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O Japão que habita a UFSJ


"Foi uma oportunidade de conhecer pesquisas sobre o tema abordado, oportunidade de diálogo com pesquisadores e diálogos com outras artes: dança, cinema, teatro”, contou a professora Juliana Monteiro, que coordenou a I Semana Acadêmica do Curso de Teatro da UFSJ. O evento, que encerrou suas atividades no dia 14 de outubro, aconteceu no campus CTan da Universidade Federal de São João del-Rei e promoveu palestras, conferências, sessões de comunicação e intervenções artísticas sobre o tema “O Japão que nos habita – presenças, pontes e traços”.

Participaram do encontro professores da UFSJ, UFOP, UNICAMP e UFMG. Para Monteiro, as sessões de comunicações trouxeram uma experiência nova para os participantes. “Foi possível ver o aluno e o professor em outra situação, para além do ambiente da sala de aula”, ressaltou.

A intervenção artística final “Entre Lugares” foi exibida no pátio do Reuni III para alunos de diversos cursos da universidade. A apresentação trouxe um tema local/global: a morte de um rio próximo e a necessidade de se preservar a água. O aluno do curso de teatro Rick Ribeiro participou da performance e lembrou de um questionamento durante a apresentação. Segundo ele,  foi muito interessante quando um moça que estava assistindo disse:

- “Nossa isso é um desperdício de água”.                                               

No final, a gente explicou:

- “A água é daquele rio que está morrendo. É essa a mensagem que a gente quer passar”.

Nos dias anteriores, outras intervenções tiveram espaço na programação: a abertura com exercícios do Núcleo “A Poética do Invisível” (NAPI), a presença de artistas locais como Dorothy Lenner e a exibição de tela virtual de Guido Boletti.

A Profa. Juliana Monteiro que coordena um grupo de estudos sobre arte oriental na universidade, contou que a ideia inicial era levar alguns alunos à São Paulo para conhecer especialistas no assunto; entretanto concluiu que era melhor fazer o evento em São João del-Rei. “Pensei: é mais fácil trazer os professores e poder abarcar um número maior de pessoas, principalmente porque as atividades não foram fechadas apenas para alunos do curso”, finalizou.

Texto: VAN/Camilla Silva
Foto: Divulgação/Blog 


Projeto divulga a arte circense na Praça do bairro Matosinhos


Estudantes de Teatro divulgam o saber circense na Praça Senhor Bom Jesus, no bairro Matosinhos, todas as quartas-feiras, às 14h. Resultado do projeto Circo e Teatro Para Todos, as interações dão ao lugar um tom circense em meio à movimentação dos transeuntes, transformando a praça em espaço livre para aqueles que querem aprender ou apreciar a arte tão antiga do circo. 

Para Cláudio Alberto do Santos, professor do curso de Teatro da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) e coordenador  do projeto,  iniciativas como esta visam a  democratização do acesso à arte. “O espaço em que o projeto circense se desenvolve é a rua e, nela, convivem pessoas de diferentes grupos sociais. E, com tempo, a praça vem se transformando em ponto de referência para aqueles querem trocar conhecimentos sobre as artes circenses. Aqui – na praça - é onde o conhecimento universitário encontra-se com a comunidade, superando o muro que existe entre a Universidade e a população em que ela está inserida”, afirma o coordenador. 

Segundo a monitora do projeto Ingrid Medina, é oferecida a oportunidade de contato com a arte circense de forma natural e para pessoas de todas as idades. “Algumas pessoas criaram o hábito de vir aqui todas as quartas-feiras. É variável nosso público. Nós não buscamos as pessoas, elas vêm até nós”, explica Ingrid. 

A estudante Jeniffer Vivas Correia, 14, frequenta o projeto há vários meses. Ela conta que conheceu o projeto quando estava passando pela Praça de Matosinhos e viu pessoas fazendo alguns exercícios circenses, como atravessar a slackline – fita de cerca de 6 metros de comprimento e 10 centímetros de largura. “Faço os exercícios circenses apenas por hobby. Mas, quando tiver mais tempo, pretendo aperfeiçoar meu desempenho nos aparelhos circenses”, comenta a estudante.

VAN/Antonio M. Ferreira
Foto: Antonio M. Ferreira


Artistas e tiradentinos comentam o Festival Artes Vertentes


A partir do dia 12 de setembro, quinta-feira, a cidade de Tiradentes (MG) receberá artistas nacionais e internacionais durante a 2ª edição do Festival Artes Vertentes. Para a realização do evento, foi feita uma campanha no Catarse, plataforma de financiamento coletivo, para arrecadar os fundos via crowdfunding. Contudo, somente parte da programação é gratuita.

O segundo ano do evento, assim como o primeiro, conta com a presença de artistas da área de música, literatura, cinema, dança e artes visuais. Durante os dez dias do festival, passarão pela cidade artistas renomados, como o poeta Ferreira Gullar – artista homenageado desta edição –, a soprano Eliane Coelho, a cineasta armeniana Maria Saakyan – cujo filme “O Farol” será exibido –, o fotografo lituano Antanas Sutkus – pela segunda vez no festival –, o autor e ilustrador Nelson Cruz e vários outros.

Tanto o poeta e tradutor argentino Ezequiel Zaidenwerg quanto a pianista cazaque Oxana Shevchenko - ambos pela primeira vez na cidade - afirmam ter grandes expectativas em participar do festival. “Estou com grandes expectativas em relação ao Festival. Há um grupo excelente de artistas [no evento] e é uma honra participar disso”, declara Ezequiel. Enquanto Oxana afirma: “gosto muito da ideia desse Festival multiartístico, em que vários artistas convivem e colaboram entre si. Acho realmente fascinante e interessante essa ideia. Durante o Festival, espero encontrar artistas inspiradores e participar ao máximo da programação, além de apreciar esse  Brasil maravilhoso”.

Entretanto, um tiradentino, que não quis se identificar, participou da 1ª edição do festival e, embora pretenda ir a alguns eventos deste ano, opina: “A proposta é interessante, mas achei a primeira edição desorganizada e mal estruturada, sem mencionar a falta de equipe (voluntários ou não) para a produção. Corrigindo esse problemas, tem tudo para ser um ótimo festival”.

Segundo Wiliam Wiermann, morador da cidade, um fator que dificulta a presença da população de Tiradentes no evento é o custo alto de algumas das apresentações. “Não participei da edição anterior, mas acredito que o festival pode se tornar um dos melhores da cidade. Devemos pensar o que é arte e para quem essa arte/festival é oferecida. Penso que as atividades, ações, são muito elitizadas, não abrindo suas portas a toda a população tiradentina.” completa Wiliam.


A relação dos artistas presentes no festival e a programação encontram-se no site: http://www.artesvertentes.com/

VAN/Silvia Reis
Foto: Silvia Reis

Peças históricas continuam desaparecidas em São João del - Rei


A cidade de São João del - Rei possui uma quantidade significante de acervos históricos que contam com igrejas e museus como seus guardiões. A maior parte dessas peças é, artisticamente falando, de grande valor. Com isso, não é de se estranhar que pessoas mal intencionadas já tenham cometido furtos, fato comum desde o século XIX, em Minas Gerais.  

Os roubos da região ocorrem com maior frequência nas igrejas, pois são locais mais vulneráveis e com pouco monitoramento, se comparados aos museus. Atualmente, todo o conjunto de museus existentes no país é pertencente ao Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM), que tornou mais eficaz a segurança desses espaços.  

Segundo Ryanddre Sampaio, museólogo do Museu Regional de São João del - Rei, pode-se conferir toda a lista de peças furtadas através do site do IBRAM, em que  é disponibilizado o Cadastro de Bens Musealizados Desaparecidos (CBMD). A CBMD é uma das ações implantadas pelo IBRAM que, além de ajudar na busca de itens desaparecidos, tem como objetivo a melhora das medidas de segurança nos museus brasileiros. 

As peças, ainda desaparecidas do Museu Regional desde a década de 60 e 70, são, aproximadamente, 7, segundo Ryanddre, embora constem apenas 3 no site do IBRAM. Dentre elas está a imagem de Nossa Senhora da Conceição, também conhecida como Nossa Senhora da Rosa Mística.  

Olinto dos Santos Filho, técnico do IPHAN de Tiradentes, relata um episódio em que, após uma exposição de figuras desaparecidas, algumas das peças expostas que pertenciam ao acervo de Congonhas chegaram pelo correio em Tiradentes como uma entrega anônima.  

O Museu de Arte Sacra de São João del - Rei, por sua vez, nunca sofreu qualquer tipo de roubo, conta Mauro André Santos, gestor do espaço. Ele relata que já houve furtos nas igrejas, como os ciriais da Igreja do Carmo, na década de 80, que nunca tiveram solução. 

Mauro ainda conta que, “apesar de as peças estarem sob a guarda do museu, elas saem, participam das cerimônias religiosas e depois voltam para a exposição do museu. Então é uma preocupação muito grande essa falta de segurança nas igrejas. Infelizmente, não há recursos financeiros, nem recursos técnicos para poder manter a guarda dessas peças”. 

Segundo depoimento dos entrevistados, como prevenção à situação de furtos de peças dos acervos, ambos os museus citados contam com uma vigilância 24h, um monitoramento físico e eletrônico, como fator humano e sensores espalhados pelos espaços, para uma maior segurança dos objetos guardados. 

VAN/ Lis Maldos
Foto: Lis Maldos

Arte através das Sombras




Luciano Pinto

Sombras Noturnas, um ensaio fotográfico produzido por Luciano Pinto, esteve em exposição no Centro Cultural da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), entre os dias 16 de maio e 2 de junho. O artista buscou transmitir ao observador novas experiências visuais e sensoriais, com um olhar diferenciado sobre a arquitetura de São João del-Rei e  Tiradentes.

Fotógrafo desde os 12 anos, Luciano sempre se interessou por arte, por imagens, e admirava a propagação das sombras com suas gradações. Apreciava as paisagens e nuvens, imaginando diferentes composições que poderia criar. Nos anos 80, adquiriu sua primeira câmera (Tekinha II), dando início à sua produção.

O artista já havia trabalhado como produtor de arte final e com diagramação de material didático, mas começou a ter a necessidade de se especializar em Artes Visuais. Sendo assim, em 2011, se especializou pelo SENAC. Sombras Noturnas nasceu como seu trabalho de conclusão de curso. Para realizá-lo, buscou, nas noites das cidades históricas, imagens em preto e branco que oferecessem um lado mais aprimorado da riqueza arquitetônica desses lugares.

Demonstrando-se preocupado com a preservação do patrimônio, o fotógrafo comenta que este foi mais do que um trabalho de conclusão de curso. O projeto tinha como objetivo buscar formas de valorizar o regional, pois, segundo ele, os turistas parecem se interessar mais pelo patrimônio da cidade do que muitos moradores da região. 

Luciano buscou inspiração no surrealismo, movimento artístico focado na construção do representativo, do abstrato, do irreal e do inconsciente. É visto nas obras de grandes fotógrafos como László Moholy-Nagy (1895-1946) e Thomaz Jorge Farkas (1930-2011). 

Como todo bom artista, os planos de Luciano Pinto não param por aí. Por possuir conhecimentos sólidos na produção de cerâmica, tornou-se aluno do curso de Artes Aplicadas da UFSJ.

Sendo capaz de dominar as técnicas, formas e texturas com funcionalidade e qualidade, ele espera que as peças que produz, assim como as fotografias, sejam ideias inovadoras promovidas no meio artístico.


VAN/Delcimar Ribeiro
Foto: Delcimar Ribeiro

De quadrinho em quadrinho



Glauco Soares é um cartunista autônomo de Barbacena. Ingressou para o mundo dos quadrinhos em 2010, sendo que, em 2012, assumiu uma linguagem própria para a sua produção. Jovem, Glauco procura divulgar seus trabalhos em seu blog “Debique di Boutique” e nas redes sociais. 

O cartunista conta que o seu primeiro interesse em relação a quadrinhos surgiu ainda na infância, lendo gibis de Maurício de Souza. No entanto, não os percebia ainda como gênero.  Isso só aconteceu quando conheceu os trabalhos do Laerte, Angeli e Glauco, que foram suas referências. 

Hoje, como cartunista, Glauco acredita que o campo está sendo limitado. “Eu acho que o espaço para um trabalho autoral, com personagens complexos, personagens com biografia, diminuiu muito. O que prevalece agora é um trabalho autobiográfico. O cartunista se tornou objeto de seu trabalho. Eu não gosto disso.”

Glauco opina sobre os cartunistas da atualidade. “Eu sou um produto mal acabado dos anos 80. Minha referência ainda é aquela turma que surgiu nessa década. Eu não gosto dos cartunistas atuais. Não há mais personagens, não há mais um cuidado com o desenho. E não quero dizer que as pessoas devam fazer um desenho elaborado, com traços refinados, mas um desenho cuja identidade do cartunista esteja patente.” E declara sobre o humor: “o humor se tornou vítima da ditadura do 'politicamente correto'”.

O artista explica que o processo de criação das suas tiras se mostra moroso e árduo, por dois motivos: o medo da criação e a preguiça. “Anoto ideias que ficam esquecidas durante um bom tempo. Retomo, refaço, descarto. A verdade é que tenho mais ideias anotadas que desenhos feitos.”, admite. Suas criações surgem da inspiração das ruas, quando realiza as suas caminhadas e observa as mais diversas histórias e pessoas.

Para Glauco, a internet tem sido uma ferramenta de extrema funcionalidade. O cartunista conta que, através das redes sociais, pôde apresentar parte da sua produção para grandes cartunistas como Laerte, Adão, Mike Deodato, que gostaram do que lhes foi apresentado. 

Para ele, jornais e revistas já têm espaço fixo de talentos, o que dificulta o espaço para os novatos. A internet também promoveu eventos curiosos e reconhecimento para o artista. “Uma vez, uma de minhas tiras foi compartilhada por mais de 4 mil pessoas. Mas o que me chamou mais a atenção foi um comentário supostamente negativo em relação ao desenho. Imediatamente entrei em contato com o autor da crítica. Meses depois, ele me respondeu, e disse que não se referia à tira. Ele me parabenizou pelo trabalho. Eis aí um defeito gravíssimo meu: sou muito sensível a críticas negativas”.  Mesmo com os obstáculos e dificuldades, Glauco deseja continuar nesse caminho “ até que alguém descubra minha genialidade “, brinca.


VAN/ Bruna de Faria
Foto: Arquivo pessoal

Profissão Inovadora




Natural da cidade de São José dos Campos - SP, o designer gráfico Marcos Vinicius Oliveira Fonseca, de 21 anos, começou suas experiências na área ainda bem jovem. Já atuou em diversas empresas e hoje trabalha com Marketing Digital da Recominte, empresa do ramo de aviação. 

O designer gráfico é um profissional que desempenha funções fundamentais dentro de vários setores. É o responsável por estabelecer a comunicação entre o veículo jornalístico e o leitor, a empresa e o público alvo, além de ser também aquele que harmoniza imagem e texto dentro dos anúncios e veículos de comunicação.

“Empurrado” para a área quando ainda não conhecia muito a respeito, Marcos iniciou na profissão quando recebeu a proposta de um amigo, que trabalhava no ramo, para trabalhar em uma gráfica e aprender o serviço dos designers. 

Com menos de um mês de experiência, já dominava todo o conteúdo, passando, assim, a ser o responsável por toda a parte de design da gráfica em questão. Após isso, Marcos começou a gostar mais da profissão e resolveu, então, se aprofundar nos estudos, ampliando, assim, as opções na área.

Trabalhando há cinco anos como designer, Marcos Vinicius não tem uma rotina fixa de trabalho. Para ele, sempre pode acontecer algo, e tudo o que está sendo feito pode mudar. “Você pode começar a montar a estrutura do trabalho e ir modelando aos poucos. Durante esse tempo, sempre aparece algum outro serviço para ser colocado na frente, por conta de alguma urgência.”

Durante a realização de seus trabalhos, Marcos percebeu as dificuldades enfrentadas pelo designer. “Acho que a maior dificuldade é que, muitas vezes, você tem que fazer a vontade do cliente/chefe e não a correta. Mudar sempre seu jeito de elaborar as artes, pois cada cliente tem seu gosto, discreto ou não”, opina. 
Os programas utilizados por ele para diagramação são Corel Draw e Photoshop. Para Marcos Vinicius, quem deseja atuar nesta área deve ter grande criatividade, praticidade, paciência e ser inovador. Marcos se forma em junho de 2013 no curso de Marketing, na Faculdade ETEP, em São José dos Campos.


VAN/ Carol Araujo
Foto: Arquivo pessoal

Um alquimista da arte



Da simplicidade,  um artista reconhecido...das dificuldades, a persistência para continuar... do lixo, as mais belas formas de arte.

“Embora seja difícil a pessoa viver da sua arte...o artista tem que continuar, pela sua teimosia e pela sua coragem. O tempo é sua resposta pra tudo”. Com palavras enfáticas, o artista plástico Wangui agradece, com brilho nos olhos, o reconhecimento que tem.

Para ele, essa valorização só tem sentido quando o artista ainda está vivo, quando o sangue corre nas veias, quando a emoção faz parte das conquistas. Funcionário do guarda-volumes da rodoviária de São João del-Rei, Wangui concilia a vida de artista com sua profissão, que lhe garante o sustento.

Sua paixão pela arte permitiu que ele tivesse, em seu local de trabalho, um painel com suas obras e a liberdade para conversar com as pessoas que quisessem conhecer um pouco da sua história. A vida nem sempre foi fácil, mas ele transformou os obstáculos em degraus para o sucesso. 

Desde criança, Wanderley Mario Guilherme, conhecido como Wangui, já despertava seu interesse por desenhos, ilustrando seus cadernos e se deliciando com as aulas de arte.  Com o passar dos anos, surgiu a vontade de pintar. Por conta própria, comprou algumas tintas básicas e a tela, se realizando ao reproduzir a imagem de uma mulher que havia visto em uma revista.

O tempo passou e a vontade de criar continuava falando mais alto. Sem técnica suficiente para se tornar um pintor, Wangui, incentivado pela irmã, Cecília, conseguiu, com muito sacrifício, uma vaga em um curso de pintura, após a desistência de um aluno.

Com o aprimoramento da arte, veio a vontade de fazer algo em defesa do meio ambiente.  A partir da sua inquietação sobre o que fazer com o lixo, teve a ideia de reutilizar tudo aquilo que, aparentemente, não tinha mais serventia. Ao invés de pintar em telas, Wangui passou a pintar em materiais alternativos, como lascas,  galões de leite e telhas, transformando objetos inutilizados em arte. 



“Com a tela, não se tem aquela liberdade. Ela só te dá a dimensão naquela medida, e o material reciclado te possibilita viajar na superfície, através dos ondulados de uma pedra, da madeira quebrada, torta. E, aí, você transforma em arte.”

E foi com a emoção de ver os objetos se transformando em arte que o artista plástico tomou coragem e inscreveu sua obras no 3º Inverno Cultural  da  antiga FUNREI, atual Universidade Federal de São João del- Rei (UFSJ). Para a sua surpresa, o material foi aprovado, configurando a primeira oportunidade de  se lançar como pintor, em 1990. A partir daí, vieram várias exposições e feiras.

Mas foi em 1997, ao passar por um momento difícil, após o falecimento de seu pai,  que Wangui recebeu um convite que transformaria sua carreira: a Caixa Econômica Federal o convidou para expor suas obras, elevando e projetando Wangui como artista na cidade e região.

E em 2000, ele teve a oportunidade de fazer a primeira retrospectiva da sua carreira . “ Fazer 21 anos de arte é emocionante...a retrospectiva é o ponto sublime para o artista”. A exposição denominada A maior idade de um artista, Wangui, 21 anos de arte, traços retrospectivos, aconteceu no Museu Regional e reuniu mais 100 obras da sua trajetória.

Foram muitos os momentos inesquecíveis na vida desse humilde artista, que define cada momento vivido como uma parte pintada na aquarela das emoções. Com a generosidade que lhe é nata, Wangui também pôde compartilhar o que sabia em cursos abertos a todas as idades e também em projetos de terapia ocupacional. Foi a convite do Curso de Extensão de Psicologia da UFSJ que Wangui dividiu sua pintura com o núcleo de saúde mental da cidade. “Ver sua arte tocando pessoas tão especiais é dignificante para o artista”, afirma ele.

Caminhando pelas ruas da cidade, Wangui é reconhecido por onde passa, e tem orgulho da notoriedade que conquistou. Sua caminhada é longa, seu sorriso é largo, sua arte é sua marca registrada.  

O carismático artista plástico renuncia a qualquer tipo de influência de pintores renomados, para ser o que ele pode ser de melhor, isto é, ser ele mesmo e não ser apenas um copista.  “Através da  minha arte, pude mostrar que o pintor não precisa usar só a tela. Ele pode viajar no material que ele tem, através da sua imaginação, da sua força interior. O artista viaja e transporta a sua energia, através dos seus traços e da sua cor, em qualquer objeto.  Eu gosto de ser autêntico, de ser eu mesmo, de ser Wangui”.


VAN/Marcilene Hallak
Foto: Marcilene Hallak

De artista plástico a blogueiro



O escritor francês André Malraux uma vez disse que “Os grandes artistas não são copistas do mundo, são seus rivais”, o que faz sentido para descrever o artista plástico Gabriel Rufo, que recusa esse título por não acreditar no conceito de indivíduo, mas no de falange.

Introspectivo, reflete profundamente sobre tudo que lhe é perguntado, pontuando ora ou outra suas respostas com frases de efeito que poderiam facilmente ser usadas como epígrafes de um livro de poesias. É através delas que podemos ter um pequeno vislumbre desse mundo fantástico em que habita, um mundo particular e pessoal, que só encontra verdadeiramente vazão através de suas peças de cerâmica.

Paulista, com 31 anos registrados em seu documento, mas com um anseio de nunca deixar sua criança interior morrer, mudou-se para Prados onde mantém um ateliê e uma loja, e divide seu tempo entre os cuidados com sua tia que sofre de esclerose múltipla e a modelagem. A família parece ser uma constante essencial em sua vida, e foi dela que herdou gene artístico. O pai, Luís Carlos Rufo, é tido como grande referencial e inspiração.

Quando perguntado sobre a forma como a sociedade vê e se relaciona com a arte, assume um tom mais sério e crítico. Frustra-se com a tendência de tudo ser convertido em dinheiro, com a produção de uma espécie de falsa cultura, com a necessidade de se ter um vínculo empregatício para ser valorizado.

Para divulgar seu trabalho, Gabriel atualiza sempre que pode seu blog, onde expõe não somente suas peças, mas a forma como percebe o mundo ao seu redor, dentro de sua própria dimensão. E é nessa dimensão que escolheu para viver, entre o som e a pedra, que ele utiliza da nota musical ao barro para fazer uma arte que já imagina pronta, como se sempre tivesse estado ali.


VAN/Luana Levenhagen, Delcimar Ribeiro
Foto: Arquio pessoal

AS VÁRIAS FACES DE LOBO BRUXO




Antônio Eduardo de Carvalho Ávila nasceu em 16 de dezembro de 1948, são-joanense, pintor, poeta, ambientalista, conhecido como “Lobo Bruxo”. “Lobo” por ter um instinto mulherengo e “Bruxo” por ser uma pessoa mística, ligada aos mistérios da natureza.

Autodidata, seus desenhos e pinturas são frutos de sua fascinação pela arte, dedicação intensa a seus dons naturais e também de suas caminhadas na Serra, à qual o artista atribui toda a inspiração de suas obras. Ele é também autor dos livros: Lobo Bruxo, A Terapia do Equívoco, Almagarra, Relva Molhada e, mais recentemente, A Reflexão da Loucura.

Ambientalista, luta há muito tempo a favor do plantio de árvores, antes mesmo de se falar em sustentabilidade; tenta conscientizar pessoas no sentido de terem uma postura de trabalhar em prol do meio ambiente, das áreas de proteção ambiental e das nossas nascentes. Porém, ele acredita ser uma luta árdua, devido ao descaso das autoridades.

Além disso, Antônio Ávila é pintor. Suas pinturas e desenhos possuem a singularidade de um grande artista. Suas telas refletem ideais de vida, pessoas marcantes em sua história - principalmente mulheres - e também releituras de grandes mestres da arte.



Artista completo, ele é também escritor. Foi influenciado desde cedo, quando seu pai lhe deu o primeiro livro: uma coletânea de textos filosóficos que o ajudou a refletir sobre as questões da vida e a despertar o interesse pela leitura de outros textos, como poesias.

Todos os seus livros possuem um elo de ligação entre si. Seu último livro, A Reflexão da Loucura, segundo Lobo Bruxo, tenta elucidar algumas questões envolvendo o mundo atualmente, como o stress da vida moderna, a questão da bipolaridade que leva ao vazio, a carência, no caso a “loucura”.

Ele ainda tem outros projetos a serem realizados e outro livro a ser lançado. “Não vou parar nunca de escrever e pintar, enquanto houver questionamentos a fazer”, afirma.

Lobo Bruxo é um artista com uma trajetória de vida baseada na arte voltada não só para si mesma, mas para algo maior: para se criar uma sociedade crítica e sustentável.


VAN/Marília Cunha
Foto: Arquivo Pessoal



Zuenir Ventura no 8º Felit


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