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O hobby que virou profissão


Maria Julieta Bassi nasceu em 24 de maio de 1949 e formou-se em Letras em 1972, pela Faculdade Dom Bosco, atual Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). No período de 1968 a 1972, foi professora no Instituto Auxiliadora e também trabalhou com alfabetização de adultos no SESI. 

Esta sábia são joanense demonstra que não tem medo de deixar transparecer o orgulho pelas próprias conquistas. Sempre alegre e comunicativa, Maria Julieta possui uma bela trajetória de vida, que acabou enveredando pelo ramo artístico.

Em 1974, foi morar na Holanda, onde construiu parte de sua história. Foi lá que conheceu Anthony, com quem se casou anos depois. Celebraram o matrimônio no Brasil, em 1977, e foram morar em Belo Horizonte, onde Maria Julieta exerceu o cargo de secretária bilíngue. Um ano depois, porém, partiram para Brasília, onde residiram por três anos. Neste período, ela lecionou Português na Escola de São Carlos e nos Salesianos.

Contudo, o passar do tempo fez com que a saudade das culturas e paisagens de Minas Gerais apertasse. Sendo assim, Maria Julieta acabou voltando para seu estado de origem e novamente foi professora no Instituto Auxiliadora. A saúde debilitada de sua mãe, no entanto, fez com que se ausentasse das salas de aula e dedicasse parte de seu tempo para cuidar da família e trabalhar aos finais de semana na Casa Bassi – armazém de seu avô.

Mesmo sem exercer a profissão oficialmente, sua rotina diária não era nada fácil. Buscando atividades que aliviassem as tensões do dia dia, Maria Julieta começou a se envolver com o mundo da arte. Aproveitando o tempo disponível que tinha durante a noite, começou a produzir velas.

Retornou à Holanda com o intuito de adquirir novas técnicas de produção, porém não obteve sucesso em suas pesquisas no país, pois as técnicas da manufatura eram consideradas um verdadeiro tesouro cultural e ela pouco conseguiu descobrir. Apesar dos contratempos, resolveu voltar e manter a produção das velas e, em meio a inúmeras tentativas, acabou desenvolvendo suas próprias técnicas.

Já em 1978, foi trabalhar na gráfica da família. Inicialmente, deparou-se com dificuldades por não saber bem como operar as máquinas, habilidade que foi sendo ampliada com a prática. O novo trabalho ocupava boa parte de seu tempo, de modo que não pôde continuar com a produção das velas.

Seu primeiro contato com a cerâmica foi superficial, pois só as pintava e pouco sabia sobre o processo de produção. O trabalho era feito com peças de faiança (peças produzidas com barbotina de baixa temperatura), que eram comercializadas em uma extinta fábrica que se localizava próxima à Escola Bradesco, cuja proprietária era Lívia Zerlotini. Durante este período, fez também um curso de Vidro Fusing - técnica utilizada para moldar uma ou mais placas de vidro.

No curso, conheceu Graça, Arlete e Maria, com quem criou um vínculo de amizade que perdura até os dias atuais. As quatro amigas decidiram desenvolver um trabalho em conjunto: Graça encontrou um professor de cerâmica na cidade, em seguida entrou em contato com Maria Julieta para lhe propor o mais novo desafio.

A princípio, rejeitou a proposta, por ter consciência dos altos gastos com a produção de cerâmica, mas a insistência da amiga fez com que mudasse de ideia. Na época, não poderia imaginar que este primeiro passo mudaria o curso da sua história.

Pouco depois de iniciar o trabalho, descobriu que a cerâmica era a sua grande paixão. Impulsionada pelo prazer que a nova profissão lhe oferecia, Maria Julieta e suas amigas começaram a se reunir e buscar conhecer as diferentes possibilidades de criação do mundo da cerâmica. Passaram a frequentar exposições, fazer cursos e comprar livros sobre o assunto. Faziam também seções de barro, acompanhado de lanches e queima de Raku (técnica japonesa de queima de cerâmica). Iam aprimorando seus conhecimentos com estudo e dedicação.

Tempos depois, Maria Julieta se deparou com mais uma boa oportunidade batendo à sua porta: o curso de Artes Aplicadas, oferecido pela UFSJ. Como aluna da primeira turma, lidou com as dificuldades inerentes de um curso realizado pela primeira vez. Ainda assim, essa segunda graduação lhe abriu inúmeros caminhos e ela soube aproveitar cada oportunidade que o curso lhe ofereceu.


Hoje, ela se encontra totalmente envolvida com a cerâmica. Em busca de mais realizações, a artesã e ceramista Julieta Bassi está sob a orientação do Centro CAP (Centro de Capacitação e apoio ao empreendedor) para adquirir o selo IQS (Instituto de Qualidade de Segurança), sendo um exemplo de coragem e determinação.

Em julho, Maria Julieta apresentará sua exposição “Asas “, que trará os quatro elementos da natureza, representados por belas Ninfas, com suavidade e leveza.

VAN/ Delcimar Ribeiro
Foto: Delcimar Ribeiro

Joel Silva e a realidade extrema




O famoso escritor colombiano Gabriel García Márquez certa vez escreveu que “(..) o jornalismo é uma paixão insaciável que só se pode digerir e humanizar mediante a confrontação descarnada com a realidade”. Essa realidade extrema pôde ser vivenciada pelo fotógrafo Joel Silva em agosto de 2013, quando ele cobria as manifestações que eclodiram no Egito e deram início à onda de protestos que ficou conhecida como Primavera Árabe. Joel foi atingido de raspão por um tiro na capital egípcia e teve que ser tratado às pressas por médicos no hotel em que estava hospedado.

Mineiro de Itaú de Minas, Joel Silva estudou fotografia na Escola de Artes Bauhaus, em Ribeirão Preto. Em 1994, ele iniciou a carreira de fotojornalista no caderno regional Folha Ribeirão, indo dois anos depois para o extinto Notícias Populares, onde participou de coberturas da Copa do Mundo de 1998, na França. Realizou também uma série de matérias sobre as Forças Revolucionárias da Colômbia (FARC), permanecendo acampado 20 dias com guerrilheiros. Em 2001, Joel regressou para o grupo Folha, onde permanece até os dias atuais.

Em 2008, junto com jornalista Mário Magalhães, produziu um especial sobre o trabalho na cana-de-açúcar, que rendeu 8 prêmios, todos sobre direitos humanos. Dentre essas premiações, o Every Human Has Rights, concedido pela ONU; o Prêmio Wladmir Herzog e o Prêmio Folha de Jornalismo.

Com ênfase em jornalismo de guerra, Joel cobriu ainda o  Golpe Militar em Honduras, em 2009, e a ocupação do exército no Morro do Alemão, no Rio de Janeiro, em 2010.

Joel Silva estará presente no 3º Encontro Regional de Comunicação, promovido pelo curso de Comunicação Social - Jornalismo entre os dias 28 e 30 de janeiro. O fotojornalista realizou, no dia 28, uma palestra sobre Coberturas de conflitos internacionais às 19 horas e, no dia 29, no mesmo horário, dividirá o palco com o professor de Sociologia (UFSJ) Euclides Couto, em uma palestra sobre Copas do Mundo e reflexos sociais.

O evento é gratuito e é uma iniciativa da Vertentes Agência de Notícias (VAN), programa de extensão ligado ao curso.

VAN/Ana Claúdia Lima
Foto: Marcius Barcelos

1ª videoconferência do Jornalismo


No dia 28 de janeiro, das 17h30 as 18h30, foi realizada no 3º Encontro Regional de Comunicação, a primeira videoconferência do curso de Comunicação Social-Jornalismo da UFSJ. O convidado foi o correspondente internacional, do jornal Folha de S. Paulo, Samy Adghirni. Cinco alunos do Jornalismo puderam participaram da atividade e fazer suas perguntas ao jornalista. 

O correspondente é filho de marroquino com a brasileira professora e pesquisadora do Curso de Comunicação da UNB, a jornalista Zélia Leal Adghirni, nasceu em 11 junho de 1979, em Lyon, França, porém não tem cidadania francesa. Passou a infância no Marrocos, mudou-se para o Brasil com a família aos 11 anos e aos 18 voltou para a França, lugar em que se formou em Jornalismo, pela Universidade Stendhal, em Grenoble. Além da língua portuguesa, Samy Adghirni, fala francês, inglês, espanhol, árabe, um pouco de italiano e farsi (idioma do Irã).  



Trabalha para Folha de S.Paulo, desde 2007, onde agora é correspondente internacional, com base em Teerã.Trabalhou em diversos veículos franceses, tais como o “Correio Braziliense", France Presse, Radio France Internationale, Radio BFM e Trax Magazine. Também cobriu a Copa do Mundo de Futebol da França (1998) para a rádio Guaíba (RS), de Porto Alegre. 

No Brasil, escreveu para o caderno Mundo, foi setorista do Itamaraty e colunista de musica eletrônica do Correio Braziliense (DF).  

Como correspondente cobriu a Primavera Árabe no Egito, na Líbia, e na Tunísia; fez reportagens no Marrocos, Irã, Iêmen, Israel, Faixa de Gaza, Cisjordânia, Síria e Jordânia. Além desses países, escreveu reportagens diretamente dos EUA, República Dominicana, Equador, Argentina, e países europeus. Atua como especialista em assuntos do Oriente Médio. 

VAN/ Silvia Cristina Reis 
Foto: 1-Marcius Barcelos/ 2-Arquivo Pessoal

Professor do curso de Letras ministra oficina de texto


José Antônio de Oliveira Resende é vice coordenador do curso de Letras da Universidade Federal de São João del - Rei (UFSJ). Ele possui mestrado em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e doutorado também na mesma área pela UFMG. Atualmente é professor na Universidade Federal de São João del - Rei.

José Antônio Resende possui vasta experiência na área de Linguística, Linguística Textual, Linguística Aplicada, Ensino de Língua Portuguesa e Análise do Discurso, com ênfase em Leitura e Produção de Texto, atuando principalmente nos seguintes temas: enunciado, textualidade, redação, construção textual, texto e produção de texto, alienação, construção textual, discurso, humor, avaliação, semântica,  comparativo e superlativo.

Possui também inúmeros artigos publicados em periódicos, livros, resumos publicados em Anais de Congresso, além de ter cerca de 35 trabalhos apresentados.

Durante o 3º Encontro Regional de Comunicação vai ministrar oficina de Produção de Texto, nos dias 28, 29 e 30,  das 14 às 16 hs, na sala 3.31, no prédio do REUNI Jornalismo.

VAN/Iolanda Pedrosa
Foto: Marcius Barcelos

Simplesmente Magoo


Nascido em Belo Horizonte no dia 14 de junho de 1965, Marcius Vinícius Barcelos, ou apenas “Magoo” - apelido carinhoso dado pelos estudantes de jornalismo -  é hoje técnico do Laboratório de Fotografia da UFSJ. 

Marcius viveu até os nove anos na capital mineira. Depois se mudou para o Vale do Aço, onde viveu até os dezesseis anos, voltando para Belo Horizonte algum tempo depois. Logo após, iniciou sua carreira acadêmica na Universidade Federal de Viçosa, onde cursou Engenharia Agrícola. Porém, em 1990, deixou o curso antes de concluí-lo.

Seu caminho era a fotografia. Suas primeiras experiências vieram através de oficinas que eram oferecidas no Inverno Cultural da UFMG. Oficinas de Introdução à Fotografia e Descondicionamento do Olhar abriram o mundo da Fotografia para Marcius, em 1988. Daí em diante, ele não parou mais de fotografar. Dentre várias exibições e mostras, Marcius participou do Salão de Artes da Aeronáutica (1989), XX Salão Nacional de Artes (1988, em Belo Horizonte), Mostra Fotográfica Conceitual (Museu da Imagem e Som, em São Paulo, no ano de 1995) e no 150º aniversário da Invenção Fotográfica, em Brno, na República Tcheca.

Além dos trabalhos pessoais, Marcius construiu uma trajetória em variados veículos de comunicação de Minas Gerais. Começou trabalhando nos jornais “O Tempo” e no semanal “Pampulha”, como operador de Macintosh, uma de suas especialidades. Trabalhou também na TV Diamantina nos anos de 2004 e 2005. Em 2009, Marcius foi aprovado no concurso para Técnico em Processos Fotográficos. 

Hoje, além de prestar seus serviços no laboratório de fotografia e ser fotógrafo oficial do curso de Comunicação Social, ele participa da montagem do Laboratório de TV.

VAN/Cássio Almeida
Foto: Fernanda Rezende

Vó Marta: uma história de dedicação aos recém-nascidos de Morro do Ferro


No pequeno distrito de Morro do Ferro, pertencente ao município de Oliveira, existe uma figura que se destaca: Dona Marta Maria da Anunciação ou, como é carinhosamente conhecida, Vó Marta. A dedicação dessa senhorinha simpática de 80 anos foi além dos nove filhos, 15 netos e três bisnetos, e se estendeu a todos os recém-nascidos do distrito. Hoje, Vó Marta é parte da história de muitos da localidade.

Quando nascia uma criança em Morro do Ferro, logo dona Marta era chamada para dar os banhos e cuidar dos recém-nascidos nos primeiros dias de vida, o que para ela era uma grande honra e prazer. Há cinco anos, Dona Marta deixou de acompanhar as crianças, como fazia, mas ainda registra o contentamento que tinha nessa missão. “Quando nasciam as crianças, era eu quem cuidava delas junto às mães por um período de 15 dias. Fiz isso com amor e carinho, por mais de 60 anos. Quando as crianças chegavam do hospital, logo as mães me chamavam, e eu ia todos os dias em suas casas”, conta.

Vó Marta aprendeu a cuidar de recém-nascidos com a mãe, que também tinha o costume de acompanhar os  bebês.  Hoje, ser reconhecida como avó por muitos deles é motivo de contentamento. “Aqui em Morro do Ferro, todos são meus netos. Há poucos dias, recebi inúmeros convites para formaturas, como demonstração de carinho dos meus netos do coração. Muitos desses netos cresceram ou se mudaram, mas, quando estão em Morro do Ferro, passam em minha casa para me ver, tomar bênção e apresentar os seus filhos”, diz orgulhosa.

A professora Elena Silva Moura, 43, confirma que os cuidados e o carinho dedicados não podem ser esquecidos, relembrando o momento em que Vó Marta ia até sua casa: “Sob o olhar atento e as cuidadosas mãos de dona Marta, minhas três filhas tiveram o cuidado carinhoso dela em seus primeiros dias. Conhecida por todos em Morro do Ferro por dar banhos nas crianças recém-nascidas até o “umbigo cair”, não tive dúvidas de que a chamaria também. Todos os dias, sempre no mesmo horário e sem faltar, ela chegava a minha casa. Ela ia de uma casa para a outra, deixando até os próprios afazeres para cuidar dos pequeninos. Esse amor pelo que fazia era tão grande, que dona Marta virou a Vó Marta; vó das minhas filhas, que a chamam assim e pedem benção até hoje, como muitas crianças de Morro do Ferro”.

VAN/Marcus Santiago
Foto: Marcus Santiago

Antônia da Percíla fala sobre sua paixão pela música


No último dia 22, foi comemorado o Dia do Músico, data em que é celebrado o dia de Santa Cecília, padroeira dos músicos. A profissão do Músico, como profissão regulamentada, surgiu com a promulgação da Lei Nº 3.857, de 22 de dezembro de 1960.

Por todo o país, há importantes músicos que se destacaram em diferentes épocas, muitos tocando em conjuntos, bandas, outros em carreira solo ou ainda como cantores. Há também os profissionais, aqueles que realmente “vivem da música”, enquanto alguns têm a música como hobby. Por fim, há aqueles que lançam mão da música para contribuírem com a comunidade de alguma forma, tocando em espaços religiosos e não religiosos ou ensinando sua arte para crianças e adultos. Dentre estes, se encontra Antônia Geralda Santiago - a Antônia da Percíla.

Moradora da cidade de São Tiago, Antônia da Percíla tem, desde a infância, grande afinidade com o encantado mundo dos acordes. Ainda jovem, aprendeu as teorias fundamentais da música no canto e em diversos instrumentos. Com esse talento, começou a cantar em corais da igreja, bandas de música da cidade e, ainda, fundou corais infantis com o objetivo de ensinar música à crianças do seu bairro.

Em entrevista realizada pela VAN/UFSJ, ela conta um pouquinho da sua história, relembra pessoas e fatos importantes que a música a fez viver.

VAN/UFSJ: Como nasceu a sua relação com a música?

Antônia: “A minha relação com a música começou na minha infância. Já gostava de cantar, dançar. Vim de uma família com raízes na música. Minha mãe foi cantora, meu pai gostava muito de música. Me lembro quando era bem pequenina, São Tiago era muito pequena, e existia aqui no Bairro Cerrado um boteco e meu pai me levou em sua companhia para eu ver e ouvir um senhor do Capão. Lá, ele cantava e seu irmão tocava sanfona, e meu pai se alegrava muito.”   

VAN/UFSJ: Quem influenciou você nesta arte?

Antônia: “O tempo foi se passando fui ficando moça e, naquela época, as pessoas jamais conversavam sobre os dons ou aptidões que a pessoa possuía para aprender algo. E, com isso, cresci mais um pouco e via as pessoas tocarem violão e outros instrumentos. Eu tinha o desejo de fazer isso também. O Sr. Guguti tinha um chorinho e, nas apresentações teatrais da escola, tocava para a gente cantar. Como vendia biscoitos na cidade, eu aproveitava para passar lá ao final das vendas e ficava apreciando. Acabava aprendendo quando observava ele tocando ou quando me mostrava uma partitura. O Sr. Quinzinho ensinou música à minha mãe Percíla, e Maurício Jefferson Pinto, o filho dele, me ensinou. Já na juventude, não tive condições de ter um violão, que era meu grande sonho. Somente anos mais tarde, quando já era casada, ganhei meu primeiro violão de presente. Foi um momento especial na minha vida quando peguei o violão. Aquelas duas posições que haviam me ensinado estavam ali, gravadinhas na minha cabeça. Lembrava-me como se fosse naquela época o Sr. Guguti fazendo. Consegui também fazê-las direitinho. Depois já tinha estudo música na Orquestra da Banda, resolvi aprender a tocar um instrumento de sopro, mas infelizmente não se tinha instrumentos com fartura, então tive que pegar um bombardino já bem usado e um pouco estragado. De lá para cá, com o princípio do violão, comprei um cavaquinho que era tocado pelo Sr. Vicentão nas Folias de Reis, esse já falecido. Logo pensei: quem iria me ensinar? Mas disse a mim mesma: ‘são quatro cordas, o violão são seis, aqui eu começo de baixo para cima, sobrou duas para baixo, a posição está feita’. Depois, tinha um bambolim no coral da Raegina Coelli da dona Ilza Rosa, que foi comprado no tempo do saudoso Sr. Cardoso, que foi músico nesta cidade há muitos anos. Resolvi pegar e tentar observar como se fazia para tocar. Deu certo! Consegui também tocar. Até aqui já estava tocando violão, bombardino, cavaquinho e bambolim. Agora, ganhei uma sanfoninha tem poucos meses, mas já consigo tocar algo e cantar junto, sem ninguém me ensinar. Depois de todos esses instrumentos, vem o violino. Tinha na minha cabeça a esposa do Sr. Joaquim Pinto Lara (Sr. Quinzinho), que foi maestro da nossa banda, tocando violino no coro da Igreja Matriz antes da reforma. O tempo passou, não falava com ninguém sobre o meu desejo de tocar violino, mas apenas guardava em meu coração. Um dia, meu filho Davi acho que me ouviu conversando sobre o violino, pois estava todo contente em conhecer o Conservatório de Música de São João del-Rei. Então ligou para a professora dele, conseguiu comprar um para mim. Com pouco tempo, chegava para mim de presente o tão sonhado violino. Fui um tempo no conservatório a fim de aprender mais esse instrumento especial.”

VAN/UFSJ: Qual o estilo que mais admira?

Antônia: “Admiro muitos estilos musicais, sobretudo o sertanejo, caipira e o religioso, que é a minha vida, minha alegria. Possuo em minha casa um baú bem grande cheio de partituras com diversos repertórios. Em casa existem músicas para determinados eventos. As músicas são preparadas para cada momento ou celebração. Tenho para qualquer ocasião e tudo arrumadinho.” 

VAN/UFSJ: Já participou de algum evento de grande importância?

Antônia: “Sim. Já participei de eventos escolares importantes, quando estudava era sempre a da frente. Não perdia nada, sempre estava lá! Depois que fui crescendo, participei de encontros de bandas, quando era integrante da Banda Lira Imaculada Conceição. Também participei de Show de Calouros aqui em São Tiago. momentos religiosos e festivos na cidade. Já apresentei numa igreja em Belo Horizonte. Em São João del-Rei, me apresentei no Conservatório.”

VAN/UFSJ: Já realizou algum projeto voltado à música?

Antônia: “Sim. O projeto que realizei foi a criação dos corais da Igreja do Rosário. Fiz para se ter na igreja um coral aqui do bairro que pudesse estar presente nas celebrações das missas. Assim, resolvi chamar pessoas aqui do Cerrado que tocassem e pudessem sustentar o canto litúrgico. O que deu muito certo! Bem mais para frente, criei corais voltados para crianças, o das Pastorinhas, um com Folia de Reis para o Natal com instrumento tocando os instrumentinhos com músicas do nascimento de Jesus, também com o objetivo de aprender mesmo a tocar”.

VAN/UFSJ: Deixe uma mensagem.

Antônia: “Vou deixar aqui a mensagem para todas as pessoas não só da nossa terra, mas do mundo inteiro. A música e o cantar são dois remédios bons para a saúde, pois quando estamos com a cabeça atormentada com preocupações, tristes, sem saber o que fazer e tem-se que cumprir as obrigações diárias, a música é uma forma de relaxar, distrair, entreter, dá uma sensação de bem estar. Quando assim estou, faço uso da música no meu dia a dia! Daí, vou lá, pego um instrumento, toco, canto e me sinto bem. É como se fosse um remédio. Cante e vai melhorar!”

VAN/Marcus Santiago
Foto: Marcus Santiago

Perfil Gilson Peranzzetta: O Arranjador e a Estrela


Quem vê a agilidade do maestro Gilson Peranzzetta ao tocar o piano, o acordeon e até mesmo o clarinete, não imagina que os tendões de seu braço direito sejam feitos de nylon. Foi em 1965, enquanto cumpria o serviço militar obrigatório, que o jovem Gilson, de 19 anos, vítima de um tiro acidental de metralhadora Ponto 30, quase viu o final de sua carreira como instrumentista. Coincidentemente ou não - como frisa o músico ao citar a máxima de Alan Kardec, de que nada é por acaso -, havia por ali um médico chileno que  estava no Brasil participando de um congresso de tendões de nylon. Ao saber da possível amputação, ofereceu-se para aplicar a então inovadora técnica que, para a felicidade da música brasileira, salvou o braço e os sonhos do rapaz que tocava nos bailes da noite carioca. 

Gilson, hoje com 67 anos, iniciou sua carreira na música desde muito cedo. Com 10 anos integrava junto a seu irmão Gelson, a chamada “Dupla Pingue Pongue”, nome dado devido ao patrocínio dos meninos acordeonistas pela marca de goma de mascar “Pingue e Pongue”. Naquela época, os irmãos se apresentavam no Fã Clube Mirim de Brás de Pina, bairro onde o músico nasceu e onde fica a rua Marari, que mais tarde viria a ser o nome de seu próprio selo, a gravadora “Marari Discos”  criada por Peranzzetta em 1999.

Pianista, compositor, arranjador, orquestrador e regente, o músico, escolado internacionalmente, firmou diversas parcerias ao longo de sua carreira. Nomes como Hermeto Pascoal, Jorge Vercilo, Gal Costa, Nana Caymmi e Gonzaguinha fazem parte do extenso currículo de Gilson, também conhecido como “O Arranjador das Estrelas”. Porém, sua principal parceria foi com Ivan Lins, músico do rio, que conheceu em 1974 após voltar de uma turnê pela Europa. Os frutos da união foram fartos: nos mais de 10 anos de dupla, ganharam o mercado norte-americano e tiveram sucessos gravados por grandes nomes do Jazz, como George Benson, Take Six, Jane Monheit e Quincy Jones. Jones além de músico era o produtor dos dois nos EUA e um grande admirador do brasileiro, tendo inclusive citado em uma entrevista para José Maurício Machline, Gilson Peranzzetta como o quinto melhor arranjador do mundo!

Em 1985, porém, a parceria Peranzzetta-Lins chegava ao fim. O aclamado arranjador das estrelas sentia vontade de alçar vôos com seu próprio corpo celeste. A partir daquele ano, o pianista começou a gravar seus próprios álbuns, começando por Portal dos Magos, no mesmo ano. Hoje, com 40 discos solo e mais de 150 canções sob o selo de sua gravadora, é indubitavelmente um dos grandes nomes da música Brasileira, paixão maior de sua vida. “A música é minha religião, o palco a minha igreja e o piano o altar onde humildemente eu faço as minhas orações”, relata o músico.

Atualmente, Peranzzetta participa dos mais importantes festivais de Jazz do mundo, realizando todo ano, turnês pela Europa, Eua e Japão. Além disso, trabalha como maestro e arranjador junto a WDR Big Band, na Alemanha, utilizando um repertório genuinamente brasileiro. Em suas composições e arranjos, mesmo que mesclada a outras nuances sonoras que o caracterizam como um músico cosmopolita, fica clara a presença de sua brasilidade musical, elemento primordial de sua música. Para Gilson, a música brasileira é a música mais linda do mundo.

O elegante senhor de rabo de cavalo e barba grisalha, de imensa bagagem e tendões de nylon, é o músico homenageado pelo 6º Festival Duo Jazz de Tiradentes e se apresenta dia 15 de outubro nos palcos do evento, que é aberto ao público. Com a participação do cantor João Senise, Peranzzetta é a grande estrela da constelação de artistas da atual edição. Trazendo todo um universo de Jazz e MPB consigo, é uma atração imperdível para aqueles que se dizem amantes da boa música.

VAN/ Samuel Rabay
Foto: Site oficial Gilson Peranzzetta

“Tudo que é sólido desmancha no Bar”


Pelos trilhos de São João del - Rei, pegamos o trem da boemia e paramos no bar mais frequentado da cidade, para nos encontrar com nosso entrevistado.

Se colocar no mundo através da palavra é o que tem buscado Igor Alves, pesquisador sobre espaços de enunciação da poesia contemporânea. Em uma mesa de bar, entre goles de cerveja e os burburinhos de conversas alcoolizadas, o poeta conta sobre sua trajetória por linguagens, palavras e poesia. Suas influências e a relação com o que chama de “prática da noite”, temática do seu novo título “Tudo que é sólido desmancha no bar” também foram assunto de nossa conversa.

Nascido em Lavras, ele conta que, desde pequeno, manifestava interesse por poesia, leitura e escrita. Filho de professora de escola pública, Igor deparava-se em casa e na escola com nomes como Vinícius de Moraes, Álvares de Azevedo e Paulo Leminski. No primeiro ano do ensino médio, já tomava coragem de recitar poemas para colegas de escola e declamava, às vezes acompanhado por amigos que até hoje estão junto com ele, como o músico Lucas Batista. Ele fez graduação em Letras, tendo entrado na Universidade Federal de São João del-Rei com 17 anos.

A esta altura da conversa, Igor já estava revirando uns goles de whisky. Sem deixar o copo de cerveja de lado, relembrava uns versos de Chacal: “Imagine se um dia a música parasse de tocar e o começasse a ser consumida apenas através da partitura. O mundo iria ficar mais triste.” Poeta e parceiro de Igor, Chacal, desde a época da poesia marginal, busca resgatar a poesia (principalmente a falada) em nossas vidas. O acinzentamento da sociedade, que confundiu a escrita fria com a poesia, é o que incita Igor Alves a algumas de suas práticas. Inspirado na trajetória de Chacal, ele tenta trazer a poesia de volta à vida, semeando livros nos bares por onde passa e recitando versos aos quatro ventos.

Respirar, tomar uma cerveja e escrever um poema

“Escrever é a mesma coisa que respirar, trabalhar, estudar, transar, tomar uma cerveja. É coisa séria. E inevitável”, afirma Igor ao refletir sobre os afazeres poéticos. Suas produções já renderam dois livros, sendo o primeiro “5.000 sentidos: Ontologia Poética”, lançado com um recital na Orquestra Popular Livre, em 2011. Já o segundo livro, “Tudo que é sólido desmancha no Bar”, foi lançado no Inverno Cultural desse ano, evento em que o poeta também participou ministrando uma palestra e um minicurso. Ambos os livretos foram feitos de forma independente e podem ser encontrados para venda nesse mesmo bar em que nos encontramos. Todas as edições feitas para o lançamento em julho já se esgotaram. Sobre as editoras, Igor afirma não se preocupar com elas por ora, já que “hoje em dia é muito fácil, você edita, imprime e vende”.

É tudo feito de maneira muito simples, e esta é a intenção, sem aquela roupagem chique, como ele mesmo relata. Tirar a gala do poema é o propósito. A poesia é paixão declarada à língua, e nada como democratizar esta serenata linguística. Parafraseando Leminski, ele cita: “a poesia é a paixão da linguagem e a linguagem da paixão”. Os bares influenciaram o título, pois, conforme acredita Igor, neles a obra encontra seu fim: ser consumida, vulgo democratizada.

Igor Alves admite: poesia não é “uma coisa que escolhi fazer. É uma coisa que veio, como um vício”. Algumas de suas poesias podem ser conferidas em:



Vida Curricular

Ter estudo
ter extrato
ter status
arrecadar fundos
ajudar a destruir o mundo

Assim como o próximo
amar a si mesmo
esperar a morte passar
pra vida chegar

Ah sim
seja seja seja
o man
amem e comprem
amém!

Se produzir reproduzir
em nome do padrão
em nome do patrão
nunca dizer não

O mercado te espera
mantenha as cartas
marcadas
na manga

Você tem o direito
de ficar calado
qualquer problema
chame o advogado

Cruz Crédito

Outros:





vodka

montanha

roleta

( . . . )

a vida é russa

.

Hai Tec

LP CD DVD HD
cada vez mais memória
e menos pra dizer

.

A cracolândia é o mundo

quem aos vícios se nega
que acenda

a primeira pedra

VAN/Marlon de Paula e Mariana Chaves
Foto: Marlon de Paula

Chico por Francisco


O Curso de Comunicação Social/Jornalismo da UFSJ recebeu, no mês de agosto, o último professor que compõe o quadro de docentes da graduação. Francisco Ângelo Brinati, vulgo Chico, 32 anos, natural de Juiz de Fora, inicia seu trabalho em sala de aula a partir do próximo semestre, que está previsto para começar no dia 2 de outubro. 

O professor irá ministrar a disciplina de Práticas Jornalísticas, Comunicação Comparada e Jornalismo Esportivo. Chico conta que escolheu cursar Comunicação Social devido ao jornalismo esportivo, área  pela qual sempre se interessou por causa do amor pelo esporte, principalmente, o futebol. O professor descreve que o jornalista esportivo como aquele craque que Deus não deu o dom no trato com a bola, dessa forma, busca estar naquele cotidiano de alguma forma. 

Chico acredita que, hoje em dia, o futebol deixou de ser visto como o “ópio do povo”, a fuga que a população tinha para esquecer dos seus problemas, tendo em vista que o esporte é uma das essências na formação da identidade brasileira. A modalidade esportiva é um drama social que interfere diretamente na vida das pessoas: se o seu time perde, no outro dia você não vai estar bem. Na visão do professor, é importante para a sociedade entender como essas construções do esporte influenciam diretamente a nossa vida. 

Chico se formou em Comunicação Social na Universidade Federal de Juiz de Fora no ano de 2005 e foi logo trabalhar na área de sua preferência. Assim que entrou para o mestrado, o mesmo se distanciou da área do esporte, pois partiu para a área política. Atualmente, Chico cursa Doutorado em Comunicação pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, onde desenvolve a tese “Futebol, identidade e cultura: a construção de heróis e vilões nacionais das Copas do Mundo de 1950 e 2014 pela imprensa e a identificação com os brasileiros”. 

No período de graduação, Chico ganhou, ao lado de amigos, o prêmio de melhor vídeo no Festival de Cinema de Juiz de Fora com o vídeo “Macho Mass”. Para o professor, essa foi uma forma de testar e colocar em prática o que aprendia em sala. “A faculdade é um lugar para experimentar ao máximo, participar de tudo o que puder, pois, mesmo que não o faça profissionalmente, é uma forma de adquirir experiência e aprender”. Chico nunca esteve ligado a grupos estudantis, a não ser uma vez, quando contrapôs uma chapa e se candidatou ao grêmio. No episódio, venceu a disputa de representação, mas desistiu da candidatura logo em seguida, pois não era o que realmente queria. 

O professor já atuou em diferentes áreas ligadas ao jornalismo. Um de seus primeiros trabalhos foi o de repórter no portal ACESSA.com nas editorias de comportamento, cultura, política e geral. Chico foi também editor do MGTV 2° edição da TV Integração de Juiz de Fora, afiliada da Rede Globo. O destaque da carreira foi o cargo como editor do SportTV, canal esportivo da Globo na rede a cabo, onde novamente pôde ter contato com o esporte. 

Na área acadêmica, no ano de 2011, Chico foi professor de Pós-graduação em Jornalismo Esportivo na PUC-MG e ministrou diferentes disciplinas na Universidade Federal de Juiz de Fora. Agora, Chico inicia mais uma fase da sua vida de professor na Universidade Federal de São João del-Rei, tendo a oportunidade de estar ligado mais uma vez ao que lhe motivou ao jornalismo. 

Chico diz que irá trabalhar com a sala de aula do mesmo modo que trata uma editoria: vai ser um educador exigente, mas vai dar todo suporte para que os estudantes possam responder de forma coesa ao que ele pedir. O professor possui experiência desde o rádio à TV, sendo assim, acredita-se que fará um trabalho de qualidade. Chico acredita que irá encontrar talentos no jornalismo e promete ajudar ao máximo que puder. O professor está ansioso para começar a dar aulas e boas vindas aos seus novos alunos. 

VAN/Lucas Porfirio
Foto: Arquivo Pessoal 

Rubens Braga: o chef que se rendeu à culinária italiana


Terminou neste domingo (1) o 16º Festival Cultura e Gastronomia de Tiradentes. Rubens Braga, chef de cozinha, é proprietário do Trattoria Via Destra, tradicional restaurante de massas da cidade. Natural de Passos de Minas (MG), Rubens morou na Itália durante seis anos, onde desenvolveu sua paixão pela culinária local.

Casado e pai de uma filha de 15 anos, Rubens participa há 13 anos do Festival de gastronomia de Tiradentes. Este ano, o prato participante do evento é um entrecôte: carne bovina grelhada, acompanhada de penne ao funghi porcini, um cogumelo italiano. Segundo ele, a seleção de pratos é feita através da vendagem. “Escolhemos o prato que mais saiu durante o ano. Este é um prato normal do cardápio. Muita gente ligou e cobrou para que ele estivesse presente durante o festival”, explica.

Após trabalhar 25 anos em uma grande fabricante de automóveis italiana, o chef começou a trabalhar em restaurantes na Itália por curiosidade, quando resolveu largar tudo para virar cozinheiro: “fui me apaixonando pela cozinha italiana e essa paixão acabou virando minha profissão”, declara. 

Devido ao crescimento do restaurante, Rubens já planeja a mudança da Trattoria para a unidade planejada que mantém na Rua Direita. “Como o patrimônio histórico não me permite mexer na cozinha, estamos mudando para um lugar maior, mais espaçoso, em que eu posso juntar as duas cozinhas”, relata. O estabelecimento, por sua vez, é especializado na culinária mineira. “Lá, a cozinha já está dentro das normas. Ficamos 13 anos nesta localização, mas não tem jeito de continuar. Como aqui era uma residência, não houve como adaptá-la”, considera.

Perguntado se iria abandonar a comida mineira, Rubens disse que não, “a nova unidade tem espaço para as duas.” O chef apaixonado pela culinária mineira e italiana afirma: “Eu pesquiso sobre as duas comidas. Vi que era uma forma de exercitar minha paixão pela culinária. A italiana foi o meu ponto de partida, pois aqui já temos muitos restaurantes mineiros, bons e famosos. Resolvi, então, fazer um contraponto porque, às vezes, o turista quer uma comida diferente e, nessa cozinha, todo mundo tem um pé na Itália, uma origem italiana”.

De acordo com o chef, o sucesso do restaurante durante o festival se deu pela sua flexibilidade. “Eu não me amarrei a nada específico da guia, selecionando jantares completos com entrada, prato principal e sobremesa, por exemplo. Isso me deu a liberdade de fazer pratos especiais a cada dia, dependendo do gosto do cliente. Eu deixo um histórico dos pratos já feitos aqui no restaurante, que não tem no cardápio, justamente para poder fazer algo especial, brincar com essa espontaneidade da culinária”.

“Amigos, também chefes de cozinha, vieram aqui durante a semana e, como muitos dos meus pratos eles já conhecem, tive, então, que inventar na hora alguma coisa diferenciada, dentro do princípio do “slow food”. A comida aqui não é guardada, tudo o que eu cozinho é feito no momento em que o cliente pede”, afirma.

Para o chef, a cada ano, a organização do evento se aprimora e cresce, tanto na sua importância, quanto nas estratégias de planejamento, “isso elevou a cidade à pólo gastronômico do Brasil. Este Festival acontece em agosto, mas vai se comentar o ano inteiro sobre o evento”, e continua, “esse é um restaurante mais romântico. À noite, o movimento engrossa. Geralmente, nos dias de Festival, saímos daqui por volta das 3 horas da manhã. O movimento este ano foi muito bom”.

O Festival que trouxe inovações, como a cozinha molecular, além de novos equipamentos, teve também a presença de cozinhas estrangeiras como: chilena, espanhola, francesa, entre outras. “Eu fico na minha raiz, gosto muito de trabalhar com pesquisa, de resgatar pratos da minha origem”.

O chef que também mantém uma unidade em Belo Horizonte (MG) faturou, em 2009, o prêmio de melhor restaurante de comida italiana da capital, pela revista Encontro. “Se eu tinha alguma pretensão de reconhecimento, eu atingi meus objetivos. Agora eu trabalho essencialmente por prazer. Trabalho pelo negócio, mas, principalmente, pelo prazer de todos os dias poder cozinhar, elaborar pratos, comprar um cogumelo fresco e fazer molhos específicos”, finaliza.

VAN/ Maria Clara Lauar
Foto: Bruno Marques

Nagib: Uma herança viva



Nascido no dia 1º de Agosto de 1929, em Novo Cruzeiro, pequena cidade do Nordeste de Minas Gerais, Nagib Barbosa Lauar guarda memórias de uma vida de entrega e paixão pela literatura. As adversidades que a vida lhe impôs nunca foram empecilhos para aquisição de conhecimento e, aos 83 anos, sua lucidez é refletida em escritos que reúnem experiência no interesse pela expressão através das palavras.

Em 1937, aos sete anos de idade, o falecimento de sua mãe deixou Nagib e mais seis irmãos órfãos. Filho de libaneses, mudou-se, juntamente com seu pai, para a cidade de Carlos Chagas. Mas foi em Ladainha - MG que completou seu curso primário. O “ginásio”, no entanto, foi cursado na cidade de São João del-Rei, no colégio Santo Antônio, onde, hoje, se estabelece uma das unidades da Universidade Federal da cidade, o campus Santo Antônio.

Foi nessa época que despontou o seu interesse por poesia e literatura. A cidade, detentora de vasta herança patrimonial, era modelo de propagação do movimento barroco. “Eu admirava poetas como Carlos Drummond de Andrade, Olavo Bilac, Casimiro de Abreu, Castro Alves, Raimundo Correia e muitos outros”, declara. 
 
Até o curso ginasial, sempre foi sustentado pelo pai, um negociante de posses. Mas foi nessa época que se deu o seu fracasso financeiro, obrigando Nagib a começar a trabalhar para seu sustento e de seus estudos. 
     
Trabalhou em várias empresas, mas em nenhum de seus empregos conseguiu exercer sua paixão pela poesia e literatura. Em 1958, casou-se com Maria dos Anjos, mais conhecida como Lilita por amigos e familiares, que com quem teve quatro filhos. 

Atualmente morando em Belo Horizonte, Nagib conta que já leu toda a coleção de Machado de Assis. Além do autor carioca, Jorge Amado compõe a lista de coleções quase completas. O leitor também cita autores como Joaquim Manoel de Macedo, José de Alencar e Dan Brown. Grande admirador do ex-presidente Getúlio Vargas, exalta sua biografia, última obra lida, de Lira Neto. 

Viúvo e avô de seis netos, Nagib aproveita a ociosidade para explorar os livros que lê, sequioso, e compartilha alguns de seus versos, produzidos após a morte de sua esposa, em abril de 2012:

Saudade

Só.
Para além da janela,
nem uma nuvem, nem uma folha amarela
manchando o dia de ouro pó...
Mas aqui dentro, querendo bruma,
quanta folha caindo, uma por uma
dentro da vida de quem vive só.

Só. Palavra fingida, palavra inútil.
Pois quem sente saudade,
nunca está sozinho.
E a gente tem saudade de tudo nesta vida.
De tudo! Da Lita; 
De uma espera por uma tarde azul de primavera;
De um silêncio; 
Da música de um pé
cantando pela escada; 
De um véu erguido;
De uma boca abandonada;
De um divã;
De um adeus;
De uma lágrima até.
No entanto, neste momento
tudo isso passa na asa de um vento
Como um simples rolo de fumaça
E é só depois de velho, 
numa tarde esquecida
que a gente se surpreende a resmungar:
“Foi tudo o que eu fiz de toda a minha vida”
E começo a chorar...

Nagib Barbosa Lauar


VAN/ Bruno Marques, Isabela Fonseca, Maria Clara Lauar 
Foto: Arquivo pessoal

De artista plástico a blogueiro



O escritor francês André Malraux uma vez disse que “Os grandes artistas não são copistas do mundo, são seus rivais”, o que faz sentido para descrever o artista plástico Gabriel Rufo, que recusa esse título por não acreditar no conceito de indivíduo, mas no de falange.

Introspectivo, reflete profundamente sobre tudo que lhe é perguntado, pontuando ora ou outra suas respostas com frases de efeito que poderiam facilmente ser usadas como epígrafes de um livro de poesias. É através delas que podemos ter um pequeno vislumbre desse mundo fantástico em que habita, um mundo particular e pessoal, que só encontra verdadeiramente vazão através de suas peças de cerâmica.

Paulista, com 31 anos registrados em seu documento, mas com um anseio de nunca deixar sua criança interior morrer, mudou-se para Prados onde mantém um ateliê e uma loja, e divide seu tempo entre os cuidados com sua tia que sofre de esclerose múltipla e a modelagem. A família parece ser uma constante essencial em sua vida, e foi dela que herdou gene artístico. O pai, Luís Carlos Rufo, é tido como grande referencial e inspiração.

Quando perguntado sobre a forma como a sociedade vê e se relaciona com a arte, assume um tom mais sério e crítico. Frustra-se com a tendência de tudo ser convertido em dinheiro, com a produção de uma espécie de falsa cultura, com a necessidade de se ter um vínculo empregatício para ser valorizado.

Para divulgar seu trabalho, Gabriel atualiza sempre que pode seu blog, onde expõe não somente suas peças, mas a forma como percebe o mundo ao seu redor, dentro de sua própria dimensão. E é nessa dimensão que escolheu para viver, entre o som e a pedra, que ele utiliza da nota musical ao barro para fazer uma arte que já imagina pronta, como se sempre tivesse estado ali.


VAN/Luana Levenhagen, Delcimar Ribeiro
Foto: Arquio pessoal

AS VÁRIAS FACES DE LOBO BRUXO




Antônio Eduardo de Carvalho Ávila nasceu em 16 de dezembro de 1948, são-joanense, pintor, poeta, ambientalista, conhecido como “Lobo Bruxo”. “Lobo” por ter um instinto mulherengo e “Bruxo” por ser uma pessoa mística, ligada aos mistérios da natureza.

Autodidata, seus desenhos e pinturas são frutos de sua fascinação pela arte, dedicação intensa a seus dons naturais e também de suas caminhadas na Serra, à qual o artista atribui toda a inspiração de suas obras. Ele é também autor dos livros: Lobo Bruxo, A Terapia do Equívoco, Almagarra, Relva Molhada e, mais recentemente, A Reflexão da Loucura.

Ambientalista, luta há muito tempo a favor do plantio de árvores, antes mesmo de se falar em sustentabilidade; tenta conscientizar pessoas no sentido de terem uma postura de trabalhar em prol do meio ambiente, das áreas de proteção ambiental e das nossas nascentes. Porém, ele acredita ser uma luta árdua, devido ao descaso das autoridades.

Além disso, Antônio Ávila é pintor. Suas pinturas e desenhos possuem a singularidade de um grande artista. Suas telas refletem ideais de vida, pessoas marcantes em sua história - principalmente mulheres - e também releituras de grandes mestres da arte.



Artista completo, ele é também escritor. Foi influenciado desde cedo, quando seu pai lhe deu o primeiro livro: uma coletânea de textos filosóficos que o ajudou a refletir sobre as questões da vida e a despertar o interesse pela leitura de outros textos, como poesias.

Todos os seus livros possuem um elo de ligação entre si. Seu último livro, A Reflexão da Loucura, segundo Lobo Bruxo, tenta elucidar algumas questões envolvendo o mundo atualmente, como o stress da vida moderna, a questão da bipolaridade que leva ao vazio, a carência, no caso a “loucura”.

Ele ainda tem outros projetos a serem realizados e outro livro a ser lançado. “Não vou parar nunca de escrever e pintar, enquanto houver questionamentos a fazer”, afirma.

Lobo Bruxo é um artista com uma trajetória de vida baseada na arte voltada não só para si mesma, mas para algo maior: para se criar uma sociedade crítica e sustentável.


VAN/Marília Cunha
Foto: Arquivo Pessoal

A doação da vida em defesa da Pátria



Seguindo os passos do pai, Leonardo Antônio D’ Assunção Freitas demonstrou, desde muito cedo, o seu interesse pelo Exército Brasileiro. Em 1981, aos onze anos de idade, afastou-se do convívio de seus amigos de infância e familiares para ingressar no Colégio Militar de Belo Horizonte, onde cursou 1º e 2º Grau. 
Após a conclusão do ensino médio, prestou concurso, de âmbito nacional, para ingresso na AMAN- Academia Militar das Agulhas Negras - em Resende (RJ), onde realizou o Curso Superior de Formação de Oficiais do Exército Brasileiro, sendo declarado Oficial em 1992.

A partir da sua formação como Oficial do Exército, devido às peculiaridades da carreira militar, fixou residência em várias cidades e regiões do país. Francisco Beltrão -PR; Aracaju – SE; Rio de Janeiro – RJ, onde realizou o Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais e recebeu o título de Mestre em Operações Militares; Montes Claros – MG e Guajará Mirim – RO foram algumas das cidades nas quais morou. 
Durante esse período, alcançou os diversos postos da carreira militar, até o posto de Major do exército, em 1998. Realizou vários Cursos de Operações Militares, como o Curso de Operações na Selva, Curso de Operações em Mergulho e Curso de Montanhismo Militar.

Após 30 anos de afastamento da sua cidade natal, retornou a São João del Rei, onde reside atualmente, servindo no 11º Batalhão de Infantaria de Montanha. Leonardo Freitas exerceu a função de Sub Comandante do Batalhão, tendo sido promovido ao atual posto de Tenente Coronel do Exército.
Ele compara a profissão militar com o sacerdócio, por existir uma dedicação exclusiva, além de outras dificuldades, como não serem assegurados os mesmos direitos dos servidores públicos civis, tais como adicional noturno, horas extras, adicional de periculosidade, o direito de greve e sindicalização, além de ser uma profissão que exige grande preparo intelectual e físico.

Durante toda a carreira, o destemido militar conviveu e ainda convive com diversos riscos, seja nos treinamentos, na vida diária ou nas operações militares. Possibilidades de danos físicos ou mesmo de morte são alguns dos desafios desses profissionais, que, além disso, comprometem a vida em benefício da pátria.
Soldado guerreiro que, mesmo com todas as dificuldades enfrentadas ao longo dos anos, tem a convicção de que a carreira militar lhe proporcionou plena realização profissional e pessoal, Leonardo Freitas possui um imenso orgulho de integrar uma instituição secular, permanente e essencial à segurança do país.

Orgulho também por ter contribuído para a formação moral, cívica e operacional de milhares de jovens que participaram da Força de Pacificação nas comunidades do Rio de Janeiro e das Forças de Paz, no Haiti. 
Além disso, participou de várias ações subsidiárias desenvolvidas pelo Exército de apoio às comunidades pobres em todo o território nacional, dentre elas, a distribuição de água às famílias do Vale do Jequitinhonha, o apoio médico às populações da Região Norte, e o apoio prestado na cidade de Petrópolis aos desabrigados pelas chuvas.


VAN/Di Ribeiro
Foto: Reprodução



Zuenir Ventura no 8º Felit


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