com incentivos dados é necessário que as grandes centrais de divulgação ajudem no processo. Abrindo espaço para músicos que estão começando e, até mesmo aqueles que já têm estrada, para que chegue a todos o trabalho realizado por aquele artista.

VAN/ Ana Claudia Lima
Foto: Ana Claudia Lima

Músicos são-joanenses enfrentam problemas


Os primeiros registros de uma produção musical em São João del-Rei são de 1717, quando a até então Vila, prestigiava a visita de Dom Pedro de Almeida e Portugal, governador da capitania de  Minas Gerais. Após quase três séculos, a cidade se consolidou como pólo musical. Desde orquestras centenárias que entoam tradição, a grupos musicais jovens que enaltecem a diversidade cultural, através de composições autorais e cover. 

As festas de repúblicas e bares são os lugares preferidos de grande parte de músicos. A cantora de MPB, Nini Gallon, comenta que nos meses de setembro e outubro, realiza shows em festas de casamento em Tiradentes. Caio Campana, baixista da Galwen, banda de música celta, explica que o grupo tem um público específico, devido ao estilo que produzem, frequentemente realizam shows em Ouro Preto, Juiz de Fora, Divinópolis e Belo Horizonte.    

A migração dos shows das bandas é um fator que os músicos da cidade apontam como contorno para os problemas observados na cidade. A falta de casas noturnas é um ponto. Campana diz que a rigorosa fiscalização de casas noturnas, desde o incidente que ocorreu na boate Kiss, em Santa Maria, obrigou algumas casas fecharem as portas. “As casas de show daqui sempre foram muito ruins em questão de estrutura, mas chegava a ter um lugar para cada tribo. Quando houve a cassação de alvará ficou difícil, pois limitou os lugares para galera tocar”, ressalta.

Apesar das dificuldades enfrentadas, Nini Gallon, aponta algumas saídas para enfrentar os problemas. Uma delas seria um encontro de todos os músicos para conscientização da importância da música e as dificuldades no cenário da cidade. “Discussões a respeito desse cenário musical, assim como da importância da arte, pois assim, a partir da conscientização coletiva, poderá acontecer a valorização do artista, e consequentemente, surgirão melhores condições para a realização plena da Música, da Arte”, conclui.


Qual o espaço da música independente?

O Coletivo Sem Eira Nem Beira juntamente com a Rede Fora do Eixo de Festivais, realiza alguns eventos que procuram dar visibilidade a bandas de música independente, que enfrentam a falta de shows, devido o repertório próprio, e a acusação de não atrair público.. Envolvida na organização de festivais como o Grito Rock e o Festival Miralonge, Lívia Tostes, gestora do Coletivo, destaca a dificuldade desses artistas de conseguirem espaços para tocar em pubs e casas noturnas. Sua intenção é desmistificar a opinião que os donos desses lugares possuem do artista autoral. “Os pubs não aceitam música autoral por que dizem não ter público, o que provamos que isso é um pensamento errado, pois no Miralonge (realizado em 2012) foram três dias de festival que tivemos cerca de 350 pessoas por dia”, explica.

Gerente e promoter de uma casa noturna, Jacson Batista, declara, que nunca trabalhou com artista de música autoral, mas destaca que autoriza algumas bandas a tocarem algumas músicas de composição própria. Batista, ainda revela um projeto futuro da casa, de realizar um campeonato entre bandas da região. “Nós vamos abrir uma seleção, e realizar um cadastro de várias bandas (...) a princípio não iremos pagar cachê, mas no final vai ser escolhida uma banda, que já vai ter um cachê e ainda vai ter gravação de um CD ou alguma coisa assim. Já é um projeto para esse ano ainda”, declara.


VAN/ Ana Martins, Gisele Puygcerver, Marlon de Paula e Stella Sampaio
Foto:Marlon de Paula

II Encontro musical de alunos agita noites de São João del-Rei




Nas últimas sexta-feira (21) e sábado (22), o Teatro Municipal de São João Del-Rei sediou a segunda edição do Encontro Musical de Alunos. Promovido pela escola de música Sonora, o evento contou com diversas apresentações musicais para os mais variados gostos. Muito rock 'n' roll, bossa nova, pop e sertanejo pôde ser apreciado pelo público presente.

Antônio Guilherme, professor de guitarra da escola e um dos organizadores do encontro, diz que o número de participantes praticamente dobrou este ano. Para os alunos sem a experiência e o primeiro contato com o palco, houve um preparo vigoroso e a expectativa de todos para a segunda edição era a melhor possível. 
“Alguns alunos que já participaram ano passado estão bem empolgados, outros que participam pela primeira vez estão com aquele medo de palco. Mas fizemos um trabalho de performance musical com eles, trabalhamos também essa questão psicológica do aluno”, ressalta.

Um dos mais jovens a se apresentar foi Paulo Cesar. Com apenas 10 anos, levantou a platéia ao tocar em sua guitarra "Smoke On The Water", sucesso da banda britânica Deep Purple. O garoto estava muito ansioso, pois era sua primeira apresentação. “Sonhei com esta noite a semana inteira, ensaiei muito. Estou muito ansioso para tocar a música do meu guitarrista ídolo”, conta.

Já se apresentando pela segunda vez no evento, a aluna Ana Beatriz, de 18 anos, começou a fazer aula de canto antes mesmo de entrar na Sonora. “Hoje estou menos ansiosa, mas mesmo assim dá um frio na barriga”. Ana participou da apresentação de abertura do evento na sexta-feira e fez um solo de voz e violão no sábado, com a música Toxic da cantora norte-americana Britney Spears.

A terceira edição do evento já tem data marcada e, de acordo com Antônio Guilherme, será no mês de novembro deste ano, ainda sem local confirmado. Mas assim como as duas edições anteriores, espera-se que seja um sucesso entre a comunidade são-joanense. A estimativa é que cada vez mais a população possa prestigiar o trabalho destas futuras estrelas da música.

VAN/ Iolanda Pedrosa; Joyce Andrade; Sarah Evelyn
Foto: Sarah Evelyn

Banda Theodoro de Faria encanta seus espectadores




Banda Theodoro de Faria em SJDR

Na noite da última quarta feira, 12, a centenária Banda Theodoro de Faria abrilhantou o dia dos namorados com uma retreta. Com sede na Rua Santo Antônio, em São João del - Rei, a banda teve presença marcante na festa do santo casamenteiro.

 “O nosso maior objetivo é manter a tradição e conquistar cada vez mais pessoas para nos ajudarem na construção da história da banda. Eventos como esse são oportunidades para demonstrar nosso trabalho e abrir portas para que se perceba que a música vai além das notas da partitura, e que a melodia pode encantar e proporcionar momentos de grandes emoções, especialmente hoje, dia dos namorados”,  ressalta Walter, 23, componente da mesa administrativa da banda.

Os presentes puderam se deslumbrar com o repertório variado, com músicas desde temas de novelas a pop, flashback, samba, dobrados e forró. “O nosso repertório foi pensado na tentativa de agradar a todos. Como o público é de idade variada, misturamos estilos musicais, de diferentes épocas. Enfim, buscamos, através do repertório, embalar e encantar os casais aqui presentes nesse dia especial”, conta Christian, 36, músico.

A viagem ao passado trouxe à tona lembranças e recordações. “Ouvir essa banda é sempre muito especial. No dia de hoje, tudo se torna ainda melhor, porque apresentações como essas nos fazem lembrar os velhos tempos, em que vínhamos na barraquinha para namorar. Tenho 53 anos de casada, estou com meu marido e meus netos. Isso me deixa feliz, pois a nova geração revive o passado. Me trazem recordações que renovam a certeza de que serei eterna namorada do meu marido”, afirma Maria, 73, espectadora.

A homenagem da banda não só emocionou como também vislumbrou e encantou os espectadores que, de maneira tradicional, puderam, entre acordes e melodias, sentir a magia da música e comemorar o dia dos namorados.


VAN/
Luana Carvalho
Foto: Luana Carvalho

Concerto Alma Brasileira mistura o popular e o erudito e atrai diversos públicos




Na última sexta (31), o projeto Corpo Musical Vertentes apresentou o concerto Alma Brasileira, na Sociedade de Concertos Sinfônicos. O evento reuniu vários expectadores e teve parceria com o Programa Música XXI, da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). O Música XXI atua a partir de projetos, ações didáticas, cursos e eventos artísticos. Também abriga e fomenta manifestações musicais do departamento de música (DMUSI), da Pró-Reitoria de Extensão e da comunidade, com abrangência regional e inserção internacional.

O professor Antônio Carlos Guimarães, coordenador do Programa Música XXI, afirmou que o Projeto Corpo Musical Vertentes, financiado pelo fundo estadual de cultura, surgiu depois de seis anos do curso de música, atuando na comunidade junto com o programa Música XXI. “São 15 apresentações e sete oficinas, passando por vários municípios do estado, todos eles mapeados pelo Núcleo de Interiorização da cultura de Minas Gerais”, declara o flautista do concerto. 

Ele ressalta ainda que o “Corpo Musical Vertentes é um projeto regional que traz fomento para várias entidades musicais, tais como a Sociedade de Concertos Sinfônicos e a Banda Ramalho, de Tiradentes, e também para outras cidades, como Ouro Branco, Mariana e Barão de Cocais”. O concerto é composto por Elenis Guimarães (canto), Jayme Guimarães (piano), Antônio Carlos Guimarães (flauta), Guilherme Vincens (violão), Isabele Alves Guimarães (violoncelo) e Jonas Fernando de Souza (clarineta).

O repertório de Alma Brasileira baseou-se em canções de compositores nacionalistas. Seu objetivo era trazer elementos da música popular brasileira para a música de concertos, como obras de Villa Lobos, Marlos Nobre, Tom Jobim, entre outros. “Um programa bem leve, fácil de ouvir e bastante representativo de uma vertente dos compositores eruditos brasileiros”, opina a cantora Elenis Guimarães. “Chamados assim eruditos, mas o público percebe bem claramente que todos eles, sem exceção, têm os dois pés na música popular, e é bem gostoso de ouvir”, explica. 

Elenis, que canta em concertos há mais de 20 anos, também acredita que uma boa execução nesse tipo de evento está relacionada a “um trabalho cumulativo, porque o que você faz hoje depende do que você fez antes. Não é uma coisa que se realiza de uma hora para a outra. Para este concerto, especificamente, foram umas três semanas ensaiando”, declara. A soprano Elenis ainda comenta que “nas preparações para esses concertos, a gente aprende as músicas, ensaia, marca bem a voz, vem e manda bala”.

A apresentação atraiu públicos distintos, desde moradores da cidade até pessoas que vieram de outros estados para prestigiar os músicos do concerto. “Nós cantamos em um coral lá em São Paulo. Foi o pianista Jayme Guimarães quem o fundou, ele foi o nosso maestro. Nós cantamos recentemente e o Jayme foi lá nos prestigiar. Agora, nós viemos aqui retribuir”, declara a expectadora Elisabeth Franceschelle.

“Um dos músicos é da minha família e, sempre que possível, a gente vem prestigiar. Além disso, é um evento muito bom. Achei muito rica a escolha das músicas também, foi muito interessante. Eu acredito que é um tipo de evento importante, que vai formando um público que, a cada vez, aumenta mais e torna mais consistente a atividade musical na cidade”, opina Paulo Guimarães, expectador do concerto Alma Brasileira.


VAN/ Marina Ratton
Foto: Suellen Jacques

Banda Sambô e seu ritmo que conquistou o Brasil



Formado em 2006 na cidade paulista de Ribeirão Preto, o grupo Sambô alcançou reconhecimento nacional ao criar um novo conceito musical. A mescla entre gêneros e escolas musicais é a grande responsável por todo esse sucesso. A banda adota o denominado rock-samba nas suas composições e produz releituras de grandes sucessos do rock, como U2, Beatles e Legião Urbana.

Composta por sete integrantes, o grupo é formado por Daniel San nos vocais e percussão, Sudu Lisi na bateria, Ricardo Gama nos teclados, Zé da Paz no pandeiro e vocais e Júlio Fejuca no cavaquinho, guitarra, banjo e vocais.

De acordo com San, eles não tinham “a menor intenção de montar um grupo de música naquele momento, mesmo porque cada um tinha o seu projeto musical, em segmentos diferentes. O Gama tinha o estúdio, eu já tinha o meu trabalho”, relata o vocalista.

A banda, que surgiu em meio a uma brincadeira, começou sem ensaios e sem repertório. “Fomos convidados para animar uma festa de aniversário de um amigo em comum e nos reunimos pela primeira vez. Em volta de uma mesa, sem saber o que iríamos tocar. Isso há oito anos, em Ribeirão Preto. E, aí, começamos a lembrar de músicas, a princípio sambas, já que dispúnhamos de vários instrumentos. Era uma roda de samba com bateria e teclado, o que nos possibilitava tocar qualquer coisa. Começamos a trazer o samba de compositores que a gente gosta: Arlindo Cruz, Zeca Pagodinho, Fundo de Quintal”, continua San.

Em 2009, a banda lançou seu primeiro disco, “Grupo Sambô”. O segundo album, "Estação Sambô - Ao vivo", possibilitou à banda realizar, em 2012, uma média de 25 shows por mês. O álbum iniciou 2013 como o mais vendido no iTunes Brasil. “Em 2013, estamos fazendo bastantes shows, uma média de cinco por semana. Estamos sempre presentes nas redes sociais, postando fotos e datas”, ressalta o vocalista.

Sambô chega às Vertentes



A banda já se apresentou ao lado de músicos consagrados como Seu Jorge, Jair Rodrigues, Luciana Mello, Di Ferrero, Péricles, Thiaguinho, Wilson Simoninha e Sidney Magal. No dia 29 de maio, véspera de feriado, o grupo esteve na pousada Lagos de Minas, em Santa Cruz de Minas. O evento foi promovido pela empresa É SHOW! Entretenimento. Para San, “O Brasil é muito grande, temos muitos lugares para explorar. Hoje, a gente está aqui, mas amanhã estaremos em Camboriú, fazendo a turnê pelo Rio Grande do Sul“, analisa.

A gerente de vendas Adriana conheceu a banda através das redes sociais e conferiu a exibição do grupo pela primeira vez. “Adoro a inovação. Eles sabem escolher o repertório, fazem a melhor escolha”, disse. Já Laura Melo, natural de São João del-Rei, conheceu o grupo na sua cidade de origem, Ribeirão Preto, e admitiu gostar da mistura que eles criaram.

A apresentação, que durou cerca de uma hora e quinze minutos, contou com sucessos interpretados pela banda, como "Sunday, bloody sunday", “This Love”, “Pais e Filhos” e o sucesso de Lulu Santos, “Toda forma de amor”. Hits de autoria da banda também foram aclamados pelo público presente, caso de “Minha Vida” e “José”.

Daniel San, que já conhecia a região das vertentes, ainda relatou: “Vim pra cá há muito tempo atrás, com outra banda que eu tinha, chamada Unidade 2, banda de baile. Isso faz uns 15 anos, mas deu pra conhecer bastante. Fomos até Tiradentes, fizemos o passeio de Maria Fumaça e, hoje, já pude andar de bike pela cidade”, finaliza o cantor.


VAN/ Bruno Marques, Maria Clara Lauar
Foto: Bruno Marques

Nova visão dos velhos clássicos



Inspirados pela valsa espanhola em forma de choro do compositor Jacob do Bandolim, a banda Santa Morena usa o nome da obra-prima da música brasileira para nomear o novo grupo que surge, com o propósito de fazer uma releitura de grandes clássicos da música popular brasileira e de clássicos internacionais, resultando numa sonoridade única e criativa, versátil e elaborada.

O Santa Morena teve início em meados 2011. O que começou como uma brincadeira dos amigos Rafael Dias, César Diniz e Max Sales acabou resultando, primeiramente, em um trio, formado de improviso, após um convite para tocarem em um bar. Em janeiro de 2012, André Mendes, que já era amigo de longa data de Rafael, foi convidado a fazer parte do grupo, assumindo a percussão e dando origem ao quarteto atual.
A formação e experiência musical de cada integrante do grupo são peças-chave para uma música de qualidade, que resultou já em dois espetáculos: "Brasil Moreno" e "Smoke In The Rio", apresentados em grandes festivais de música e arte.

César Diniz, natural de São João del-Rei (MG), flautista do quarteto, graduou-se em Música pela Universidade Federal de São João de-Rei (UFSJ). Foi selecionado, dentre alunos de diversas partes do mundo, para integrar a classe de flauta de um reconhecido professor, na Suécia, onde trabalhou sob a regência de maestros de grande renome internacional. De volta ao Brasil, foi vencedor de vários concursos musicais. Atualmente, César é mestrando em performance musical (flauta transversal), na Universidade Federal da Bahia.

Violinista do quarteto, Rafael Dias, também são-joanense, graduou-se em Música pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Participou de master-classes com renomados violinistas nacionais e internacionais, tendo integrado diversos grupos de câmara, bem como orquestras semi-profissionais em concertos e festivais pelo país. Hoje, Rafael é professor de violino, música de câmara, percepção musical, musicalização e regente de orquestra jovem.

Max Sales, natural de Lavras (MG), violonista e contrabaixista do quarteto, graduou-se em Música pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Sua formação abrange tanto a música popular quanto a música erudita, tendo atuado como intérprete, compositor/arranjador, solista e em diversas formações de grupo de câmara. Participou de cursos e oficinas diversos e, como violonista, participou das master-classes de grandes músicos nacionais e internacionais.

André Mendes, natural de Londrina (PR), percussionista do quarteto, é mestre em Música pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Iniciou seus estudos em percussão de maneira autodidata, tocando em bandas de rock e realizando inúmeras pesquisas de campo no universo das culturas populares afro-brasileiras. Atualmente, leciona percussão e bateria, bem como coordena o Mucambo, projeto criado com a intenção de pesquisa e ensino de culturas populares, através de oficinas, aulas-espetáculos e shows.
O obstáculo que estes grandes músicos precisam transpor são, em especial, a falta de profissionalismo e desvalorização do trabalho. Para realizar o sonho de fazer o que se gosta, é necessário muito estudo, investimento financeiro, finais de semana trancados em quartos, ônibus ou albergues. A preparação não é feita horas antes do show, mas são dias e dias de trabalho.

Apesar dos obstáculos, o Santa Morena acredita na qualidade de seu trabalho, o que certamente propicia um futuro promissor para o novo grupo.


VAN/Diego Damasceno, Rafaela Ramos, Tiago Santos
Foto: Arquivo pessoal



Zuenir Ventura no 8º Felit


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