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Fábio Mineiro: de São João del-Rei pro mundo


Nascido em 29 de março de 1988, na cidade de São João del Rei, Fábio Ernesto Lima de Campo foi criado no bairro da Colônia. Lá, influenciado por seu pai, surgiram duas grandes paixões: o futebol e o Nacional, time do bairro. Desde bem novo, o garoto “Ney”, como ainda é conhecido na vizinhança, mostrava nos campos que era diferenciado por sua velocidade e habilidade. Quis o destino que Nem levasse ao mundo o nome de seu estado natal: fora daqui, tornou-se Fábio Mineiro. 

Hoje, após ter jogado por diversos times do Brasil, disputado uma Libertadores pelo Jorge Wilsterman, da Bolívia, e rodado pela Europa, Fábio acaba de assinar contrato com o AIK, da segunda divisão grega. No decorrer de mais de duas horas de conversa, Fábio nos mostrou seus troféus e seu principal tesouro: a camisa do Jorge Wilsterman com a qual marcou um gol contra o Emelec, pela Taça Libertadores da América. Nesta entrevista conversamos sobre sua carreira, suas origens, problemas nas categorias de base em São João del Rei, seu atual momento e, claro, muito futebol.

Vertentes Agência de Notícias: Fábio Mineiro, nós sabemos que, até chegar ao profissional, o garoto da base passa pôr várias etapas (pré-mirim, mirim, infantil, juvenil...). Você jogou aqui em São João no Carandaí. Quais foram as maiores dificuldades nessa época?

Fábio Mineiro: Foi meu começo aqui no Carandaí, juntamente com o Nenem (Treinador de infância) que é um cara que está sempre correndo atrás, aqui em São João, dos objetivos das crianças, dos atletas...tem aquela dificuldade da base aqui em São João, o futebol não tem aquele apoio em questão de categorias de base, ainda está um pouco ultrapassado o pensamento do pessoal sobre o amadorismo… Acho que, nessa época, a gente passa um pouco de dificuldade, mas no momento era o que eu tinha para buscar meu sonho. Tive essa oportunidade de jogar na escolinha do Neném, um momento em que tive uma boa base com ele. Não completa, igual a um clube grande, mas era o que ele tinha para passar, era essa condição.

VAN: Fábio, sabemos que São João é um celeiro de jogadores. Daqui saíram Gallardo (Cabofriense), André Luís (Palmeiras), entre outros. Qual a importância da base no lado profissional e social do jogador são joanense?

F.M.: Essa questão da base é de suma importância, porque é de onde vêm os primeiros passos do jovem, e a pessoa que sonha em ser profissional tem que ter uma base. Às vezes pecamos muito aqui em São João. Tem muitos jovens talentos que saem de São João com uma idade ultrapassada, chegam a uma equipe de alto nível, não assinam um contrato porque pecam um pouco nessa parte da base, na parte de fundamentos...são detalhes que interferem no sucesso de um jovem e, como aqui em São João temos vários bons jogadores, estamos pecando nessa base de ter um crescimento desses jovens. Eu espero que daqui para frente, com pessoas como vocês, que estão fazendo esse trabalho aqui em São João del Rei, as coisas melhorem. Esperamos que pessoas que gostam de futebol possam dar essa base paras as crianças, tirando elas das ruas, porque pode ter um futuro talento aí para São João… e com um pouco mais de apoio nessa questão de base, poderíamos ter muito mais atletas.

VAN: Falando um pouco agora do Fábio Mineiro profissional, você saiu de São João novo. Como foi sua descoberta no meio do futebol? Foi através das famosas peneiras, foi olheiro, empresário?

F.M.: Foi através de olheiros e contatos, algumas pessoas envolvidas no meio do futebol que me levaram para fora. Uma coisa que eu guardo muito bem, foi o apoio do meu tio quando eu me mudei para Divinópolis. Às vezes não tinha muito aquela ajuda de custo do clube, tinha que ficar pegando quatro ônibus por dia para poder treinar e voltar. Mas eu me comprometi a passar por isso, porque eu tinha um sonho a realizar. Graças a Deus, depois eu tirei tudo de melhor e cheguei ao profissional e disputei competições que qualquer um gostaria de disputar.

VAN: Você jogou na Polônia, Bolívia e agora está na Grécia. Desses países, em qual você encontrou maiores problemas de adaptação? Tem algum fato curioso ou engraçado que você pode contar para a gente?

F.M.: Quando eu estava em São Paulo, nunca tinha viajado para fora do país. Fui para a Polônia. Dificuldade você encontra, cultura diferente, comida diferente. Mas eu sempre fui uma cara que estava ciente do que queria, e não era pouca dificuldade que iria fazer eu desistir do meu sonho. Tinha saudade da família, mas eu passei por cima de tudo isso aí. Um critério que pesou muito na Polônia foi o clima: chegou a fazer -20ºC.
Lembro de uma história engraçada com um amigo nosso, do Nordeste, que tem o apelido de Romário. Estávamos indo para pegar um voo e, na hora de passar pela alfândega, o raio x não parava de apitar. A gente ficou se perguntando: "o que é que essa cara tem? será que ‘tá armado?". Nisso a polícia pediu para ele abrir a mala e, quando vimos, tinha uma colher enfiada dentro de uma lata de doce de leite (risos).

VAN: Na libertadores de 2011, quando atuava pelo Jorge Wilstermann (Bolívia), vocês caíram em um grupo que contava com Jaguares (MEX), Emelec (EQU) e Internacional (BRA), você jogou no Beira Rio (Estádio de Copa do Mundo). Qual foi a sensação de jogar para um público de 50 mil pessoas?

F.M.: Foi um sensação única. Todo jogador sonha em jogar em um estádio como o Beira Rio, contra uma equipe que era campeã mundial com vários jogadores como D´Alessandro, Oscar, Kleber, Damião… Para mim, foi uma experiência muito boa, pude tirar muitas coisas boas desta partida. Jogamos também no próprio Jorge Wilstermann com 30 mil pessoas, e eu guardo boas recordações.

VAN: Nesse jogo contra o Internacional no Beira Rio, você teve algum caso inusitado dentro do jogo que você possa contar, alguma conversa com algum jogador?

F.M.: No intervalo do jogo, o Oscar (Seleção brasileira e atual jogador do Chelsea) chegou e me deu um toque na época que o treinador Abel Braga mandou redobrar atenção sobre mim, porque eu era o que estava mais criando dificuldade para a zaga do Inter até o momento.

VAN: Fale um pouco do seu time nesse momento, da estrutura e tempo de contrato...

F.M.: Bom, eu estava na Cabofriense e apareceu uma proposta da Grécia, que aceitei e, no dia 3 de setembro, cheguei ao meu atual clube. Mas aconteceu um problema na transferência, porque a janela europeia de transferências fechava dia 2 de setembro, então tentaram me inscrever nessa data, mas não conseguiram e fizeram uma solicitação na FIFA.Todo esse esforço era para eu jogar o primeiro turno do campeonato. Como não houve êxito na apelação, só poderia ser inscrito quando a janela de transferências reabrisse, no dia 2 de janeiro. Com isso ganhei um tempo aqui em São João del - Rei, onde posso ficar um tempo com minha família e amigos. Mas depois dessa pequena folga, volto para a Grécia, onde começo os treinos com meus companheiros e espero ainda ajudar meu clube na disputa do primeiro turno, que tem seu término no dia 26 de janeiro.

VAN: Muitos jogadores brasileiros que vão para a Europa sofrem com o racismo. Temos um grande exemplo, que é o caso do volante da seleção brasileira de futebol e do Tottenham (Inglaterra) Paulinho, que assim como você, jogou na Polônia e quase abandonou o futebol por esse motivo. Você teve algum incidente nesse aspecto na sua carreira no exterior?

F.M.: Sim, tive um incidente na minha chegada à Polônia em 2009, quando eu e meu amigo Edson, por sermos brasileiros, sofríamos com os olhares estranhos da população da cidade onde jogamos juntos. Mas não tive maiores problemas, sempre fui bem respeitado por onde passei, tirando essa ocasião.

VAN: Fábio, vida de jogador às vezes é meio ingrata. Vários são os exemplos de jogadores que tiveram a chance de se dar bem na vida através do futebol, mas acabaram desperdiçando por fatores extra campo. Você já pensou em abandonar a carreira de jogador de futebol?

F.M.: Sim, já estive pensando em parar, porque, como hoje sou um pai de família, às vezes você encontra alguns clubes que pecam na questão salarial, então isso me deixa chateado, pois sou um trabalhador igual a todos. Se você trabalha, quando chega o fim do mês você quer receber seu salário, pois você tem contas a pagar, família para sustentar, filho para criar… Já passei por essa situação de atraso de salário, mas tive o apoio de pessoas muito importantes na minha vida, que me ajudaram nos altos e baixos que essa carreira nos propõe. Agradeço a Deus por ter me ajudado também nos momentos difíceis e a toda a minha família, que me apoia sempre. E espero agora, com 25 anos, poder “estourar” na minha carreira. Às vezes encontro pessoas que dizem que já estou velho para acontecer isso, mas não acredito nisso, pois existem vários casos de jogadores profissionais que obtêm o sucesso meio tarde. Temos o exemplo do Diego Costa, que foi renegado por vários clubes aqui no Brasil e hoje se encontra na Espanha, jogando no Atlético de Madrid. No futebol, basta estar bem fisicamente, porque quando a oportunidade aparece, você tem que estar bem para poder agarrar e dar sequência na carreira.

VAN: Você pretende voltar ao Futebol brasileiro em um curto espaço de tempo? Você teria alguma preferência por algum clube?

F.M.: Isso depende muito da parte financeira, pois também existe a proposta da Grécia, onde já me pagaram uma parte e espero poder receber o resto, pois essa parte financeira é muito important,e e se houver algum atraso isso pode alterar a sequência do trabalho. Mas se houver alguma proposta boa daqui do Brasil, não vejo problema em voltar.

VAN: Fabio você jogou aqui no Brasil e rodou o mundo. Devido a essa violência no futebol brasileiro, onde você se sente mais seguro? Aqui no Brasil ou no exterior?

F.M.: Essa parte de segurança não é um problema só do Brasil, mas ocorre em vários lugares do mundo. São poucos os países em que não existe esse problema. Hoje aqui no país existe um problema muito grande de segurança nos estádios, onde famílias não podem mais ir sem se preocupar com a violência. Mas esperamos que sejam tomadas providências, que não venham a punir somente as equipes, mas sim essas pessoas que se dizem torcedores, pois quem tem que frequentar os estádios são os verdadeiros torcedores. Esperamos mais segurança nessa área esportiva e a separação dos verdadeiros torcedores.

VAN: Na infância, todo menino se espelha em alguém. Em quem você se espelhou no futebol?

F.M.: Sempre me espelhei no Ronaldo fenômeno. De muitos, é o que acho melhor de todos, com uma habilidade fora do comum, uma explosão e uma finalização… Gosto muito do Ronaldinho Gaúcho também, mas o cara que me inspira é o Ronaldo.

VAN: Fábio, você é um exemplo aqui em São João del - Rei, um cara que venceu na vida, jogou a Libertadores, em vários estádios conhecidos mundialmente. Qual é a mensagem que você deixa para essa garotada que está começando agora?

F.M.: O recado que eu posso deixar é que a criança que tem aquele sonho, não desista, vá até o final. Eu não desisti, passei por muitas dificuldades na categoria de base, mas nunca desisti. Enfrentei, fui até o final e pude jogar várias competições, como a Libertadores, que é o sonho de todo atleta jogar. E jogar fora do país, tive essa oportunidade e espero que todos esses meninos que têm esse sonho se dediquem, façam o máximo e que tenham perseverança para que um dia esse sonho possa ser realizado. Basta acreditar.

VAN/Diego Cabral/ Rafael Silveira/ Cristiano Giovanni
Foto: Arquivo pessoal

Doadores de sangue são homenageados na cidade


No dia 25 de novembro comemora-se o dia nacional do doador voluntário de sangue. O Hemominas, que é o setor de captação de São João del-Rei prestou homenagens aos doadores fidelizados, aqueles que já fizeram várias doações. 

Trabalhando há vários anos no Hemominas, a captadora Elisabeth José dos Santos conta que o objetivo maior do seu trabalho é cumprir metas no sentido de buscar ajuda para aqueles que precisam. Sendo assim, a captadora acredita que a pessoa mais importante dentro de um hemocentro é o doador.


Vertentes Agência de Notícias: Quais são os problemas enfrentados pelo Hemominas de São João Del Rei atualmente?

Elisabeth José dos Santos: O problema maior enfrentado no momento é conseguir doadores voluntários suficientes para atender à demanda. Nós temos um trabalho muito árduo para conseguir manter o estoque essencial para o atendimento da população e dos hospitais que a gente atende hoje.

VAN: Quais são as instituições que o Hemominas atende?

Elisabeth: Os hospitais em São João Del Rei: Santa Casa, Hospital das Mercês, Renoclim, a Ancologia, a Neonatal e a UPA. Todos estes estabelecimentos de saúde são atendidos com sangue que se colhe aqui no Hemominas. E nós temos na região as cidades de Entre Rios, Resende Costa, Prados, Lavras, São Vicente de Minas, São Tiago, Lafaiete, todas essas cidades são atendidas pelo sangue que é coletado aqui em São João Del Rei.

VAN: Qual o tipo de sangue mais procurado?

Elisabeth: O tipo de sangue mais utilizado é o O positivo. A gente costuma dizer que o sangue mais difícil de se ter no homocentro são os sangues do tipo RH negativo, principalmente o O negativo, que é considerado o doador universal, que serve para todos os tipos sanguíneos. Mas temos um percentual muito pequeno de doadores O negativo, então a demanda às vezes é grande e falta esse tipo sanguíneo aqui. Com certeza o mais utilizado é o O positivo, porque a maioria da população tem esse tipo sanguíneo.

VAN: Quando vocês precisam de algum tipo de sangue como que é feito o contato com os possíveis doadores?

Elisabeth: Quando passamos por situações difíceis, principalmente nas épocas de férias, nas épocas de frio, temos algum paciente com necessidade maior de transfusão, a gente tem um serviço chamado Serviço de Convocação: a própria unidade convoca os doadores que já são cadastradas com o grupo sanguíneo que a gente está necessitando no momento e pede para que eles venham até o Hemocentro fazer essa doação. A primeira iniciativa é a convocação do doador, depois a gente faz apelo à população, faz o uso da mídia, que hoje é muito importante para fazer a conscientização dessas pessoas, e também estamos usando agora a rede social, que tem dado muito certo, lançando na rede social a necessidade de doação de sangue. A gente conta com parcerias, a própria UFSJ é uma parceira nossa, há empresas que têm parceria com a gente, supermercados, redes maiores que têm um maior número de funcionários. [Esses parceiros] estão sempre com a gente, participando nesse projeto de doação de sangue, principalmente nessas épocas de dificuldade.

VAN: Qual o processo do sangue doado?

Elisabeth: Na realidade, o sangue tem vários componentes: o plasma, o crio, as plaquetas e um concentrado de hemácias, tudo no próprio sangue, que a gente chama de “sangue total”. Quando a pessoa vem doar sangue, ela doa o sangue total, com todos esses elementos, e esse sangue vai passar de uma bolsa para o Setor de Fracionamento, que vai fracionando os elementos, vai retirar 300 ml de hemácias (os glóbulos vermelhos), vai tirar o plasma dessa mesma bolsa, a plaqueta e o crio. Então, na realidade, quando uma pessoa vem doar sangue, ela doa quatro elementos para quatro pessoas diferentes. Os elementos do sangue e seus componentes são transfundidos de acordo com o diagnóstico do paciente. Se [o paciente] está com anemia, ele vai receber o concentrado de hemácias; se está com um sangramento intenso, vai receber o crio, o plasma ou a plaqueta, conforme determinação do seu médico. Há todo um processo após a doação, para que sejam aproveitados todos os elementos do sangue.

VAN: Quantas pessoas vêm doar por dia aproximadamente?

Elisabeth: A nossa meta são 40 doações por dia. Temos um atendimento apenas na parte da manhã, que é de 7h30 às 11h30. Mas infelizmente agora, por exemplo, nessa época de calor e férias, acumulando provas, diminui um pouco esse fluxo. Estamos  tendo uma média de 25 a 30 doadores por dia.

VAN: Em comparação com o mesmo período de 2012, o número de doações sofreu alteração?

Elisabeth: [As doações] têm aumentado muito, porque há várias campanhas em que nós trabalhamos, temos vários projetos, que realizamos durante o ano. Em 2012, com o incentivo às doações femininas e o trabalho junto à UFSJ, a gente tem conseguido manter um atendimento maior para doadores voluntários, e principalmente [no caso das] mulheres. Antigamente, tínhamos um percentual de 15% de mulheres doadoras. Hoje, 45% das mulheres estão doando sangue. Estamos trabalhando em cima disso, derrubando tabus, fazendo com que as pessoas entendam que a doação é importante e que qualquer pessoa pode doar, isso não vai prejudicar ninguém, só vai ajudar as pessoas. Esse é nosso trabalho contínuo, do dia a dia, vamos doar porque é necessário e não faz mal a ninguém. [As doações] têm aumentado bastante, em 2013 nós vamos fechar o ano felizes. 

VAN/Fernanda Rezende e Suellen Jacques
Foto: Suellen Jacques

Brasil comemora dia da Instituição do Direito ao Voto da Mulher


Há 83 anos, no dia 3 de novembro de 1930, o então presidente Washington Luís instituía o direito feminino ao voto e, desde então, a data é comemorada como o Dia da Instituição do Direito ao Voto da Mulher.

Apesar de o voto feminino ter sido devidamente regulamentado somente durante o governo de Getúlio Vargas, os ideais sufragistas chegaram ao Brasil em 1919, trazidos da França e difundidos pela bióloga Bertha Lutz que, em parceria com a militante anarquista Maria Lacerda de Moura, fundou a Liga pela Emancipação Intelectual da Mulher, que se tornou Federação pelo Progresso Feminino.

A professora Aline Martins, que ministra a disciplina Problemas de gênero: psicologia e teoria feminista, no curso de Psicologia da UFSJ, comenta sobre a importância da data.

Vertentes Agência de Notícias: O Movimento Sufragista no Brasil foi conquistado antes da maioria dos países latino-americanos – em parte, pela relação próxima que as sufragistas tinham com a elite política. Para você, qual foi o significado desse processo?

Aline Martins: O movimento sufragista ocorreu no Brasil de forma diferente dos países da Europa e dos Estados Unidos, sendo influenciado pela condição social e histórica de cada nação. A primeira onda do movimento feminista acontece no final do século XIX, quando as mulheres se únem, sobretudo na Inglaterra, para lutar pelos seus direitos, em especial o voto.  No Brasil, a primeira onda também é marcada pelo direito ao voto. A partir deste direito conseguido, foram atribuídas à mulher lugares permitidos e lugares proibidos. O lugar da política era o lugar mais proibido e, por consequência, o mais difícil de romper. A política reproduzia a própria hierarquia da sociedade brasileira que, por meio da sua história, legitimou a desigualdade. A militância feminista, assim como a militância de outros movimentos sociais, como negros e gays, mostra a inserção destes sujeitos no campo político, revelando um novo lugar a ser ocupado no espaço público da sociedade. O movimento feminista é um movimento comprometido com a reflexão crítica, com a construção de uma teoria que permita a leitura da sociedade a partir de novos olhares.

VAN: O sufrágio feminino no Brasil é um dos pilares da luta das mulheres pela luta por igualdade dos direitos e de tratamento. É possível afirmar que atualmente as mulheres possuem condições igualitárias as masculinas?

A.M: Sobretudo entre a década de 70 e 90, as feministas se interessavam em determinar a quem atribuir o peso explicativo da opressão contra as mulheres, embora existisse uma importância quase que unânime sobre os fundamentos das causas sociais. Com o advento da teoria feminista pós-moderna ou pós-estruturalista, a preocupação se baseia na busca da causa original e fundadora da opressão, levando em consideração outros aspectos que estão por detrás do fenômeno. A teoria feminista moderna propõe uma desconstrução da categoria de “mulheres”, defendendo que a noção de mulheres e homens se desenvolve a partir de construções históricas variadas que perdem coerência e estabilidade com o passar do tempo. É possível afirmar que a mulher, enquanto sujeito do feminismo, possui mais condições de questionar os mecanismos de reprodução e manutenção de poder presentes no mundo em que vivem e se posicionarem diante dessa realidade. 

VAN: Você vê alguma relação entre o direito de voto da mulher e o de ser votada com a participação da mulher no mercado de trabalho, em especial em postos de comando?

A.M: A maior participação da mulher no mercado do trabalho é um reflexo da saída da mulher do campo privado para o público. O movimento feminista possibilitou o direito ao voto, como outras conquistas. A mulher passa a circular em outros espaços, a assumir novas responsabilidades e papéis antes restritos. Podemos afirmar que as mulheres, em sua gama de variáveis, o que inclui questões econômicas, raciais, dentre outros, ainda não ocuparam todos os lugares possíveis.

VAN: Em que patamar a mulher brasileira estaria politicamente hoje comparando-se com outros países da América Latina e do mundo?

A.M: A mulher brasileira, assim como outras mulheres do mundo, a depender de todas as variáveis que compreendem o termo “mulheres”, possuem novas formas de circulação no universo público, a depender do contexto histórico, dos mecanismos de poder e legitimação que determinam quais espaços e papéis assumir. Hoje, as mulheres produzem uma política de presença, ou seja, a articulação feminista está para além da construção de ideias, ela se corporifica. Da mesma forma ocorre na América Latina e em outros países a depender da configuração de cada sociedade e da maneira que as lutas feministas de cada país ganham forma.

VAN/Ana Claudia Lima
Foto: Arquivo Pessoal

Jornalismo e Religião


JB Vital mineiro, nascido em 1947 na cidade de Barão de Cocais, é um jornalista formado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), casado com quatro filhos. Quando jovem, JB foi seminarista e, mesmo tendo decidido sair do seminário e seguido a carreira jornalística, JB continuou sua pesquisa com temas ligados à igreja, tendo sido também assessor na campanha de políticos como Tancredo Neves e Hélio Garcia. Ele passou também por grandes veículos de comunicação. Seu interesse sobre a igreja fez com que escrevesse um livro, “Como se faz um Bispo”, que está em sua segunda edição.
JB Vital esteve em São João del-Rei para ministrar uma palestra, que foi a aula inaugural do segundo semestre de 2013 para os alunos do curso de Comunicação Social da UFSJ. Na ocasião, ele contou mais sobre suas experiências, falou de sua profissão e do conteúdo de seu livro. Logo após a palestra, que durou cerca de 30 minutos, JB Vital abriu para que os presentes fizessem as perguntas.

1. O senhor chegou a ser coroinha e depois seminarista. O que o levou a seguir essa vida, e por que você não se tornou padre?
O evangelho tem uma frase que diz o seguinte: “muitos são chamados, mas poucos são os escolhidos”. Eu não fui escolhido, então é isso aí, eu entrei no seminário em 1959, eu tinha 11 anos. Fui estudar em BH e eu percebo hoje como o seminário marcou a minha vida, minha formação, minha índole, temperamento. Hoje eu encontro com meus amigos seminaristas em Belo Horizonte - nós temos um grupo muito grande que faz encontros - e eu vejo o seguinte: nós todos somos mais ou menos parecidos. [No grupo] tem médicos, engenheiros, jornalistas, advogados, mas que têm uma marca, como um tipo de gente que está meio deslocada, que não sabe se esse é o mundo dela mesmo, sabe? Mas é bacana.

2. Desde a escolha do Bispo Mathias (o primeiro Bispo), os Bispos já foram escolhidos de formas variadas. Na sua opinião, qual seria a maneira correta de escolher um Bispo?
Realmente o primeiro Bispo, sucessor dos apóstolos, foi escolhido no sorteio, porque Judas Iscariotes havia se matado e era necessário preencher a vaga dele. Os bispos são considerados sucessores dos apóstolos e hoje eles são escolhidos pelo Papa, há um processo muito refinado, muito interessante, em que os candidatos passam por uma triagem muito grande, um esquema de investigar a vida de todo mundo e, mesmo assim, de vez em quando passa algum que não é lá muito bento não! No passado já foi diferente. Durante muito tempo, os Bispos foram escolhidos por seu fiéis, pela comunidade, depois a coisa foi evoluindo, até chegar nesse sistema atual, em que o vaticano nomeia, com a ajuda dos seus núncios apostólicos, o embaixador do Papa. Então, cada tempo tem o seu modo de escolher. Imagina hoje, em que tudo é feito à base da disputa política e para escolher uma diretora de uma escola tem disputa, imagina a escolha de um Bispo! Então eu acho que é a melhor forma que está sendo feita.

3. No seu livro, Como se faz um Bispo, como surgiu a ideia de abordar a figura do Bispo? O que te levou a pensar nessa questão?
Sempre me ficou uma dúvida, eu tinha uma pulga atrás da orelha. Por que alguns são escolhidos e outros não? E nem sempre os mais brilhantes é que são escolhidos Bispos. Então, eu tenho mil histórias de como é que são feitos os Bispos, tem muitas piadas, mas também tem muito caso de pessoas que são escolhidas, como dizem, pelo Espirito Santo. 

4. Hoje você ocupa a cadeira n° 4 da academia de letras em Mariana, desde o ano passado. Como isso reflete em seu trabalho?
Primeiro foi um susto, eu não esperava quando me convidaram, eu fiquei como todo jornalista quando entra para Academia de Letras, o Carlos Castelo Branco que merecia com todas as razões ser membro levou um susto, O Oto Lara Rezende, daqui de São João, também ficou assustado. E muitos outros jornalistas ficam assim, porque quem faz literatura faz jornalismo, nós sabemos que o jornalismo não é bem literatura no sentido estrito da palavra, pois nós cobrimos o fato, a notícia. No meu caso, eu tenho procurado escrever livro-reportagem, e é sobre isso que eu quero falar aqui hoje em São João, dentro de um tema que, no meu caso, é o tema da igreja.

5. Qual mensagem o senhor tem para passar para os alunos de jornalismo que estão entrando na carreira?
Primeiro eu vou cumprimentar todo mundo, porque eu fiquei sabendo que o curso de jornalismo daqui ficou em terceiro lugar no ENADE. Segundo, eu vou dizer o seguinte: jornalismo é sensacional, isso é vocação mesmo, tem que procurar seguir o seu instinto e fazer jornalismo. E é uma forma de tentar melhorar o mundo. Eu estou participando de uma associação chamada “Associação Internacional de Jornalistas de Religião”, uma associação que nós fundamos em Bellagio, na Itália, ano passado. Tem gente do mundo inteiro, do Paquistão, África, Mórmon, tem todo tipo de gente, e a nossa ideia é fazer do jornalismo uma forma de reduzir a intolerância religiosa. Quanta guerra já foi feita no mundo por causa de religião! Então, eu acho que o jornalismo pode acabar com a intolerância e promover a compreensão entre os povos. 

VAN/Fernanda Rezende
Foto: Fernanda Rezende

Acontece em Resende Costa a tão sonhada Mostra de Artesanato




Mostra valorizou atividades voltadas para o artesão e empreendedor

Resende Costa recebe, de 29 de maio a 2 de junho, a primeira Mostra de Artesanato e Cultura, visando valorizar a principal atividade econômica do município. Shows, oficinas, palestras, atividades culturais e intelectuais fazem parte do evento. Confira a entrevista com o responsável pelo Setor de Artesanato, Turismo e Cultura da Prefeitura Municipal de Resende Costa, Luís Cláudio dos Reis:

VAN: A Mostra de Artesanato é um evento sonhado há muitos anos em Resende Costa. Qual o objetivo desse primeiro evento?
Luís Cláudio dos Reis: Tivemos uma particularidade esse ano, que é o aniversário da cidade, no dia 2 de junho, fechando o feriado de Corpus Christi. A intenção foi aproveitar o movimento natural da cidade e região. Como tínhamos a previsão das comemorações dos 101 anos de Resende Costa, reunimos as duas ideias. Pretendemos aproveitar essa data nos próximos anos e fazer com que a Mostra integre a agenda de eventos do município. Contratamos alguns shows interessantes, atraentes, mas o foco principal da Mostra não é esse. Queremos apresentar nossos movimentos culturais e técnicas de artesanato. Resende Costa é, hoje, além de produtora, fornecedora de artesanato a nível nacional e até internacional. Tivemos a preocupação de antecipar a programação de palestras e oficinas para dois dias antes da abertura oficial, para valorizar o resende-costense, nosso artesão, empresário. É um grande presente de aniversário a realização da primeira Mostra de Artesanato e Cultura de Resende Costa.

VAN: A Mostra é uma promessa de campanha do prefeito Aurélio. A intenção era mesmo promover o evento nesse primeiro ano de governo?
Luís Cláudio dos Reis: No primeiro ano de uma administração se trabalha com o orçamento da administração anterior. O que havia previsto eram os recursos para o aniversário da cidade. Um fator que contribuiu é que esse ano estamos recebendo o ICMS Turístico, o que ajudou a complementar. Além disso, nossos parceiros, como Sebrae, Estrada Real, Sicoob Brasel,  ACI del-Rei, foram fundamentais na realização da Mostra. Nosso recurso é restrito e não haveria tempo de realizar todo o processo. A questão do tempo também nos impediu de trabalhar com patrocínios. Mas, no fim, conseguimos usar o recurso à disposição e fazer esse evento tão esperado.

VAN: Como aproximar o turista da técnica de produção?
Luís Cláudio dos Reis: Montamos um tear na Tenda Show, na Avenida Alfredo Penido, onde foi realizado o evento, para que as pessoas que não conheciam pudessem ter esse contato. Colocamos uma roca também como ilustração, decoração do espaço produtivo. Além disso, escolhemos a rua principal do artesanato como palco do evento. É uma feira permanente de artesanato.


VAN/ Emanuelle Ribeiro
Foto: Fernando Chaves

Torcedor e Narrador



Torcedor apaixonado pelo Santos Futebol Clube e um profissional da comunicação, Ruscillo mora em Guarujá, cidade localizada na baixada Santista. Inspirou-se em nomes como Galvão Bueno e José Silvério para realizar o seu trabalho na rádio Santista e, em uma breve entrevista, ele nos conta um pouco do seu trabalho e da sua inspiração para realizá-lo.

VAN: Segundo o site da Rádio Santista, você foi um dos idealizadores da Rádio. Como surgiu a ideia de construir uma rádio voltada para o Santos Futebol Clube?

Ruscillo: Na época, eu era estagiário do Portal Santista Roxo. A ideia era fazer algo que funcionasse como uma "tecla SAP", que saísse da transmissão convencional e que falasse a língua do santista. Com o tempo, fomos aperfeiçoando, e o resultado é um produto de relativo sucesso entre os torcedores.

VAN: Quais foram as dificuldades iniciais que você e os outros membros da Rádio enfrentaram?

Ruscillo: Foram várias dificuldades. Operacionais, principalmente. No início, não fazíamos jogos no estádio. Era cada um em sua casa, interligados por Skype. Além disso, não tínhamos uma aparelhagem ideal, coisa que fomos adquirindo com o tempo. No início, nossas transmissões tinham quase 1 minuto de delay em relação ao jogo. Isso atrapalhava demais. Hoje conseguimos, nos jogos na Vila, ter o áudio chegando até mais rápido que a imagem da TV.

VAN: Qual a relação da Rádio com a diretoria do clube?

Ruscillo: Hoje, como rádio oficial, o clube financia a existência da rádio. Prestamos este serviço ao clube. Mas não é nada de muito extravagante, apenas o suficiente para bancar os custos da rádio e de TV e internet dos integrantes.

VAN: Como os Santistas reagem ao trabalho realizado pela Rádio Santista?

Ruscillo: Procuramos falar a linguagem do torcedor, ainda que sejamos a rádio oficial do clube. Não podemos criticar pesadamente um jogador, da mesma forma que não podemos deixar de emitir a opinião. Com o passar do tempo, achamos o tom certo, e o torcedor-ouvinte entendeu isso.

VAN: Você já recebeu alguma proposta para trabalhar fora da Rádio Santista após a fundação?

Ruscillo: Sim. Em 2012, eu fui convidado a participar do projeto "Arquibancada Oi", da operadora Oi e do Esporte Interativo. Fiz uns 15 jogos do Campeonato Brasileiro do ano passado lá. No fim do ano, resolvi retornar à Rádio Santista.

VAN: Você obtém alguma influência de outros narradores para realizar o seu trabalho?

Ruscillo: Algumas. Galvão Bueno é uma delas. O jeito como ele torce nos jogos da seleção é uma referência. Na locução em si, gosto de mesclar alguns estilos, como os de José Silvério e Ulisses Costa, que são os narradores de rádio que mais ouço.


VAN/ Thaís Marques da Silva, Maria Catarina Carvalho
Foto: Arquivo pessoal

Produtor de cachaça artesanal




VAN: Quando você começou a trabalhar com a produção de cachaça artesanal?

Leonardo Campos: Começou como um hobby enquanto eu trabalhava como economista. Depois, resolvi transformar o hobby em negócio e eu já tinha a fazenda.  O inicio de qualquer negócio é difícil, agora que a marca está se firmando no mercado, isso graças a um trabalho muito árduo, porque você tem que manter qualidade e preço. E o preço não é fácil manter, porque os custos aumentam de forma firme e quase que linear, todos os anos ocorrem aumentos de salário, de energia, então, com isso, tenho uma serie de gastos, é o efeito cascata. O custo de corte cana que, no inicio, custava 40 reais, hoje chega a 100 reais. E quando eu aumento o preço, o mercado recua, e ainda tem as barreiras tributarias, que hoje existe em virtude da substituição tributaria que foi criada pelo governo mineiro e que foi copiado por muitos outros estados, principalmente São Paulo. Em São Paulo hoje, a minha cachaça está quase que inviável, porque o governo decidiu que cada garrafa da jacuba que entrar em SP eu tenho que pagar R$4,93 (quatro reais e noventa e três centavos), e eu tenho que repassar isso para o consumidor. 

VAN: Como você avalia o consumo de cachaça em Minas Gerais?

Leonardo Campos: O mineiro não sabe beber cachaça, o mineiro bebe em copo americano e em grande quantidade e sem qualidade, toma quantidade e não qualidade. O que nós estamos colocando para o mineiro que ele tem que tomar a dose de 60 ml, ele tem que tomar devagar para degustar a cachaça. Os bebedores de cachaça estão mudando e a cachaça não é mais aquele produto pejorativo, a cachaça é mais apreciada.

VAN: Qual a importância da produção da cachaça artesanal no Brasil?

Leonardo Campos: É importante para o Brasil é produzir cachaça de qualidade e que o consumidor possa ter acesso sem ter problema de saúde, essa é a vantagem da cachaça artesanal. Ter produto compatível com outros produtos produzidos em outros países, como vodka, o vinho, o wisk.


VAN/Marina Ratton
Foto: Reprodução



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